
Há alguns anos, um artista fez um vídeo em que o importante não era exatamente a história, mas a sensação que ele passava. O impacto entre a luz e sombras igualmente fortes, nenhuma palavra – apenas movimentos, um garoto, uma menina misteriosa e castelos gigantescos.
Esse artista é Fumito Ueda. Ele levou o vídeo à uma grande empresa e disse que queria fazer um jogo a partir dele. Assim surgiu ICO, em 2001, que foi feito com uma equipe de apenas 20 artistas e programadores e se tornou um sucesso gigantesco, principalmente de crítica.
É uma maneira curiosa de fazer um jogo. Nada de pensar em histórias fechadas, mas criar um vídeo como base para que soubessem a ambientação do jogo e os sentimentos que ele deveria passar ao jogador. O ponto forte de Ueda é que ele trabalha usando sensações como guia: iluminação, cenários, relação entre personagens e história – tudo é feito para uma experiência sensorial maior. Não é por pouco que o jogo que ele fez logo após ICO, Shadow of the Colossus, é considerado uma obra de arte.

Ueda é extremamente perfeccionista e focado no feeling artístico. Se algo parecia uncanny, deveria ser refeito porque mesmo os monstros deveriam pertencer ao ambiente. Se um elemento não fosse ficar perfeito, como uma floresta, ele simplesmente a retirava do jogo porque o importante era que o jogador acreditasse naquilo e que fosse imersivo. São jogos de contrastes, luz e sombra, cenários vazios e criaturas gigantescas. E claro, referências de arte – como a iluminação baseada no impressionismo. Aliás, a capa de ICO, que foi feita pelo próprio Ueda, foi inspirada no quadro “A Nostalgia do Infinito” do artista surrealista Giorgio de Chirico.

O próximo jogo do Team ICO, The Last Guardian, será lançado em 2010.






