Uma aposta. Escrever sobre o futuro é incerto, óbvio, mas vamos lá. Em meio a tanto vetor e 3d, acho que nos próximos meses veremos uma retomada das formas irregulares e “mal acabadas”. Não sei se “grunge” cabe a esse movimento (maneirismo) que, acho eu, está por vir. O trabalho pode até ser em vetor, feito na máquina, direto da tablet, mas vai sobrar um refile, uma lasquinha, um cotoco, vai sobrar um pedaço de massa na borda, um rabisco, alguma coisa vai ficar pra fora da circunferência. Minha aposta.
Segue um exemplo, e como todo mundo está cansado de ver portfolios e trabalhos de design, o exemplo é o trabalho da Beth Cavener, lindo por sinal, e que tem formas perfeitas mas com aquela rebarba.
As vezes demoro a postar pq sempre espero encontrar um assunto que realmente me interessaria como leitor. Mas o que dizer que outros já não o fizeram de forma mais eloquente e melhor embasada?
Díficil não é? Mas acho que econtrei algo. Sempre disseram: escreva sobre aquilo que vc conhece. E dentre as poucas coisas que tenho conhecimento uma delas é assumir. Ser verdadeiro sobre aquilo que se gosta, mas sem impor, e mais, reconhecendo o valor da opinião diferente. Afinal é por isso que se chama opinião. Não existe nela certo e errado, verdade ou mentira. Se assim fosse, seria chamada de FATO.
Portanto, começarei sempre um novo post com uma confissão. Algo como: “Confissões de um designer”. E hoje vai ser uma das minha mais polêmicas. Vamos lá:
EU NÃO GOSTO DE BEATLES.
{Trovoadas}
Deuses do rock se revoltam.
Janara pensa: “Vou deletar o perfil desse moleque agora! Ninguém fala mal dos meus amores no site que fundei!” No Twitter o topic #foraGirardi já qse ultrapassa o #chupa…
Mas calma gente! Eu explico. E mais digo até o que eles têm a ver com Botticelli
Essa semana finalmente achei o documentário Quarto666 do WimWenders . O filme foi rodado durante o Festival de Cannes de 82 e parte de uma premissa muito simples e esmagadora: Convidar diferentes cineastas para ficar sozinho diante duma camera e responder Qual é o Futuro do Cinema?
Embora o assunto possa rolar por horas e horas o documentário é curto, tem pouco mais de 40min. Mas as questões, espectativas e idéias lançadas no ar te acompanham por dias.
É muito legal ver grandes nomes como Antonioni, Godard, Herzog e até mesmo o Spielberg discutindo o futuro da linguagem do cinema, a influência da televisão no cinema arte e até mesmo a relação do espaço físico do cinema diante de uma nova tecnologia chamada: Videocassete haha
Achei o filme no vimeo, mas infelizmente ta sem legenda. O legal foi que encontrei uma sequência chamado De Volta ao Quarto 666, uma produção brasileira com o próprio WimWenders num quarto em Porto Alegre similar ao de Cannes falando sobre o primeiro filme, como o tempo passou para o cinema, a tecnologia, a linguagem e para aqueleas pessoas que lá estavam em 82.
Sim, esse aí em cima é o job script do Mark Coleran. O cara desenvolve o design de interfaces pros aparelhos usados em filmes, e não é só de ficção científica não. Onde quer que haja um device moderno com um visor digital scaneando a vítima pode saber q o Coleran esteve por lá. haha
O Colares (rapaz sagaz que trabalha comigo) apareceu na agência com o Reel desse cara como se fosse a coisa mais normal do mundo, haha mal sabia ele que ia mudar o dia e a perspectiva de todos por aqui. Eu to até agora de cara com a magnitude do trabalho desse homem e com o impacto que isso tem no dia-a-dia das pessoas que fazem e que consomem tecnologia.
Pensa só, o cara é capaz de criar uma estética e funcionalidade pra um device que ainda nem existe, muitas vezes atendendo uma necessidade que ainda não existe. é um criador de tendência. Por consequência, ele desperta desejo e vira referência, logo, em pouco tempo já podem existir devices nas ruas seguindo sua criação ou, na pior das hipóteses, uma porrada de comerciais pseudo-futuristas safados na tv copiando o cara e adotando ele como clichê de futuro presente.
Enfim, não são os trabalhos dele que me deixam admirado (por melhores que sejam) fico de cara com o poder que ele tem nas mãos. E apesar de tudo, não acho algo tão distante assim. Qualquer um de nós pode causar uma pequena revolução ao seu redor, sacudir alguns paradigmas. Não precisa levantar uma bandeira nem tocar fogo em ninguém, só fazer um bom trabalho criativo e pensar na frente.
Antecipar a necessidade é o primeiro passo pra fazer com que ela exista.
Até hj não sei se o Isaac Asimov tinha plena noção do quanto suas histórias revolucionariam a ciência. Mas o fato é: Revolucionou, pra caralho! haha