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Por: Janara
21/07/2011


Eu tenho um t.o.c que é o seguinte: quando eu gosto de uma coisa eu gosto muito muito muito dessa coisa. Se é uma música ou ouço mil vezes seguidas (quem já morou comigo que o diga). Na minha pré-adolescência gravei uma fita cassete com 2 lados inteiros de More Than Words (risos).

E todo mundo tem aquele vídeo tão sensacional que você é capaz de ver mil vezes. Eu escolhi meus 5 favoritos. Talvez me lembre daqui 5 minutos que algum outro deveria entrar na lista, mas se me lembrei desses 5 tão rápido é porque são especiais. Queria ver nas respostas do post os vídeos favoritos de vocês, combinado?

Leia mais…

30/05/2009

Esta noite, depois de (re)assistir “A Bela da Tarde” (santíssima trindade, o que é a beleza de Catherine Deneuve? Ela é tão linda que chega a um ponto de não-existir) refletia sobre a Beleza, sua inutilidade e também da não utilidade da arte. Porque o bem mais precioso dela é exatamente não ter que ser útil. Ainda que ela o seja em peças de design, em vasos, em decoração… não é a sua “obrigação” ser útil (sobre arte e utilidade, o projeto Arte e Palavra, do qual participo, fez uma bela poesia sonora a partir de textos de Paulo Leminski).

Depois de assistir ao filme, brinquei um pouco com Sodaplay (já falei sobre ele aqui no Idea) e imediatamente me lembrei da obra do escultor e engenheiro holandês Theo Jansen. Muita gente que acessa o Idea já deve conhecê-lo, ele ganhou notoriedade pelas suas gigantes obras conhecidas por esculturas cinéticas, ou seja, que tem mobilidade a partir da ação de energias como a eólica. Seus “bichos” surpreendem não só pela mobilidade e pelo tamanho como também pela… inutilidade. “Para quê um treco deste tamanho se não vai servir para nada”, disse um amigo uma vez. E é aí que o trabalho de Jansen encanta: porque não serve para nada! Encanta mais ainda por ele ser um engenheiro, profissão reconhecida pela racionalidade que suas premissas exigem. É evidente que Jansen não é nenhum romântico (com perdão à corruptela…) e faz dinheiro e fama com seu trabalho (que o diga a BMW…), mas antes disso tudo, o Inútil é visivelmente mais importante e primordial do que as consequências de suas obras levadas ao público.

Theo Jansen não é pioneiro na arte cinética ou, ainda, na interferência ambiental ou humana direta na obra artística. Desde os futuristas do início do século XX à brasileira neoconcreta Ligia Clark e seus “bichos”, a arte se envereda por outros setores da cultura humana como a física e a engenharia, cada artista a seu modo.

Mas Jansen transforma o ar em movimento e em atrito em parte fundamental de seu trabalho. Quando se contempla suas esculturas em movimento, se “contempla” também o ar, o etéreo em toda sua força. É ele quem alimenta o objeto mas também impulsiona o artista a desafiá-lo. Inultilmente – no melhor sentido da palavra.

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