Neste domingo, eu dei o meu primeiro mosh e entrei na minha primeira roda de pogo. Eu devia ser a pessoa mais velha e cansada dali.
Estava num show do Boom Boom Kid em uma casa de shows enorme chamada Niceto em Buenos Aires. Eu já havia compreendido que estava em uma localização estrategicamente perigosa pra um show de punk rock ali, na frente do palco. Mas como estava sofrendo um processo gradativo de carência, eu estava me sentindo bem ali, espremida por cinco jovens suados de moicano e sem camisa.
Instantes antes do show começar, uma garota passou entregando papéis picados pra todos e pediu pra que jogassem pro alto ao soar o primeiro (e ensurdecedor) acorde. Feito. Cordas vibrando e uma chuva de papeizinhos explodiu na platéia.
Entrei em epifania.
Estava tudo tão sincronizado, a cadência da banda e o liquidificador humano em que o público se transformou. Os trinta jovens pulando ao mesmo tempo do palco e caindo em cima da multidão. Eu sendo empurrada, e empurrando, suando, jogando e me jogando do palco. Carlos Rodríguez, o vocalista da banda surfando literalmente em cima de nós em um longboard. lindo.
Saldo final: treze hematomas, um joelho sangrando e felicidade correndo na veia. Não lembrava como era lindo um show de rock de verdade.
Assim, resolvi fazer um post em homenagem ao meu amigo fotógrafo Mateu Mondini que desde a minha pequenice faz fotos maravilhosas de shows que não parecem ser tão bonitos assim.