Eu não retiraria nenhuma palavra deste escritor, exceto aquele “uubiduu” se chacoalhando que ele faz. O cara está coberto de razão, e isso se aplica ao mercado de design e de ilustração, principalmente.
O que a maioria das pessoas não entende é que o resultado do trabalho de um ilustrador – falarei como membro da classe – é muito mais do que a mídia em que ele se expressou, das tintas ou pixeles que usou. O resultado do trabalho de um ilustrador é o extrato de tudo o que vivenciou, das horas que praticou, das coisas que leu, dos filmes, quadros, fotos, animações e cenas reais que viu, das músicas que escutou, das sensações que vivenciou.
E isso, colegas, não se baixa da internet, não se compra no camelô ou na Apple Store, isso se adquire vivendo. Não temos culpa se sabemos colocar um preço pra isso.
Então Heto, infelizmente essa realidade é presente no Mercado Brasileiro. Acredito que em alguns poucos países e em algumas empresas não acontece esse tipo de abuso, mas vou lhe ser sincero… Não foram uma ou duas vezes que tive de trabalhar de graça pra agências daqui para “firmar” uma parceria ilusória (que ajuda somente a eles)… E se você recusa trabalhar de graça uma única vez, você deixa de ser parceiro e está queimado com aquele diretor ou aquela agência.
Algum dia, em alguma utopia, as pessoas começaram a ser corretas e irão parar de tentar passar todos para trás apenas para encher os grandes rabos de dinheiro… realidade ingrata.
Bruno, eu acho que a mudança de um paradigma começa na atitude individual. Fazer de graça só para meu filho (enquanto ele for criança), e no meu sketchbook. Eu não posso patrocinar cliente fazendo de graça, enquanto o cliente e a agência ganham dinheiro ou participam de concorrências com o meu trabalho.
Eu sou parceiro dos meus clientes quando viro noite, ralo de fim-de-semana ou trabalho em horário comercial.
Ser parceiro não é trabalhar de graça. Ser parceiro é ser confiável, cumprir prazos, entregar qualidade, e cobrar por isto.
Enquanto você tiver medo de se queimar com o diretor ou a agência prestando serviços gratuitos, eles vão continuar te usando como mão-de-obra barata ou gratuita, e usando você como argumento para coagir outros a fazer o mesmo.
A mudança parte do “NÃO” que cada um coloca como limite entre o trabalho e a exploração.
Não existe cliente “pequeno” ou “sem grana”. Isto é uma mentira deslavada, porque se fosse verdade ele não seria CLIENTE, e sim um funcionário ou um desempregado.
E concorrência também não é desculpa, porque as agências querem alguém para dividir o prejuízo, mas não os lucros.
Eu não faço nada de graça, e me ofendo se me oferecerem “parceria” onde eu a minha bunda é a garantia.
Realidade ingrata, concordo.
Mas ningúem é obrigado a aceitar.
vocês sabem informar quando será publicada a nova edição da revista???
Essa semana , Ana. Só mais um pouquinho ai :)
Concordando completamente com o discurso do escritor, comecei a achar engraçado o fato do vídeo, ainda mais sob o título de “tiro no pé”, ter sido reproduzido no site duma revista que tem o conteúdo inteiro adquirido sem pagamento, dentro da lógica de que os autores estão tendo o privilégio de serem publicados e terem divulgado seu trabalho.
Qual a diferença duma Ideafixa, duma Zupi, para uma revista que pede para alguém trabalhar sem cobrar, ou cobrando muito a menos do que devia, com a contrapartida do tal “portfolio”?
Lembrando que recentemente o mesmo site que agora reproduz o vídeo do Harlan Ellison, sob o título “tiro no pé”, divulgou também dois concursos tão ou mais safados quanto o da Livraria da Vila (agora corrigido, ao que parece):
em http://www.ideafixa.com/2009/08/27/concurso-kismet/ , divulgam o concurso que se orgulha do seguinte prêmio:
PRIZE – FREE Publicity
- Front Cover of KISMET Magazine
- 2 Page Advert on your trading name/company/fashion label in KISMET Magazine for one Issue along with a link to your website from KISMET Magazine acknowledging You, your Model, Photographer, Fashion Designer and Wardrobe Stylists.
- The final Front Cover you can use in your folio which is always a great addition.
e em http://www.ideafixa.com/2009/08/27/concurso-anorak/ , o concurso (que tem as regras com o curioso título “Draw us a happy cover. Please.”), tem um prêmio um pouco mais interessante:
The first prize will see their drawing on Anorak’s Winter outside back cover, and will receive a bundle of Tate goodies picked by Anorak’s creative director, Supermundane, worth £100 and a doodling pack from Sharpie Pens.
Escrevo isso realmente em dúvida da diferença dessas revistas de conteúdo visual, formado apenas pela contribuição voluntária e gratuíta dos autores, com essa prática de pedir trabalhos de graça no mercado. Não sei se é a mesma coisa, gostaria de ouvir opiniões sobre isso. Mas quanto a divulgação de concursos safados, não tenho dúvida, falta critério – o primeiro que eu citei só deveria ser divulgado claramente como um concurso para NÃO se participar.
opa, é ai que entra a meta-linguagem. pensa quem quer, como quer e o que quiser.
e complementando a resposta superficial que dei acima.
eu acho que existe uma diferença sim. Essa revista, e tomo como exemplo desta pq é a que conheço mais de perto, surgiu com a intenção de divulgar trabalhos dos profissionais que ainda não estão com nome firmado no mercado. esse é o objetivo inicial do projeto, que diga-se de passagem não participei e estou defendendo por pura simpatia. Se a grana rola ou não, é uma questão que deve ser debatida também por todos os lados inclusive quem dedica seu tempo e amor a esse trabalho aqui que diga-se de passagem não é facil. tráfego.
quanto a concursos, de logos e afins, eu sou particularmente contra, e sempre fui. mas existem estudantes que estão interessados e possuem tempo habil para isso, mais uma forma de praticar e encarar a realidade do mercado altamente competitivo que nos encontramos.
ou seja, pra mim a diferença é clara, objetivos. enquanto um quer uma comunidade que discuta, interaja e forme sua rede de contatos, o outro quer muitas soluções para uma questão a baixo custo.
“Pudim”, lá vamos nós. É engraçado alguém achar que alguém do lado de cá está ganhando rios de dinheiro com alguma coisa,rs. As pessoas próximas que conhecem o nosso dia-a-dia sabem que não existe nenhum império sendo construído ( e bem pouco glamour ) a custo dos pobres profissionais e artistas que enviam seu trabalho e não recebem nada. Eu não recebo nada igual pelas horas que passo aqui trabalhando nisso.
A gente começou esse projeto em 2006 num almoço da firma sem muito propósito além de abrir um espaço pra mostrar os trabalhos de um monte de gente legal que a gente conhecia e que ficava escondida em qq canto por ai. Você pode achar que é piada e demagogia, mas tem muito amor envolvido aqui. Minhas contas não são pagas por esse projeto. As pessoas sempre tiveram a opção de mandar ou não mandar o trabalho pra revista. A nossa relação com os colaboradores é sempre uma mão de duas vias, é uma soma, não é ninguém tirando de ninguém. Dá pra contar nos dedos de uma mão as mídias especializadas com um conteúdo razoável na área de artes visuais e é quase auto-sabotagem isso que você levanta com a sua questão.Mas obviamente, vc está no seu direito.
Eu definitivamente não tenho a intenção de parecer grosseira na minha resposta, mas aqui é quase o caso de uma mãe que defende seu filho e como eu disse que é muito amor por aqui é difícil não ser meio passional as vezes.
Lembrando que a opção de que você coloca sobre não participar, é um direito seu e de qualquer um e ele será mantido aqui pra quem quiser ou não apoiá-lo.
Pudim,
Eu ouvi uma definição muito boa no RDesign Sul: “A IdeaFixa é uma Zupi do bem”.
Basicamente são as diferenças ideológicas, de postura, mas acima de tudo é a atitude comercial que definem as diferenças entre a IdeiaFixa e a Zupi.
A Zupi tem como foco o dinheiro a qualquer custo. Não paga um centavo para seus colaboradores, não paga um centavo aos palestrantes do Pixel Show, mas cobra de R$ 160,00 a R$ 290,00 por ingresso, e chegam ao extremo de negar UM ingresso a um colaborador, mesmo que este tenha criado páginas e mais páginas de conteúdo para a sua revista, que custa R$ 14,00 com uma tiragem de 10.000, sem contar o valor dos anúncios.
A Zupi tem uma tradição de muquiranice, oferecendo “6 dólares australianos por ilustra”, em uma mensagem lotada de rigores e exigências, espalhada pelos fóruns de ilustração e design há uns 5 ou 6 anos atrás.
Mas naquela época ainda havia a intenção de pagar (mixaria) por alguma coisa, mas hoje eles querem TUDO DE GRAÇA, mesmo que a intenção final seja com fins explicitamente lucrativos.
A IdeiaFixa tem uma revista online gratuita, e FINALMENTE no Brasil se apresentam como representantes de ilustradores, com uma taxa de serviços de 20%, o que é não apenas correto, mas extremamente bem-vindo.
É uma taxa justa, dentro dos padrões internacionais, e que permite negociações a preços corretos no mercado, diferentemente do que alguns ilustradores costumam fazer sozinhos, ao jogar seus preços lá embaixo.
Eu estou conhecendo aos poucos a IdeiaFixa, e gosto do que vejo, tanto no aspecto estético como no aspecto moral e comercial.
Já a Zupi…
“Moltalvo”, concordo com maioria dos pontos sobre a Zupi, apesar de achar essa sua exposição um atentado ao ridículo. Mas todas as suas afirmações, pelo menos pra mim, não valem mais nada ao dizer que palestrantes do Pixelshow não ganham nada :) completamente errado.
“Neuson”, acho que temos alguma falha na comunicação aqui. Por favor defina “atentado ao ridículo”, na primeira parte do seu comentário. Também não entendi a segunda metade da sua mensagem. Eu sei do que estou falando, e a proposta oferecida ao palestrante brasileiro em questão era de R$ 0,00. Não sei se o Allan ofereceu outros valores a outros palestrantes, o que seria ainda pior.
Então tá aí, você é perseguido por fantasma muquirana político, pois quem foi convidado e quem participa direta ou indiretamente da organização sabe o cachê dos palestrantes, e os benefícios de viagem e estadia.
Belo questionamento, cheio de fontes e tudo mais. Eu não tô do lado de ninguém, muito menos dos “idealizadores” desse blog… sou um “artista do livro ideafixa”: o livro tá 80 reais e nenhum colaborador recebeu 1 real por ter sua ilustração publicada no livro, digo, nada além do nome na indexação e o hype de estar num livro produzido por blogueiros (risos). Mas não posso falar nada, afinal, ninguém colocou uma arma na minha cabeça e ordenou que eu participasse. Mas além de isso (isso aí, que o escritor comenta no vídeo) acontecer em todo tipo de mercado, acontece e faz parte, muitas vezes vital, de uma estratégia de um modelo de negócio. O famoso uma mão lava a outra, que, se não for bem estudado, uma das partes sai com o saldo negativo. Faço parte do maior coletivo criativo do mundo, e posso dizer que a parte vital do negócio (que, pode ter certeza, gera bastante dinheiro) é essa estratégia de que: você faz de graça, nós publicamos o seu nome – até aí, todo mundo feliz, mas depois ninguém vem com um relatório em PDF dizendo o quanto conseguiu arrecadar com aquele projeto ou esse. Só quem é realmente envolvido, pessoas-chave é que faturam. Não pense que ao comprar o livro ideafixa, por exemplo, vai estar incentivando a cultura ou financiando um projeto bacana… it’s all about the money. A vida é assim, e ainda mais nesse país onde todo mundo quer se dar bem, na maioria das vezes com o trabalho de outras pessoas, essa estratégia é cada vez mais pertinente e geradora de resultado$.
legal nelson, seu comentario é bem pertinente.
mas a parte mais importante na minha opinião é onde vc diz justamente que ninguem pos uma arma na sua cabeça nem te obrigou a nada. e afinal de contas, isso aqui é um espaço privado, em termos, participa quem quer, discute quem quer, envia quem quer. é sim ou não. se sim, você vai ter algumas regalias (como você mesmo teve seu trabalho divulgado, e consequemente novas portas se abriram) se não, você não participa e procura outros caminhos para divulgar seu trabalho.
e ai vem a grande questão, que caminhos então? será que esse video se aplica a TODOS os profissionais?
Na verdade é simples. Se o cara acha que vale a pena, então diga sim. Eu aceitei pois tinha ainda uma certa amizade, e isso faz parte… não vi a participação gratuita no livro que custa 80 reais um big deal. Esse caso foge de uma generalização, pois eu era amigo da Janara, logo não vi problema nenhum em “colaborar” com o projeto. Mas chove no e-mail diretores de arte de multionacionais querendo ilustração/direção de arte a 1000 dólares ou 500 euros para “pré aprovação”… eu aprendi a dizer não. Pra mim, esse já é um outro problema: o cliente exige 5 linhas diferentes e quem se fode são os 5 palhaços que aceitaram a proposta de 1,500 reais para “pré-aprovação”.
Acho um tanto incisivo, esse vídeo, porém, não equivocado.
Agora tem que analisar com mais calma, esse negócio de “não dou um suspiro sem que me paguem”, na minha opnião é uma enorme dor de cotovelo desse indíviduo que sofreu alguns contratempos (da pra percerber que é um desabafo irritado).
..
Eu acredito, plenamente em uma sociedade cada vez mais colaborativa, visando o lucro sim, porém nem todo lucro é medido em moeda (apesar de aparentemente ser a única coisa válida para muitos profissionais) eu acredito, á respeito do que o Nelson citou, algumas pessoas enviam trabalhos para revistas, livros, blogs, etc.. não só em função monetária, mas há várias moedas de troca nessa atitude, ego, satisfação pessoal, valorização do trabalho, contribuição pra um determinado projeto ou comunidade.
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Acho que poderiamos repensar melhor as questões de contribuição.
Nelson, eu gosto quando você assina com seu nome.
Nelson, acho louvável sua atitude de aprender a dizer não, e pra mim essa é o ponto principal. Valoriza não só o proprio trabalho, como o trabalho de uma classe, que luta por um reconhecimento (em um post anterior, o próprio Alexandre Wollner fala sobre essa questão da classe). Essa discussão tá bem interessante, bom conhecer os diversos pontos de vista. Na minha opinião também acho que o profissional deve (e eu me incluo nisso) aprender a dizer não, e sim. Acho que levantar a bandeira do NUNCA também é complicado, já que isso fecha algumas portas, então eu pelo menos tento perceber qual é a melhor alternativa no momento e principalmente especular sobre o trabalho em questão. Se a empresa tem grana, cobrar um preço justo, se não tem também.
A divulgação do nome pode tomar caminhos alternativos como montar um blog, e formar redes de contato, como é feito aqui no Ideafixa.
Concordo. A questão de “se você não quer, tem quem queira” deve ser tratada da seguinte maneira: foda-se. O cara que tem um puta cliente na mão e sabe usar de um talento precoce, sabe que pode ser bom pra ele, pois o trabalho do talento precoce pode dar um puta resultado e o próprio talento precoce ganha uma peça no portfólio que acaba redefinindo a própria linha, e abrindo novas portas. Acredito que todo mundo tem percepção pra saber quando o cara tá querendo tirar vantagem… por isso que eu disse ali que precisa ser estudado. Se você não quer, tem quem queira – os amadores, como disse o nosso amigo Harlan disse. Não querendo desviar o público, mas no post original do Sketcheria o Montalvo e um rapaz chamado Bruno levantam dois pontos de vista completamente diferentes, porém bastante coerentes. Esse assunto é um assunto sério, e nada melhor do que opiniões com fundamento pra poder discutir. Tá ficando bom o negócio por aqui :)
Diego Miguel, é exatamente este tipo de atitude “colaborativa”, visando outras moedas abstratas e imateriais como ego, satisfação pessoal, valorização (?) do trabalho, etc, que causam danos a todos os profissionais sérios do mercado.
Dor de cotovelo? Ele queria ser pago! Qual é o problema com isto?
Você acha que ele está reclamando a toa? Dor de cotovelo… faça-me o favor…
Como disse o Harlan Ellison, os amadores estão prejudicando os profissionais, porque apenas eles (amadores) enxergam estas firulas, vaidades e lambeção de ego como forma de pagamento.
“There is no publicity value”.
“Look at me, I’m gonna be noticed, uhu, uhu”
Se a carapuça não serviu é porque você se recusou a vesti-la, porque ela foi feita para você.
nelson,
talento precoce quem? você? vamos deixar de ser tão pessoais e falar sobre uma realidade que abrange a todos.
prefiro não ser tão radical quanto o escritor e achar que SIM, existe um valor de troca nas relações de negócio além da pura monetização. A visão dele é plenamente americana, lets do business, e só. Nos Estados Unidos pode funcionar assim, aqui no Brasil já é diferente. Se você chega numa reunião e começa a falar de negocios sem antes soltar uma piada todo mundo te olha ressabiado.
Pra mim a questão fundamental é saber enxergar as oportunidades como elas se apresentam. Montalvo, não concordo plenamente com você nessa questão de que “there is no publicity value”. Eu acho que o publicity value existe sim, não diretamente mas indiretamente na forma de contatos. E isso é uma pratica comum em vários mercados, por exemplo, existem alguns jornais de grande circulação que veiculam em cadernos recém-lançados publicidade quase gratuita com o intuito de atrair novos anunciantes. Ou mesmo shoppings, que favorecem grandes lojas chamadas âncora para atrair outros investidores. Ou seja, o publicity value existe sim e é bem real, uma forma indireta de se conseguir grana, e nem por isso são tratados como amadores.
Heto,
Eu estou no mercado de ilustração há 25 anos. Opa, 1983… 2009… são 26 anos. Mais da metade da minha vida.
E eu tenho ouvido esta lenga-lenga de “oportunidade”, “vestir a camisa”, “ser parceiro”, “crescer junto”, “na próxima a gente compensa”, “vai projetar seu nome”, “é para portfolio”, e uma infinidade de papos-furados sempre com a mesma intenção: baratear os custos.
Já fiz capa de livros e revistas, ilustrei para National Geographic, Superinteressante, Playboy, Placar, Bizz, Audi Magazine, editora Ática, e uma quantidade de outros lugares.
Nunca tive um único cliente que tivesse vindo espontaneamente, só porque viu minhas imagens publicadas.
É um fato, não adianta enganar a si mesmo: THERE IS NO PUBLICITY VALUE.
Sempre foi a mesma balela, em todas as revistas e livros: “somos uma vitrine para seu nome”, “pagamos pouco mas você aparece”, blablabla…
Pagavam relativamente pouco em 1998, mas ainda era razoável (cerca de R$ 1200,00 por uma dupla).
Depois de 2001 culparam o Bin Laden e resolveram pagar metade, depois foram cortando, cortando, até terem a cara de pau de oferecerem R$ 1200,00 por TRÊS DUPLAS MAIS A CAPA: César invadindo Roma, exércitos montados a cavalo, tropas, uniformes, armas, formações de ataque, o parlamento romano, senadores e o retrato do bonitão, com seus louros ao redor da careca na capa, dá pra acreditar?
Mas é verdade, aconteceu comigo, e eu quase bati o telefone na cara da pessoa que me ligou oferecendo este desaforo disfarçado de trabalho, em troca de “publicity value”.
E a enrolação continua a mesma: “é bom para divulgação”, “vai ajudar na sua carreira”…
MENTIRA.
Vai ajudar no faturamento deles, e só.
Tem neguinho ralando feito um animal, criando conteúdo para o mercado editorial brasileiro faturar na casa do BILHÃO (conforme reportagem na revista Meio e Mensagem), enquanto as livrarias montam verdadeiros castelos literários nos locais mais caros e luxuosos da América Latina, enquanto vão cortando os preços de seus colaboradores até chegar próximo de ZERO.
E todo mundo sai ensacolado das Mega-Stores. Há dúzias de estantes com “best sellers”, centenas de lançamentos, milhares de publicações que nunca encalham.
Os negócios no mercado editorial, apesar da crise, vão muito bem obrigado.
O dinheiro existe, mas tá cheio de gente por aí que parece não se importar com ele.
Aparecer é mais importante que pagar as contas, comer ou respirar.
Não para mim. Se o cliente tem dinheiro, intenção comercial e faturamento, o que vale é o dinheiro dele na minha conta.
Harlan Ellison tem a mais absoluta razão. THERE IS NO PUBLICITY VALUE.
E o mercado está escorregadio, pegajoso e fedorento como um aterro sanitário por culpa dos iludidos que caem neste papo furadíssimo de “oportunidade”, enquanto enchem os cofres de seus contratantes, que usam da ingenuidade e da vaidade de seus escravos voluntários, que fazem de tudo por seu minutinho de fama.
Quando se trata de clientes com faturamento em $$$, publicity value é para amadores.
Mas a ficha não cai na hora para todos, alguns demoram anos até que entendam que foram usados.
Eu só acho que nessa discussão deve ser pertinente duas coisas.
A – Quando o projeto é realmente de divulgação, quando os organizadores não estão recebendo (ou somente pagando custos) do Projeto, onde aí, há voluntários.
B – Projetos profissionais que serão comercializados, envolvem equipes, todos ganham seus salários e apenas alguns são sacrificados apenas por redução de custos.
….
Não estou criticando trabalhos como blogs, revistas on line e afins, e sim intituições, empresas que se aproveitam de profissionais, para gerar um custo zero e botar mais dinheiro no bolso.
O trabalho de um Designer, Ilustrador não gera algo paupável, você compra conhecimento e não resultados e aí é que entra o pessoal abusando. Se não gera algo paupável o custo é infimo, mas ninguém analisa os anos de estudo, investimentos em cursos, aprimoramentos técnicos e criativos, tempo gasto, etc.
Infelizmente isso é uma prática comum e um vício já instaurado na população, agora vai no sinaleiro pedir pro cara que vende balas te dar uma de graça, que na próxima vez que você passar você vai comprar.
Abraço
logo menos o video do cara ta rodando a internet e o puto vai quere mais $$$… já q ninguém tá pagando p ele ir tomar no***!! kkkkk… ooh povo mesquinho!!
Quanto mimimi. Nossa geração é mal acostumada, muitos começaram a trabalhar ao terminar a faculdade e achavam que deveriam ganhar no mínimo R$2.000, fazem uma pós ou são assistentes/da jr ou fazem freela p/ agência multinacional e acham que o próprio trabalho vale uma fortuna. Não tem nem 5 anos de experiência de mercado, mas porque ganharam um web bunda awards se acham o gênio do design, o jovem talento. É muita bullshitagem: “maior coletivo criativo do mundo”. Ler isto dói no baço. Maior em que? Qualitativamente, quantitativamente? Qual a unidade de medida da criatividade? Como se avalia/julga essa qualidade?
Vamos crescer, a maioria aqui tem menos de 30 mas acredita ter um conhecimento absurdo a cerca das coisas.
No mais, acho trabalho especulativo um câncer no mercado, só fiz a vez do outro lado porque essa de se vitimizar não cola. Todo mundo quer ganhar dinheiro, mas poucos querem trabalhar o suficiente. Comprometimento e responsabilidade é raro hoje em dia.
Pra mim a relação idade x maturidade x valorização não é proporcional. Experiência é importante sim, mas não é tudo, principalmente quando se fala em qualidade de trabalho. Comprometimento pra mim é uma questão de personalidade. Ou seja, não vejo problema algum o cara sair da faculdade e querer ganhar no mínimo R$2.000, desde que seu trabalho renda (e valha) isso.
Eu pelo não tenho um conhecimento absurdo das coisas, mas não me canso de querer ter =)
A questao de idade x valorização é baseado em um raciocínio simples: quanto maior a idade maiores as chances de você ter um trabalho mais refinado, claro que a idade por si só não representa muita coisa se pegarmos alguém que começa aos 16 e hj tem 25 e outro que começa aos 21 e hoje tem 30, a priori são os mesmos 9 anos, mas tem a questão de como esse tempo foi utilizado, uns são mais dedicados que outros. O que fica é a experiência, vivência, whatever.
[off]Talento pra mim é suor, não acredito em dom divino. Einsteins e Da Vincis foram/são pessoas extremamente focadas e determinadas em seus propósitos.[/off]
Concordo que apenas experiência não é tudo, de fato são muitas variáveis que possibilitam o surgimento de um trabalho com qualidade e numa boa? Comprometimento é essencial, se faz parte da personalidade não importa, isso não diminui seu valor.
E heto, falta auto-crítica pra uma boooa galera, tem muita gente que se acha foda no que faz porque domina uma ferramenta e fica no mais do mesmo. Como é trend, a massa gosta e o ser se ilude, acha que nasceu pra isso, fez a escolha certa e que em breve vai ficar rico, vivendo da formuleta. Onde já se viu utilizar a mesma solução pra clientes completamente diferentes? Infelizmente é o que mais se vê.
O que fica é: não tem nenhum santo nessa história toda.
Said, vou responder em relação a parte que me toca.
O KDU é o maior coletivo do mundo, fundado por David Gensler: fundador da Human Brand e da Roc Brands (Rocawear, Rocafella Records, comprada por Jay-Z). Tem mais de 500 membros, dentre eles cientistas, filósofos, fashion designers (o que inclui contribuições de Mark Ecko e Christopher Bevans), diretores de arte, ilustradores… etc.
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Se isso dói no baço, sinto muito, mas é isso aí que você viu. O que não acontece aqui não quer dizer que não acontece ali em cima, e que não envolva algum brasileiro… pensamento mediocre, típico do complexo vira-latas.
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Eu não quero vender o tal do coletivo pra ninguém, e nem dar corda pra você desviar do assunto. Só usei de exemplo porque o esquema que os caras usam com maior parte dos membros é esse… uma mão lava a outra. Não tem motivo pra questionar o grupo em si, que é uma família e tem ajudado muita gente a conseguir coisas boas… a abrir novas portas.
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Sugiro o seguinte: menos análise crítica e reclamação (como já vi você reclamando de networking e babação de ovo) e mais ação.
Vou ser sincero e dizer que o seu comentário sobre o meu me irritou bastante, mesmo porque o que eu apontei foi pra dizer que um grupo com mais de 500 pessoas ativas e envolvidas em projetos tem um modelo de negócio baseado em relacionamento e troca de moeda “abstrata”, como o Moltalvo disse. Não se mede criatividade nem qualidade pelo número de membros. Foi só uma exemplificação… sem espaço pra neurose e frustração que estão sempre presentes nas suas observações sobre o mercado. Tá ruim, muda de continente.
São poucas as vezes que fico tentado a escrever algo mas como tenho uma posição muito firme sobre minhas convicções ao ler certas coisas me sinto na obrigação de contribuir com meu parecer, mas como você admitiu ter ficado irritado, levarei isso em consideração, certo?
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Eu conheço o KDU, nada contra o grupo, mas nos seus comentários acima a escolha das palavras foi bem infeliz. Talvez seja dificuldade em escrever, ou é arrogância mesmo, vai saber? O que importa é que foi a deixa para eu angariar um exemplo para minha argumentação. tks anyway man :)
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O que doeu no baço foi sua introdução do KDU, não questionei o grupo, questionei sua colocação, poxa, é simples de entender.
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Seu comentário foi só um exemplo da GENEALIDADE tão presente nessa geração de designers, quando leio coisas do gênero penso: poxa… é uma dádiva fazer parte de tudo isso, é muito talento junto!!
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Quanto ao lance do complexo de vira-latas, ofensa descabida e desnecessária. O que eu falei envolve a galera jovem que produz design, não só aqui, mas em qlq parte do mundo, olha qualquer social media de design (behance, cplove, flickr, etc), da pra saber de onde cada um saiu? 95% é tudo na mesma pegada, só muda o skin, se pra você isso é design, ok.
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No mais postura crítica não tem nada haver com frustração, ser crítico é uma postura ativa, o contrário de se esconder por trás da maioria ou apostar nas tendências, como se isso balizasse seu trabalho… isso aí tem outro nome, é a famosa zona de conforto. Eu to correndo atrás do meu, contra a maré e CONSCIENTE das minhas escolhas(não precisei nem mudar de cidade). Quanto a sua sugestão, eu passo.As ofensas não irei rebater, passei da idade.
Abraços!
Você é um gênio. Olha essa atitude, esse ar blasé, esse jargão jornalístico com comentários arquivados sobre cada ponto que eu fiz. Demais. Parabéns mesmo.
Valeu Nelson. Vou me casar com uma jornalista e como dizem a convivência deixa você parecido com o outro.
Sugiro o seguinte: melhore nas ironias porque essa foi bem fraca e fique mais calmo, não é porque você é jovem que pode abusar do coração.
Abraço!
Nelson, vai nessa, invista seu tempo e sua carreira no coletivismo. Mergulhe em projetos idealistas, gratuitos e doe toda sua produção em contratos Creative Commons, Copyleft, etc.
Você tira onda, se diverte, aparece, faz bonito, fica bem na foto, se auto-condecora com o título de “talento precoce”… só alegria.
Isto fode com o mercado, mas se você se dá bem de outras formas, para que se importar com os outros, não pega nada pra você, então por que se preocupar, não é mesmo? Danem-se todos, bando de chatos, velhos e neuróticos, que não entendem seu “talento precoce”.
Você não precisa de dinheiro para se dar bem, moedas abstratas te trazem outro tipo de benefícios, e isto vai funcionar bem enquanto alguém te sustenta com o bom e velho papel moeda, bufunfa, grana, dinheiro.
Enquanto isso nós, neuróticos, velhos e frustrados continuamos trabalhando só por dinheiro e pagando nossas contas só com dinheiro.
Você é uma pessoa de sorte, que pode se dar ao luxo de trabalhar em troca de dinheiro de mentirinha, moedas abstratas, popularidade, projetos coletivos, escambos emocionais e outras trivialidades. Boa sorte, tomara que sua herança nunca acabe, porque a adaptação ao mundo real pode ser muito difícil e dolorosa para adultos não acostumados a trabalhar por dinheiro.
Em tempo, meu nome é Montalvo, e não Moltalvo.
Said, você mandou bem. Seus textos merecem ser lidos com atenção.
Engraçado, Moltalvo, porque eu tava o tempo todo defendendo maior parte dos seus argumentos… acho que você se perdeu no texto. Marque um encontro com o Said, duas velhas chatas e rabujentas.
Montalvo, uma dúvida sobre o começo do teu comentário: O que vc quis dizer com “merguhar a produção em Creative Commons e Cpyleft e foder com o mercado?”.
Porque assim, eu vejo no CC (principalmente) uma solução plausível pra muita coisa. Indústria musical, indústria de mídias muito menos palpáveis do que o trabalho do “design tradicional” (ilustração e afins). Mas eu concordo com você quando vc diz que “investir toda sua produção” é perigoso, afinal isso (ainda) é utópico e todo mundo precisa comer. Eu, você, e qualquer outro designer.
Mas pensar no bem coletivo é a premissa da coisa. Talvez agora, no mercado de hoje, não funcione. Pras mídias com as quais trabalhamos hoje, talvez seja tiro n’água. Mas o próprio modo de ver o design e a mídia está mudando, e daí sim eu acho que esse tipo de coisa se encaixa.
Só queria saber teu ponto nesse aspecto. :)
Néuçom: adeus.
Pedro Oliveira, eu não trabalho com música, mas sei que menos de 1% do valor de um CD ou DVD acaba nas mãos do músico. 99% do bolo é dividido entre os produtores, distribuidores, vendedores e atravessadores, ou seja, a grana vai para quem não cria a obra.
Isto está piorando muito nos últimos tempos, exatamente por causa do CC, Copyleft e outras balelas colaborativas.
O autor, assim como qualquer outro ser humano, precisa se alimentar, pagar as contas, sustentar família, etc.
Se a barriga ronca, não existe Arte, não existe criatividade, nem obra alguma.
O trabalho colaborativo, gratuito, ideológico, filantrópico, de graça, etc não é auto-sustentável.
O artista, o autor, o compositor, o criador de qualquer obra artística deveria ser o mais bem pago de toda a cadeia produtiva, mas tem gente querendo mudar as Leis de Direito Autoral para arrancar ainda mais o pouco couro que resta nas costas co autor.
Para o olhar da Indústria, 99% da grana ainda é pouco, eles estão de olho no 1% do autor.
O “bem coletivo” só vai favorecer ainda mais aos empresários, porque eles poderão produzir e distribuir mais, sem precisar pagar o 1% do autor.
Que maravilha, tudo pelo coletivo… quem precisa comer, afinal? O importante é criar… aparecer… estar na mídia…
E tem autor achando tudo isso normal, legal, bacaninha, e louco para dar de graça a única coisa que o miserável tem para vender.
Tudo por um minuto de fama.
“A questão de “se você não quer, tem quem queira” deve ser tratada da seguinte maneira: foda-se. ”
Nelson, pela primeira vez em muito tempo eu concordo plenamente com esse argumento. Eu sinto, de verdade, que é isso que falta pros Designers – saber falar NÃO e saber falar FODA-SE.
Confesso que eu nunca vi UM, sequer UM Designer que veio me dizer que trabalhou de graça e chegou onde está por conta disso. I mean, todo mundo se fode um pouco no começo, mas dizer que esse é o combustível do reconhecimento é puro Marketing de grande empresário. Me dói ver que o Mercado Brasileiro, principalmente o Mercado do Interior (nesse caso específico do meu conhecimento, o Interior Paulista) é cheio disso. Do tipo o cara querer pagar 75 reais numa ilustração que vai ser reproduzida em série em um material vendido a 100 cada um, e andar de jatinho por aí. Se você nega, eles voltam atrás e pagam o que você cobra. Ah, como pagam.
Pedro Oliveira, eu concordo com tudo que disse.
É preciso aprender a dizer NÃO.
Parabéns pela coerência no seu texto.
Quem sou eu?
1-Olha vou dar minha opinião tentando me dar um ar de superioridade. Mas tenho q visar q sou autodidata. Tem no meu site…
2-Vou insinuar q este blog faz dinheiro com trabalhos e n recebo royalties, mas depois vou dizer “achei q td bem” varias vezes p soar como se eu n ligasse. Ah sim, sou autodidata.
3-Vou revelar a todos q faço parte da Liga da Justiça do design e defendo o universo com minha superioridade intelectual. Pois como eu n canso de dizer: eu sou autodidata viu?
4-Vou dizer q aprendi a dizer não recusando trabalhos de multinacionais pq eu sou mto foda e todos babam p ver meus triangulos espaciais. E tenho q dizer q eu sou autodidata. N sei se ja falei aqui…
Resumindo: I rule pq sou autodidata
:)
Sem tretas, please!
Foco no assunto, thakns!!!
Sendo bem sincero, assisti ao vídeo, concordo com os argumentos mas achei a atitude em si prepotente e desdenhosa.
Entendo que ele tenha feito um “ensaio-entrevista” maravilhoso e que para tal preparou-se adequadamente, levou anos para ter a maturidade necessária para emitir tantos posicionamentos eloqüentes e esclarecedores sobre o seu trabalho.
Está no direito de negar a publicação da tal entrevista já que não está recebendo, mas aí eu me pergunto a respeito de uma coisa.
Para onde vai o trabalho dele? Ele, um senhor calvo do mercado, já bastante conhecido, pode se dar ao luxo de ter esse tipo de posicionamento, abdicar de dividir “seus conhecimentos” porque não ganha 5 centavos por cada exibição de sua tremenda entrevista, mas ao meu ver a coisa se complica quando ele julga a atitude de outros que não fizeram questão de receber pelas suas próprias entrevistas, como alienadas e imbecilizadas (inclusive os gestos foram absurdos e totalmente inadequados).
Acredito que para um ator, uma mídia que divulgue um aspecto positivo de seu trabalho, e não necessariamente o trabalho em si (há uma grande diferença entre uma entrevista e um texto, roteiro, atuação), é algo extremamente positivo, entra no que chamamos de marketing positivo “gratuito”, pode ser que abra portas, mas, como nada nesse mundo, não é garantia de sucesso.
Mas isso se aplica de formas totalmente diferentes em cada tipo de mídia e no contexto em que elas são inseridas…
Não existe o não eterno, nem o sim inegável, mas existe os prós e contras e os posicionamentos que buscam o melhor para as partes envolvidas.
Li de alguns a respeito de trabalhos gratuitos, acho que para tudo há espaço a real questão é como cada um melhor utiliza o seu tempo, espaço e veio profissional.
Não posso dizer que “tenho nojo” por micreiros, se eles estão sendo absorvidos pelo mercado de forma a transgredir o espaço de designers e até a mudar a forma com que os clientes visualizam a profissão de designer, é porque os que já estão inseridos no mercado não tem agido com o decoro necessário para aferir o respeito digno à área.
É óbvio para um cliente, mesmo que leigo, que um bom trabalho, entregue dentro do prazo, com boa qualidade e efeito desejados ou até superiores ao requerido rende muitos pontos ao profissional e justifica um preço acima do que se encontra entre outros não tão bem paramentados(isso é a garantia, a qualidade).
No entanto a questão motriz, na minha concepção, reside muito mais na formalização e legalização da profissão do que em qualquer outro aspecto.
Infelizmente, com tantos “profissionais” formados por cursinhos S.O.S e outros do gênero, fica complicado estabelecer padrões elevados de qualidade de serviço, já que os bons profissionais costumam pagar pelos maus, e isso é uma realidade bem brasileira, acho que a formalização da carreira poderia ser um stopin de uma nova era.
É evidente que essa mentalidade não se aplica a todas as empresas e clientes, muitas vezes se aplica mais ao próprio profissional.
Muitos defendem que precisam comer, acho que isso não é argumento plausível em uma carreira tão elitista e autocentrada como a nossa é uma escolha de vida. Também se trata de filosofia, assim como algumas outras é uma carreira que te faz abdicar de muitas coisas na vida, se deseja levá-la a ferro e fogo. (Qualquer carreira em que se pense em investir tempo e disposição reais lhe roubam muito da vida, naturalmente, mas pelo tipo de reclamação recorrente que se vê por aqui, não entendo porque alguns insistem em continuar sendo designers, existem várias opções menos perigosas e que garantem um futuro sossegado mamando nas tetas do governo, se optou por uma carreira do mercado livre tem de lidar com todos os altos e baixos da mesma e procurar, acima de tudo, estabelecer o que de fato tem valor ou não para você. Sem essa de que os fins justificam os meios, ninguém morre de fome vivendo de design…talvez de arte..dança…etc).
Se o que defende é a sobrevivência talvez não tenham escolhido a profissão correta, existe uma gama de profissões que sempre necessitam de novos seguidores.
obs: resumindo o coreto, o cidadão do vídeo é pernóstico, grosseiro e aviltante, mas, como todo ser consagrado, tem lá suas razões.
Ralph,
É curioso como até as mais sólidas convicções mudam com o passar do tempo.
Muitos dos hippies de Woodstock hoje são almofadinhas engravatados trabalhando na bolsa de valores de NY.
O seu argumento não se sustenta, meu caro.
Tente convencer o Tom Cruise a fazer um segundo de cena sequer, sem ganhar a parte dele em $$$.
Pergunte se o Ronaldinho chutaria a bola uma única vez na frente das câmeras sem exigir em contrato tudo que lhe é devido em $$$.
O roteiro vem antes da atuação. Sem um roteirista não existe filme. Lembra da greve de roteiristas em Hollywood? Parou a indústria de filmes e séries, atrasou lançamentos, causou prejuízos imensos.
A morte cerebral condena a todos os outros órgãos, por mais saudáveis que sejam.
Não existem ingênuos nos outros mercados, só no nosso.
Somente os designers, ilustradores, e criadores visuais em geral é que se embriagam da própria arte, e vivem de brisa, de popularidade, de mídia social, de aparecer na vitrine feito um manequim patético e se dar por satisfeito.
Ninguém, ao menos nenhum profissional sério e com o mínimo auto-respeito e auto-estima entregaria de graça alguma coisa que levou a vida inteira para adquirir como patrimônio profissional.
Deixe o tempo passar, quando suas madeixas começarem a brilhar em tons prateados, quando tiver seus filhos, esposa, pensão da ex-esposa, pensão da segunda ex-esposa, e outras contas mais despencando na sua cabeça, e verá que o velho e rabugento Harlan tem razão.
Quando seus cabelos estiverem brancos como os dele, se tiver cabelos na idade dele, você não vai reconhecer a si mesmo em seu próprio texto.
Deixa o tempo passar, e você vai ver a razão e a solidez do discurso do Harlan.
E vai ser engraçado ver um monte de garotos te chamando de pernóstico e calvo de mercado.
Pena que eu já não estarei vivo quando isto acontecer.
Coloquei o vídeo no blog com o proposito de gerar discussão, e estou bem contente com a reflexão que o mesmo tem gerado, mesmo sendo por meia dúzia, já é um começo =)
Montalvo, não consigo concordar com seu ponto de vista. Talvez para você, um profissional de renome e já estabelecido no mercado esta fronteira entre o nome e o dinheiro seja bem clara e segue por linhas totalmente opostas. No entanto para muitos jovens profissionais que entram aqui diariamente creio que esta fronteira ainda não esteja tão bem delimitada.
Seu ponto de vista em relação a outras profissões é valido até certo ponto. Por exemplo, Tom cruise não faria uma cena agora que também já possui um nome no mercado e seu trabalho já percorreu o mundo todo, no entanto, quantos outros jovens atores brasileiros se mudam para o Rio de Janeiro investindo dinheiro do próprio bolso atrás de uma mera figuração em um programa como o Zorra Total por exemplo? Ou o próprio Ronaldo, que no inicio de sua carreira deve ter jogado de graça, pagando condução e estadia com dinheiro próprio para participar de peneiras onde a certeza de retorno é nenhuma?
Ai é que entra a grande questão, também acho que o roteirista foi bem radical no vídeo, mas me pergunto porque? Se ele tem um nome estabelecido entre escritores e roteiristas, o argumento de que não existe valor na publicidade é até certo ponto valido, mas isso pode se extender a redatores que estão em inicio de carreira? creio que não. Mas isso gera problemas para o mercado como um todo? Creio que sim. Pra mim a questão é clara, o artista (seja ele de que area for) deve saber a hora de parar. Ou ainda, deve saber em que momento dar cada passo em direção a seu objetivo. Radicalismo não traz evolução pra ninguém.
Heto, é um ponto de vista. Eu discordo totalmente, mas é tudo que posso fazer, discordar.
Novamente o Harlan tem razão: os novatos estão fazendo cada vez mais difícil a vida dos profissionais.
No dia em que eles quiserem se tornar profissionais, e cobrar por isto, enfrentarão uma legião ainda maior de concorrentes gratuitos ou baratinhos, porque fomentaram e fizeram parte desta cultura predatória, onde um colega fura os olhos do outro, jogando seus preços lá embaixo ou fazendo de graça por portfolio, exposição ou vaidade.
É insustentável.
Nego passa 4 anos na faculdade, gasta mais de R$ 100.000,00 entre mensalidades, material, alimentação, condução, etc, buscando conhecimento, especialidade, um diferencial que o faça ser algo melhor que um micreiro, e não é suficiente. Ele precisa de mais estudos, estágios, pós-graduação, doutorado, mestrado, especialização no exterior…
Daí o panaca torrou meio milhão de reais, 10 anos de sua vida, metade de seus neurônios, tudo isto para fazer baratinho? para entrar no mercado pelo esgoto? Lambendo as botas de clientes milionários, que pretendem se tornar bilionários às custas do trabalho espontaneamente escravo dos que se especializaram em um ofício complexo, em um mercado competitivo e voraz?
Desculpe, Heto, mas sȯ eu sei o quanto ralei, o tempo e a grana que investi na minha carreira.
Nenhum cliente me faz de otário, aliás os poucos que tentaram viram um Montalvo que ninguém gostaria de conhecer, e pagaram cada centavo, putos da vida, mas pagaram.
Já tive um cliente (dono de agência) que me ameaçou de morte, por denunciar o canalha para o cliente dele, depois de um calote na era Collor. Ele perdeu o cliente, mas me pagou.
Era começo de carreira, mas eu nunca paguei de otário para ter peças no portfolio.
Meu portfolio tinha dezenas de peças não publicadas quando eu fiz a primeira ilustração para a Superinteressante, para a Playboy e para a Bizz, praticamente em seguida da minha primeira visita às redações.
Ninguém precisa de trabalho publicado para validar a qualidade. O que precisa é ter apenas QUALIDADE, mesmo que não tenha publicado uma única vinhetinha.
Eu não acredito na parceria onde o cliente quer a bunda do fornecedor como garantia.
Pode ser radical, mas foi assim que eu consegui me sustentar na carreira por 26 anos, e contando.
Agora, tá cheio de cliente Zorra Total por aí, é o que mais tem. Chute uma lata de lixo e eles despencam às dezenas.
Me pergunte se eu quero um cliente Zorra Total. Qual é a chance de um figurante de Zorra Total chegar a ser um Lima Duarte ou uma Fernanda Montenegro? Não é assim que se começa uma carreira de sucesso. Fazer papel de figurante no Zorra Total só vai adiantar o teste do sofá, nada mais.
Como você acha que ele conquistou uma reputação, uma carreira de sucesso, um “nome estabelecido”? Fazendo roteiro de graça? Eu duvido.
Cada um cria seu próprio território demarcando seus limites. Eu não tenho cacife, nem nunca tive, para patrocinar cliente milionário com meu trabalho. Eu não tenho filho deste tamanho.
Na cadeia produtiva todos, TODOS recebem salário. Talvez porque odeiem seu ofício, sofram de tédio, depressão, revolta, frustração, e todos os infortúnios de fazer alguma coisa que odeiem, e por este motivo EXIGEM pagamento em dinheiro, porque não resta outra coisa a fazer. Nada compensa o amargo dia após o outro, senão o salário.
No nosso caso, há a paixão, o amor pelo que se faz, como um traficante que consome a própria droga, ao invés de vender.
Muitos de nós se deixam embriagar pela epifania da criação, pelo prazer de ver a própria obra publicada, e aceitamos isto como pagamento.
Eu não tenho vaidades, tenho necessidade.
Eu não pago minhas contas passando o portfolio no leitor de cartão. Tenho que pagar é com dinheiro mesmo.
Se o cliente quer meu trabalho, se vai ganhar dinheiro com meu esforço, vai pagar com dinheiro.
Elogio eu já recebia da minha mãe, desde que pintava nos azulejos da cozinha, não preciso de tapinha nas costas pra saber que faço meu trabalho bem feito.
No churrasco de carne de pescoço oferecido pelos maus clientes, eu prefiro faltar.
Pois bem, venho aqui como uma amadora, relativamente falando. Já tenho trabalho publicado, mas definitivamente não tenho nem metade da experiência que a maioria de vocês tem. Ainda estou estudando, e tenho muito chão pela frente.
Nunca na minha vida trabalhei por migalha, ou de graça, ou em troca de favores, ou por “publicity value”. Publicity value my ass. Vivo recusando esse tipo de oferta.
É questão de princípio, mesmo. Entendo que trabalhar por migalha (ou de graça) desvaloriza não somente o meu trabalho, mas também o trabalho dos meus colegas. Em português bem claro, me fode, e fode todo mundo. Os ilustradores saem perdendo. Todos.
Não existe desculpa para aceitar esse tipo de coisa. Não sou uma profissional bem estabelecida, com certeza não sou o Montalvo. Não tenho nome, meu trabalho ainda é meio toscão, não tenho grana no bolso, não tenho nada. E ainda assim concordo 100% com o que ele falou aqui, e jamais aceitaria esse tipo de proposta.
Nunca fez sentido para mim. Puxa, vão me dar crédito pelo meu trabalho? Meu nome vai aparecer na revista? Oi? O crédito é um direito do artista. E o meu trabalho estaria aparecendo na revista (oi sei lá o que) de qualquer maneira, inclusive se eu estivesse recebendo, não? Qual é a vantagem? A revista não está me fazendo um favor ao publicar o meu trabalho. É prestação de serviço, é um _trabalho_. Quero ser paga em dinheiro. A revista tem patrocínio, não tem? Vai vender, não vai?
Não concordo com a idéia que alguém só pode se dar ao luxo de falar não quando já está estabelecido. Pouco importa se você está no mercado há 20 ou 2 anos; se o cara te procurou, é porque você tem o estilo que ele quer, e você tem todo o direito do mundo de cobrar um valor justo, independente de “ter nome” ou não.
Eu não sou famosa, não sou requisitada e não sou rica (longe disso). Mas mesmo falando meus nãos, ainda consigo trabalho. Eu, que ninguém conhece, que ninguém nunca ouviu falar, que não faço parte de nenhum grupo internacional de ilustradores, que não sou patricinha. Pago aluguel, pago contas, tenho dívidas. E falo não. Falo muito não. Aliás, acabo de falar mais um.
Nina, sua postura é um exemplo a ser seguido, por jovens profissionais e veteranos.
Há muitos que chegam ao fim de suas carreiras sem esta atitude, sem a postura que deveriam assumir desde seu primeiro job. Perdem dinheiro, respeito e saúde com uma política suicida e fracassada de não se dar o devido valor, e no final se arrependem ou simplesmente se conformam com sua própria miséria, culpando a falta de sorte, de oportunidade e de alguém que os ajudasse a ser o que desejariam ser. Não enxergam que o futuro é consequência de decisões tomadas no presente.
Não há meio-profissional, como não há meio-morto ou meio-fogo.
Se o cliente te contratou, é porque seu está maduro o suficiente para que ele o utilize com fins comerciais.
Só mesmo um empresário incompetente e/ou inconsequente coloca uma linha de produtos em risco com um trabalho amador. Acontece com mais frequência do que deveria, e os prejuízos financeiros são contabilizados em múltiplos de milhão.
Do primeiro ao último trabalho de um designer, fotógrafo, ilustrador, etc, TODOS são projetos profissionais, comercialmente viáveis e lucrativos para alguém. Se não for para o autor, ele será lucrativo para alguém.
Meus parabéns pela sua visão comercial, e estou certo que você está fincando sólidos alicerces para uma carreira bem sucedida, sem concessões, sem permissividade, sem avacalhação.
Uma coisa é certa, você jamais será lembrada por ser baratinha, o que certamente é um grande diferencial entre os amadores e os profissionais.
Desejo muito sucesso pra você, profissional e pessoal.
Montalvo, como eu já disse lá em cima eu concordo com vários pontos seus, mas seu único comentário dirigido a mim soou um pouco como um ataque pessoal, dizendo que eu me auto-afirmei “talento precoce” – quando na verdade eu citei um exemplo de um muleque russo de 15 anos que é um puta talento e tá trabalhando de graça. Quis visualizar alguns aspectos disso, não foi uma reflexão do que acontece comigo no meu dia-a-dia. Quem me conhece sabe bem do que eu tô falando, porque eu não tenho medo de esconder a realidade do mercado Brasileiro principalmente, que é o mercado que eu vivo e sobrevivo dele. Exatamente por isso que concordei com alguns pontos seus… não sei o que aconteceu mas acho que você e o Said interpretaram algumas coisas de forma diferente da que eu gostaria. Basicamente eu falava do poder de escolha de cada pessoa, que se lhe achasse conveniente ou não, fizesse o que bem entender. E entendo que isso pode ser prejudicial ao mercado, mas digo uma coisa: as pessoas quando amam realmente o que fazem, demoram muito tempo, principalmente nos primeiros anos, pra se dar conta de que isso é uma profissão, e não meramente um prazer de forma isolada. Eu sou assim. Quem sabe um dia, com a honra de 26 anos de trabalho ou talvez não tão longe disso esse pessoal de que você fala aprenda a ser honesto e fazer com que as pessoas com as quais trabalhamos sejam honestas também :)
Honestamente, a questão do argumento se sustentar ou não é relativa.
Cada mídia, como já afirmei anteriormente, funciona de uma maneira diferente, cada profissão tem seu proprio “sindicato”, paradigmas, portanto, cada um precisa se comportar de maneiras diferentes e ser vista de formas diferentes(afinal, há uma diferença grotesca entre um médico e um designer, discorda? Não aferindo nenhum juízo de valor, cada qual com suas responsabilidades).
Continuarei a achar o cidadão pernóstico agora e futuramente, porque é uma questão de convicção – não ideologia, não foi o que ele disse que me fez aferir tal ordem de valor ao discurso do mesmo, mas a maneira como o fez (o que diz muito sobre a personalidade do próprio cidadão).
Acho bizarro julgar com tão pouca informação que qualquer um que discorde do cidadão em questão se trate de “um garoto”, não tem senso algum dizer que a maturidade faz com que os seus ideais necessariamente venham parar no lixo. Principalmente se utilizar como referência a “era do woodstock”.
Há muitas diferenças sutis entre aquelas gerações e as atuais, inclusive culturalmente falando, não dá para pegar um panorama geral e dizer que os que “se deram bem” representam o todo, se é que há representatividade de um todo dentro de um movimento cultural tão abrangente.
O fato de alguns terem se notabilizado e, portando, alterado seus supostos “ideais” não quer dizer que “os que de fato acreditavam naquilo tenham todos sido varrido para o limbo”, tanto não o foram que muitos ainda lembram, seja lá com que sentimento nostálgico, ou não.
Acho engraçado quando comentam desses dinossauros que sempre enchem a boca para falar da hipocrisia dos mesmos nos dias de hoje, mas pouco de fato os conheciam no passado para ter tanta certeza de sua mudança de caráter e idéias (oras…esses grandes movimentos culturais são utópicos já em seu conceito base, não é porque um indivíduo estava na multidão que ele necessariamente concordaria com 100% do que estava sendo proposto ali, talvez só quisesse estar inserido num grupo, ou, quisesse compartilhar a vibe do momento, cada caso é um caso.).
Mas voltando ao assunto chave, ainda acho que existe espaço para tudo, discordo desse pensamento totalmente pragmático de que tudo se trata de dinheiro, prestação de serviço e ponto final. Tem de haver bom senso e um sentimento de auto-preservação.
Não posso dizer que jamais faria algo de graça, caso fosse minha vontade e tivesse meu tempo disponível para tal, mas iria depender do contexto em volto ao tema.
O contexto colocado aqui é o profissional e profissionalmente continuo achando esse cidadão um idiota, não tenho respeito algum por uma gente que só funciona de uma forma , seja incapaz de se adaptar a um novo mundo e por conta disso se sinta menosprezado por todos aqueles que já se encontram inseridos neste novo mundo, é prepotência sim, prepotência de quem já foi e já representou muito mas ainda não percebeu que seu tempo já chegou ao fim e por conta disso julga os outros sem o respeito necessário para tal, para que conceder meu tempo, minha atenção a um cara desses? Para ele vomitar dez mil palavras ofensivas à uma geração totalmente diferente da dele? Para eu continuar no mesmo ponto em que já estava, com ainda mais certeza de que estou dando passos mais certos? Prefiro compartilhar do meu tempo com dinossauros que me dêem conselhos, me ensinem, me falem coisas interessantes e que agregem valor à minha vida, tanto profissional quanto pessoal, minha curiosidade se encontra alimentada nisso.
Quer dizer que prover um trabalho aqui ou acolá em regime de gratuidade é necessariamente por autopromoção e valor narcísista? Ou ideologia barata e blasé de quem tem de sobra e quer ostentar?
Se todos que falassem com alguma propriedade resolvessem cobrar por cada segundo de seu blábláblá acredito que o mundo ainda estaria mergulhado num mar de ignorância (na verdade não sei se está tão longe disso não, apesar do advento da internet, a desinformação e informações desencontradas imperam de tal forma que me pergunto se de fato alguém “sabe de alguma coisa”). Mas acho que o pior é não ter acesso à informações de qualidade por conta desse tipo de postura. Anos e anos de desenvolvimento para porra nenhuma? Para cobrar 400/500 paus por um livro ao qual poucas pessoas terão acesso, milhões por um filme, bilhões por um software? Até que ponto se justifica pagar suas contas e cobrar valores estaparfúdios por cada merda que vomita?
Fato que tudo na vida tem um custo, mas esse pensamento de que tudo tem de lucrar em valores fixos e parcelados em 10 x sem juros me parece tão pobre, tão limitado, num geral, a vida não se faz só disso, acredito eu, ao menos tenho levado a minha de grana + outras coisas mais importantes.
O que penso de gente assim é simples, a não ser que o trabalho seja tremendamente genial morrerá no esquecimento, não contribuirá em nada com ninguém, “terá o dinheiro”, mas “terá vivido??” Claro, isso sim é uma questão mais ideológica, mas é algo extremamente particular, impossível dissociar ideologias de seu trabalho (sem ideologia não tem como fazer um bom trabalho, acreditar na sua capacidade de prover, de acontecer…sem isso nem sequer levantamos da cama), cada qual com a sua, agarrando-se ao que acredita ser mais importante para si.
Ralph,
Depois deste teu longo discurso, fora de foco em quase sua totalidade, e baseado em uma premissa puramente auto-centrada e pessoal, tenho a impressão que o assunto deixou de avançar para um plano racional, aplicável e construtivo, para virar uma queda de braço inócua e despropositada.
Se você gosta de trabalhar de graça, vai nessa, esqueça o dinheiro e adote seus clientes, mime a todos, patrocine seus eventos, publicações e projetos, invista seu tempo, talento, expertise e todos os anos que gastou para se tornar quem você é, para se tornar um filantropo do design. Um bonzinho que pega os clientes no colo, e os ajuda a ficar ainda mais ricos, contentando-se apenas em ver o trabalho publicado.
Quem precisa de dinheiro, afinal? Que bobagem, que coisa mais materialista.
Vamos viver de luz solar, de alegria e de satisfação. A Providência Divina não nos deixará perecer. O Senhor é meu pastor, e nada me faltará…
Seja portanto o Robin Hood às avessas, se isto lhe dá prazer. Me parece um tanto mórbido, insistir em promover o trabalho gratuito, um escravo por opção, um viciado no prazer na criação da sua própria obra a ponto de desvalorizá-la a zero. Mas cada um sabe o que faz com a própria vida, que direito tenho eu de tentar convencer você do contrário?
Isto se chama “síndrome de Estocolmo”, e há estudos profundos sobre este comportamento.
Você encontra um valor em algo que eu não consigo enxergar, talvez seja uma limitação minha, eu não alcancei o desapego material necessário para chegar à evolução espiritual que você já deve ter chegado, eu ainda sou muito apegado aos desejos carnais, ao mundo materialista e a realidade capitalista e fútil da sociedade de consumo.
Eu gosto do meu trabalho, gosto de dinheiro, e gosto de trabalhar por dinheiro. Que vergonha, assumir isto publicamente, mas é a minha realidade.
Preciso me filiar aos Capitalistas Anônimos. “Meu nome é Montalvo, e este é o meu terceiro trabalho filantrópico, ralei feito um desgraçado durante semanas e consegui entregar no prazo, e novamente abri mão do pagamento. Estou vivendo um dia de cada vez, e um dia vou me curar. Vou poder trabalhar de graça pelo resto da vida, sem culpa, sem ressentimentos, e se der fome, vou trabalhar de graça até ela passar”.
Nah, duvido que eu chegue a este ponto.
Na minha ideologia pessoal, em um mundo perfeito, utópico e improvável, os clientes consultariam seus fornecedores com a pergunta: “quanto custa?”, e neste mundo idealista, os designers, fotógrafos, ilustradores, artistas, escritores e autores em geral dariam seus preços por escrito, em orçamentos realistas e com valores justos, seriam pagos nos prazos previstos, e assim todos terminariam seus dias, dormindo em paz, com a sensação da missão cumprida.
Satisfeitos, realizados, e corretamente pagos pelo seu trabalho.
Neste universo empírico, os CRIADORES DE PROPRIEDADE INTELECTUAL (é o que somos, afinal) teriam vidas relativamente confortáveis, poderiam quitar seus débitos em dia, possuir bens de consumo, ter horas de trabalho compensadas por horas de lazer e descanso, e ainda teriam um excedente para gastar com viagens, livros, cursos e outros prazeres mundanos, que os fariam renovar as esperanças que o futuro poderá ser estável, recompensador e justo.
A inspiração destes autores e sua motivação em relação ao trabalho e a vida seriam contagiantes, e seus colegas, parceiros e amigos seriam positivamente contaminados com novas obras, novas experiências e novos caminhos seriam trilhados, e eles poderiam chegar a sua velhice com certeza que valeu a pena viver, que todo o esforço foi compensado, e que todos seus projetos renderam lucros, tanto aos clientes como e eles próprios.
Eu sou mesmo um sonhador, este mundo jamais existirá.
Apenas alguns poucos terão o privilégio desta experiência, enquanto aos outros restará outros tantos sentimentos menos gratificantes.
Quanto ao nosso debate, Ralph, eu só posso usar o conceito que Voltaire escreveu há muitos anos atrás, e que é uma premissa que uso frequentemente: “discordo com todas as suas palavras, mas defendo com a minha vida o seu direito de dizê-las”.
Tenha uma boa vida.
Parece que virou uma encruzilhada pessoal sua contra a tal da “gratuidade”.
Inclusive buscou exagerar bastante na sua argumentação montalvo, definindo valores completamente distantes da realidade, denovo, o velho 8 ou 80(se a sua vida é em preto e branco, acredito que a minha, nem a da grande maioria da população não seja, ou é?).
Se o que te incomoda é o trabalho gratuito que por ventura possa ocorrer, tem lá seus critérios e críticas e deles não discordo, mas honestamente, como disse dez mil vezes, há espaço para todas as possibilidades, inclusive para o LUCRO e a GRATUIDADE, mas isso, é a minha visão, como também deixei beeem claro.
Se você se propõe a cobrar valores absurdos por qualquer coisa que faça, parabéns, tem sempre quem pague, mas se a sua proposta é analisar de forma realista o nosso mercado seu posicionamento de me parece tão alienado quanto a sua visão da minha posição frente ao assunto.
Se em algum momento pareci um filantropo foi porque faltou leitura de sua parte, mencionei os exageros e algumas distorções típicas dos megalomaníacos, e também fiz questão de deixar claro que por maior que seja o valor de um trabalho, não se pode se enxergar com olhos divinos e achar que seu “valor” é tão superior ao de qualquer outro, entra aí o conceito da tal “justiça” e “autocrítica”. Se você acredita ser um Deus, como alguns desses heróis da encruzilhada profissional, vá em frente.(Usando da mesma visão exagerada da qual seu pressuposto parte).
Não exclui em nenhum momento o fator financeiro, muito pelo contrário, apenas deixei claro que pessoalmente não é a coisa mais importante para mim, tampouco a ÚNICA que existe, mas mais uma vez, com seus olhar só conseguiu enxergar um ponto do qual pudesse veementemente discordar.
Em dado momento atentou sobre minha visão “autocentrada”. Ora meu caro, não sou arrogante de pensar que tudo o que acontece em minha vida se aplica de igual maneira à vida dos outros, tampouco penso que sou exemplar em qualquer aspecto, obviamente que vou utilizar as minhas experiências e a minha visão como sustentáculos de minha argumentação, não pretendo, dessa forma, emular realidades que não me dizem respeito. Se você se sente a vontade exprimindo uma realidade que se aplica a outros e não a você, parabéns, mas mais uma vez, é uma questão de convicção minha ter uma postura diferente desta que me é apresentada.
Acho muito interessante você comentar no final em caráter de citação uma frase tão famosa de Voltaire, como se no frigir dos ovos você de fato se importasse com algum senso de democracia e livre expressão, o que contradiz ao seu sarcasmo e ironias tão abundantes em seus textos.
Mas se eu desviei do foco, me desculpe, você passou ainda mais longe ao “analisar” em parte o que disse, certo?
” Na minha ideologia pessoal, em um mundo perfeito, utópico e improvável, os clientes consultariam seus fornecedores com a pergunta: “quanto custa?”, e neste mundo idealista, os designers, fotógrafos, ilustradores, artistas, escritores e autores em geral dariam seus preços por escrito, em orçamentos realistas e com valores justos, seriam pagos nos prazos previstos, e assim todos terminariam seus dias, dormindo em paz, com a sensação da missão cumprida.
Satisfeitos, realizados, e corretamente pagos pelo seu trabalho.
Neste universo empírico, os CRIADORES DE PROPRIEDADE INTELECTUAL (é o que somos, afinal) teriam vidas relativamente confortáveis, poderiam quitar seus débitos em dia, possuir bens de consumo, ter horas de trabalho compensadas por horas de lazer e descanso, e ainda teriam um excedente para gastar com viagens, livros, cursos e outros prazeres mundanos, que os fariam renovar as esperanças que o futuro poderá ser estável, recompensador e justo.”
Acho que dadas as devidas proporções no fim não temos ideologias tão diferentes assim, mas você, pelo visto, é um daqueles que aos poucos vai matando seus próprios conceitos e com o tempo se tornará um desses “dinossauros ranzinzas”.
Acredito que depois de um certo tempo de mercado é óbvio que as desilusões e determinadas “realidades” mal quistas frustram as intenções de um “designer”, parcialmente ou integralmente artista. Mas e aí que entra uma questão ética que também deveria estar em cheque.
Você concorda com a frustração e o posicionamento do cidadão, por ter passado por situações e mais situações nada agradáveis e algumas semelhantes. Discorda de mim por achar, provavelmente, que vivo numa realidade utópica, alternativa e totalmente alienada, dentro da exageração de sua análise, vivo de vento, fornecendo trabalhos gratuitos à granel como se não tivessem importância alguma para mim.
Só me diga em que ponto disse que vivo assim?
Concluiu isso a partir da explicitação dos meus conceitos + a minha discordância do “doutor”? Não acha que é muito pouco elemento para afirmar tantos absurdos quantos afirmou?
Voltando, ou tentando, ao foco.
Não acho que bater no peito e brandar aos 4 ventos que não faz isso ou aquilo, seja uma postura digna de alguém que “se torne exemplo de qualquer coisa”, digo, se você trabalha duro, faz anos de especialização em determinadas áreas, tem o seu próprio valor, justo ou não, parabéns, galgou níveis que muitos não chegam nem perto, mas qual o objetivo disso? Ganhar dinheiro e ficar milionário? Só?
Não acho isso errado, só acho pequeno. Não é condenável, só que alguém dentro desses padrões de comportamento passa bem longe do meu conceito de “referência”, porque fica em cheque quanto espírito é colocado em seu trabalho e, ainda mais duvidosa fica a categoria em que se coloca uma pessoa dessas. Sem críticas, mas sempre achei que “ganhar bem” fosse um fruto natural da qualidade de trabalhos bem executados + uma dose de reconhecimento + uma autocrítica justa, e não resultado de “ganância desenfreada” + frustração.
Já que se fez no direito de citar tão ilustre personalidade vou citar uma que veio à minha cabeça enquanto escrevia.
Em uma de suas entrevistas Deborah Colker (assim que se escreve?) falou das questões inerentes ao profissionalismo de sua escola, chegando ao assunto valores. O posicionamento dela não foi tão diferente do seu, a postura ao cobrar, mas ela defendeu, acima de tudo, a paixão pelo que se faz e que o valor advém dessa soma.
À epoca discordei de alguns pontos, mas a postura dela, e a forma com que ela colocou o assunto foram, para mim, muito mais maduras e eloqüentes do que esse cidadão aqui, mesmo defendendo praticamente o mesmo ponto de vista.
A diferença basicamente reside no radicalismo.
Há momentos na vida em que acredito que uma postura mais radical seja necessária, mas não deve, na minha concepção, ser o standart de seu comportamento, afinal, há quem pague, mas não há quem ature.
Mas não é contra a gratuidade que estamos debatendo neste post, motivados pelo video do Harlan Ellison?
O video foi visto mais de 2500 vezes em 20 dias, apenas na versão que eu legendei, o que me faz acreditar que esta luta não é só minha.
Mas vou investir meu tempo em quem me atura, aliás, tem gente que paga para isto. Minhas palestras, cursos, oficinas e workshops tem sido muito bem recebidos, com uma ótima audiência.
Bom para você !!!!
Parabéns, devo ovacionar?
Me poupe.
Chegamos ao fim de mais um POST polêmico,
Obrigado a todos que compareceram a esse belissimo programa, até a próxima.
…
hu huuuu, clap clap clap clap clap clap clap clap
hyuuuuu
também achei bruno, ainda mais na realidade brasileira em que poucos falam ou pelo menos tem pouca vontade de falar.