
No livro “A Gargalhada no Escuro”, de Vladimir Nabokov, o personagem principal – se não me engano – persegue a ideia de animar uma paisagem artística, uma tela impressionista, por exemplo. Apesar de não ser um dado relevante no livro, esta foi uma das passagens da obra que mais me marcou e foi ela que lembrei ao visitar exposições como de Hélio Oiticica ou Ligia Clark, entre outros artistas, que almejam e almejaram uma maior interatividade com a obra além da contemplação. Alguns idealizadores de jogos online também levam em consideração, além do lúdico, o estético e, por que não?, até mesmo o filosófico, como é o caso do “jogo” Fly Guy, onde um “cidadão comum” voeja por situações contemplativas “da vida de um homem”.
Outros dois exemplos marcantes são Soda Play, onde se pode construir e movimentar robôs e seres orgânicos com base na física. A proposta é de um projeto inglês, o Soda, cujo objetivo é “levar conhecimento e diversão a comunidade”. E, por fim, Nevermore 3 (imagem) – um gracioso adventure em que a (belíssima) trilha sonora e os efeitos plásticos são tão ou mais importantes que o próprio ato de jogar em si. Entre os três, este pode ser realmente chamado de jogo e conta com um rico visual, a começar pelos créditos iniciais caprichados.
Creio que estes sejam bons exemplos do quanto a mistura de arte, design e novas mídias podem interagir perfeitamente.







