Eu ainda gasto (mais do que deveria ou gostaria) um bom dinheiro em CDs. Eu gosto de tê-los na prateleira, mesmo sabendo que não irei ouvi-los direto da mídia (já não tenho aparelho de CDs há algum tempo).

Minha experiência pessoal de comprar CDs mudou: quando eu era um infanto (e isso não faz muito tempo, diga-se), ir à loja e comprar um CD de uma banda, limitado às bandas/artistas que chegavam ao Brasil pelas gravadoras, era quase uma surpresa: dificilmente você conhecia o álbum todo e comprava meio que “no escuro”. Óbvio que os mais velhos clamarão que era a mesma coisa com o vinil, eu sei. Hoje em dia, eu compro os CDs das bandas que eu já cansei de ouvir no computador, compro CDs das minhas bandas preferidas e, principalmente, se eu vejo ao vivo uma banda ou músico independente que eu gosto, comprar o CD é uma forma de ajudá-lo.

Para um artista vender CDs hoje em dia ele precisa ser criativo e oferecer o tipo de experiência que se tinha antes da facilidade do download: o CD era/é um objeto quase fetichista, uma combinação de arte e música em um formato (quase sempre) definido, e a experiência baseia-se numa escuta quase que ritualística, de parar para ouvir e dedicar-se a tal feito. Ainda mais, para um artista vender CDs hoje ele precisa principalmente estar ciente de que o caminho começa pela internet: downloads, legais ou ilegais, têm provado ser a melhor e mais eficiente “porta de entrada”, seja do artista consagrado ou do novato.

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