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Por: zaro
15/06/2009


“Um cidadão metropolitano usa uma média de 2 semanas de sua vida esperando o semáforo mudar de cor.”

Nunca me faltou tanto tempo como nas últimas 2 semanas; cumpri meu dever anual de envelhecer, mudei de casa, conheci o Vint Cert, muitos trabalhos, palestras e faculdade.

A prioridade das coisas parece relativa ao tempo que você esperou, espera ou se dispõe a esperar por algo.
Parece que não há tempo para espera, mas andamos por aí esperando o tempo todo ou qualquer outra coisa que não esperávamos. (UFF!)
Em meio à minha falta de tempo, fiquei sabendo que Ville Walo estava na minha cidade para 2 apresentações apenas… E foi aí que entrei em ODOTUSTILA






‘Odotustila’
é Finlandês para ‘Estado de espera – Sala de Espera’, é também o nome de uma peça de Ville Walo e Kalle Hakkarainen que vi dia 11/06/09.
Posso dizer que esperei muito para enfim ver de perto esse meu ‘Personal Hero’ (desde 2000) e confesso que não fiquei decepcionado!
O espetáculo é uma mistura de Malabares Experimental com Mágica em interação com projeções de vídeo.
Sim, eu sei; interação com projeções já são meio que um clichê-contemporâneo, mas quando um cara consegue se multiplicar e trocar claves com ele mesmo e mais três outros ‘ELE’
projetados, o sentimento de dejavù some rapidinho.

Ville Wallo, junto a Maksim Komaro e Jay Gilligan (PEAPOT), foram grandes divulgadores de um novo olhar sobre o malabarismo, mudando a regra do “melhor é quem joga mais objetos” e passando todo o foco para a plástica dos movimentos e objetos, reforçando o caldo da galera do ‘Circo Novo’ contemporâneo com um novo olhar sobre uma técnica com mais de 4.000 anos.

ODOTUSTILA me deu tempo útil. Me lembrei de um professor de ciências que recomendava pausas de tempo em tempo quando se está concentrado em solucionar algo; “eureka na banheira” como dizem…
Assistir algo que não lhe é rotineiro, aceitar as idéias e sonhos que esses caras te oferecem partindo do espetáculo, é algo que eu espero que vocês, designers e afins, consigam tirar um pouco de inspiração e TEMPO para seus dias.

É o que lhes ofereço hoje.
(o:
abraço do palhaço. (tenso! o_O ) – não esqueçam de assistir Maksim Komaro e Jay Gilligan e uma semana criativa para todos nós.

Por: zaro
16/05/2009


Eu fui ao circo várias vezes antes de me tornar ‘Circense’.
Mas depois, nunca mais assisti um espetáculo do mesmo jeito.
Conseguia perceber cada movimento e técnica, ficava atento à ponta do pé e a extensão corporal e lembrava até a fórmula matemática de um truque feito pelo malabarista.
De repente; Slow-motion. Eu me divertia vendo o que o resto da platéia não conseguia enxergar…

Eu não tinha ‘idea’ do que era o Design antes de decidir entrar nessa.
Mas depois, nunca mais assisti um espetáculo do mesmo jeito[²].
Não conseguia parar de imaginar ‘produtos’ diferentes… Re-designs do trapézio ao maquinário, comunicação através dos sentidos…
Todo um novo tipo de espetáculo pronto pra ser imaginado. Um belo dia, fui apresentado ao trabalho de um cara. O nome; James Thiérrée, neto de Charles Chaplin e fundador da Cie du Hanneton, me chocou do primeiro ao último segundo do espetáculo:

-Sentado em uma cama vertical. MUST WATCH.-

(a primeira cena do primeiro espetáculo – La Symphonie du Hanneton - aqui.)

De repente; Fast-Foward. É necessário assistir várias vezes o mesmo espetáculo, a mesma cena ou o mesmo número para entender e perceber cada detalhe cada re-design, cada idéia. A cenografia participa, se transforma e movimenta, assim como o figurino, que transforma os artistas em insetos gigantes em um piscar de olhos.
Sabe quando você descobre alguém que já fez TUDO que você imaginava fazer? Foi um momento de êxtase e derrota. Thiérrée vai muito além.
Isso tudo aconteceu por volta de 2007, quando eu já era um designer em formação, e me deu todo um novo universo pra explorar dentro do que eu estava estudando.
Submeti todos vocês a esse flashback porque dei de cara outro dia com uma notícia de que um novo espetáculo de Thiérrée estava para estreiar, e achei que falar de tudo isso seria um bom post pra explicar de onde eu venho, apresentando um notório criador com Pedigree Chaplinesco que ronda pelo ‘agora’… A mãe de James, além de filha de Charles Chaplin, é também mãe de Aurélia e do Cirque Invisible do poster acima. Continuo a história depois se aprovarem. Seguem alguns vídeos da ‘espetáculografia’ do ‘cara’:

+

“My father had said, ‘To hell with bourgeois theatre! Where’s the most authentic place to be? Circus!” – James Thiérée

Resumindo; estou aqui para pôr em pauta a relação Design/Espetáculo. Vou da cenografia ao figurino, passando pela campanha e etc…(explico melhor com o tempo, que tal?!)
Vou encerrando por aqui; tenho tendência a pagar de ‘Mestre de Cerimônias’ e acabo por alongar a conversa. (o: Me perdoem o enorme texto e o material non-sense, mas acredito que vamos nos divertir com os acervos imagéticos de circo, as ‘tipos’ dos posteres antigos e várias outras histórias que eu pretendo contar…

BTW, prazer! (first post ever from me! hurray!)

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