
Iraque, 2005. Soldados americanos eram impossibilitados de usar seus cartões de crédito em área de alto-risco para acessar sites pornôs. Mas um site na Flórida passou a oferecer livre acesso a soldados, contanto que provassem serviço militar. Nas primeiras fotos, nada demais, apenas a comprovação que estavam em serviço: soldados em barracas e tanques de guerra. Mas a novidade se espalha e soldados passam a enviar imagens grotescas para o dono do site, Christopher Wilson, que passa a publicá-las em um novo site chamado nowthatsfuckedup.com (saiu do ar).
Uma foto mostra não só uma, mas várias cabeças boiando em uma poça de sangue, enquanto outra mostra uma criança com uma polpa de sangue (como uma fruta amassada) no lugar do seu rosto. Curiosidade, medo, repulsa… e um grande vazio. Quando você se vê de frente para essas imagens, não se sabe se você está chocada e paralizada com tamanho horror ou se não está reagindo com força suficiente. Mas pensando que vi estas imagens no conforto da minha casa, a pergunta é: que direito temos de invadir o sofrimento dessas pessoas?
Alemanha, 1945. Logo depois da Segunda Guerra Mundial, o fotógrafo Richard Petersen iniciou um ambicioso registro na cidade que já foi considerada a “Florença do Elba”. Os ataques a Dresden são usualmente comparados ao lançamento da bomba atômica em Hiroshima e Nagasaki: seja pelo nível de destruição, seja pelo número de vítimas. Estima-se que pelo menos 30.000 pessoas tenham morrido entre os dias 13 e 14 de fevereiro de 1945.
A primeira e mais comum resposta para justificar a divulgação de tais imagens é nos despir de ilusões e fazer com que vejamos a verdade nua e crua. Mas a imagem da violência nos traz um dilema: precisamos ver, queremos ver e a tecnologia faz com que ver seja mais fácil que antes, mas sairá algo de positivo depois?
Imagens de violência podem, às vezes, mudar a opinião pública. As imagens que fazem parte do “imaginário coletivo” sobre a Guerra do Vietnã, por exemplo, podem ter contribuído para seu fim. O poster da Art Worker’s Coalition (1970) com a foto de Ron Haeberle sobre o massacre de My Lai, permanece como uma das mais confrontantes imagens na história do poster de protesto.







