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23/10/2008


Segundo Jung isso se deve ao inconsciente coletivo. Ao mesmo tempo que eu tenho uma idéia aqui, várias pessoas tem a mesma idéia em distintos pontos do planeta (às vezes não tão distintos).

Enfim, tudo isso para dizer que ontem chegou aqui em casa a Aperture e na capa já falava sobre o que postei há uma semanas atrás (eu só agarrei uma humilde ondinha que já estava rolando). E foi genial como Claudia Angelmaier interpretou e criou sobre o ensaio de Walter Benjamin.

Transcrevo as palavras de Brian Dillon:

“How to write about the photographs of Claudia Angelmaier and not mention that essay? One might as well get the reference to Walter Benjamin out of the way early and admit that, in the history of art since “The Work of Art in the Age of Mechanical Reproduction” (1936), the stakes of that text have rarely been so precisely, elegantly, and even seductively stated as in these pallid, neutral images. Angelmaiers’s studies of book illustrations, slides and postcards seem to recompose in their quiet and mysterious way a central discovery of Benjamin’s essay: the historical refraction of the aura of the work of art in innumerable reproductions. And yet the German artist’s work actually frames a phenomenon that Benjamin (otherwise a connoisseur of the artifacts of the recent past) apparently could not foresee: the way that the most technologically advanced reproductions of works of art are themselves subject to aging, decay, and oddly anachronous intersections with the flux of art history that they affect to fix.”

Brian Dillon, Aperture Fall 2008, pag 56

13/10/2008


Walter Benjamin em 1935 escreveu A arte na era da reprodutibilidade técnica. Este extenso ensaio de Benjamin marcou profundamente todos os estudos culturais posteriores porque se introduz de frente nos problemas que surgem da circulação da arte na modernidade a partir da aparição dos novos meios de reprodução, como o cinema e a fotografia, onde a mão do artista é substituida pelo olho e a máquina.

O pdf do texto foi baixado de um link no Wikipedia e a tradução não é a melhor.

“As nossas belas-artes foram instituídas e os seus tipos e usos fixados numa época que se diferencia decisivamente da nossa, por homens cujo poder de acção sobre as coisas era insignificante quando comparado com o nosso. Mas o extraordinário crescimento dos nossos meios, a capacidade de adaptação e exactidão que atingiram, as ideias e os hábitos que introduzem anunciam-nos mudanças próximas e muito profundas na antiga indústria do Belo. Em todas as artes existe uma parte física que não pode continuar a ser olhada nem tratada como outrora, que já não pode subtrair-se ao conhecimento e potência modernos.
Nem a matéria, nem o espaço, nem o tempo são desde há vinte anos o que foram até então. E de esperar que tão grandes inovações modifiquem toda a técnica das artes, agindo, desse modo, sobre a própria invenção, chegando talvez mesmo a modificar a própria noção de arte em termos mágicos.”

Paul Valéry: Pièces sur l’art. Paris (s. data) pp. 103/104 (‘La conquête de l’ubiquité”).

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