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25/06/2009


Trabalho de Eduardo Recife.

Vivemos uma época em que a perfeição parece muito fácil. Temos, à disposição, infinitas ferramentas, técnicas, informações, tutoriais e tantas outras soluções para a busca desenfreada por produções rápidas e aceitáveis que caracteriza a nossa sociedade. De cartazes a pessoas, muito do que vemos todos os dias foi projetado e moldado para se enquadrar a um padrão que não tolera a diferença. No campo artístico isso parece ainda mais evidente. Cantores usam softwares que acertam as notas, fotógrafos corrigem problemas de luz e enquadramento com ferramentas de tratamento de imagens e qualquer tremida na hora do desenho pode ser resolvida depois na vetorização. Parece que a habilidade e a destreza não são mais características tão necessárias.

Evidentemente, não devemos nem podemos desprezar os recursos disponíveis que nos poupam tempo e permitem resultados excelentes. O que muda é o foco. Se, em outros tempos, artistas gráficos, ilustradores e designers (que sequer existiam como profissionais com essa denominação) procuravam linhas e formas exatas, que deixassem transparecer seu virtuosismo, hoje um círculo perfeito impresso num papel não tem valor algum. Por outro lado, podemos nos libertar da necessidade de mostrar do que somos capazes e assumir que certos padrões não representam mais algo desejável. A perfeição se tornou ordinária e é o defeito que atrai o olhar. O defeito, que é único, expressivo, que revela sentimentos, circustâncias, limitações e, sobretudo, personalidade. É muito mais difícil reproduzir o defeito que o perfeito. A mancha de café derramado, a marca da dobra do papel, o bolor do tecido, o excesso de tinta, o rabisco para fazer a caneta pegar, as falhas do lápis, as bordas mal definidas. O defeito nos afasta dos padrões e imprime nos projetos uma singularidade interessante e valorosa, porque traz de volta o fator humano, passível de falhas e repleto de vida.

É preciso ter coragem para expor os defeitos e resistir à tentação de procurar a obviedade daquilo que, já se sabe, irá agradar a todos. Mas criar nunca foi uma atividade tranquila e alheia às inquietações e incertezas inerentes a qualquer trabalho minimamente transformador. Portanto, com muita habilidade, senso crítico e adequação, façamos de nossos defeitos, nosso triunfo. Vamos valorizar aquilo que não pode ser produzido em série, o que é feito à mão, a limitação bem utilizada e tudo o que remete ao acaso. A beleza do defeito acalenta nossos olhos, cansados da exatidão dos computadores e cirurgias plásticas.

24/07/2008

É a versão com legenda em português e está dividida em capítulos começando por aqui. Para assistir em inglês, é só entrar no site oficial Story of Stuff.

O video está bom, é didático e ótimo para entender mais sobre o sistema que estamos inseridos, mas pondere o fato deles colocarem a culpa em algo (as corporações, os governos, etc) sem assumir nada efetivamente no melhor estilo colocar a culpa no pai.

Se este sistema começou em uma época que nem tinhamos nascido, não nos isenta da culpa porque usufruimos deste consumo desenfreado. Segundo o Le Monde Diplomatique Brasil de julho, a padrão básico proposto para o cidadão da classe média brasileira é ter um carro próprio. Em Curitiba, são emplacados 500 carros 0km por dia e é uma cidade de 2 milhões de habitantes.

Se você se interessa por esse assunto, recomendo o filme The Corporation e os livros de Chuck Palaniuk (escritor de Fight Club) e J.G. Ballard (estou lendo agora o livro Millenium People que fala de pessoas de classe média que se revoltaram com suas vidas de trabalho-consumo-trabalho e fizeram uma revolução).

Se você tiver coisas para indicar, comenta aqui porque estou pesquisando sobre isso!

O video foi dica por email do Tiago Puppi.

16/07/2008


Para meu primeiro post resolvi referenciar uma linguagem que muito me agrada e que aparentemente perdeu o posto de “arte principal” no meio artístico: a pintura.

O trabalho de Mustafa Maluka agrega diversas referências da cultura que ele vive. Ele é um jovem de 20 e poucos anos que produz pintura na África do Sul. Quem foi na última Bienal de São Paulo teve a chance de ver ao vivo as telas de 3m de altura, com massas de cores estrategicamente posicionadas, o fundo feito por serigrafia e as velaturas dos rostos.

A grande questão do trabalho dele é que esses rostos são retirados de revistas, fotografias, jornais, etc. e Mustafa os transforma pinturas. Ou seja, ele atribui significados a estes rostos de diversas etnias. Significados múltiplos, ligados ao pensamento cultural.
Mesclando a cultura urbana, hip hop, grafite, a influência da cidade, ele pensa em questões
extremamente atuais utilizando uma técnica antiga, com alguns diferenciais.

Prestem atenção nos títulos dos trabalhos!

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