Há mais de 5 mil anos, o ato de contar histórias vem sendo difundido e acompanhado pela civilização, seja em contos bíblicos, histórias factuais, lúdicas ou que comunicam algo. Algumas nos entretêm, umas dão conhecimento, outras aumentam a percepção do meio em que vivemos.
Essas histórias vêm sendo modificadas e reestruturadas ao longo de toda a linha temporal da humanidade. As adaptações e ramificações ocorrem de forma cultural para envolver ainda mais os receptores. Assim como elas, os meios e métodos também romperam paradigmas, sofreram rupturas, além do surgimento de novos caminhos e formas de entrega desse conteúdo.
No início havia uma fogueira e a mímica dos chamados “homens das cavernas”, depois vieram os hieróglifos, o surgimento da escrita e da linguagem, a imprensa, o rádio e a televisão.
Podemos avançar a discussão da evolução dos meios de comunicação, mas o objetivo aqui é focar na história a ser contada. Hoje, os meios se multiplicam em progressão contínua, o que nos faz pensar sempre na nova tendência, na última tecnologia, no novo twitter, facebook, aplicativo de iPhone, etc.
Por muitas vezes, acabamos esquecendo de que deve existir uma história a ser contada, algo que envolva, que dê vontade de passar adiante, uma simples boa piada que seja.
O foco nos caminhos pode atrapalhar a criatividade.
Porque falamos até hoje de grandes autores como Shakespeare, Nelson Rodrigues, dentre outros? Os meios de contar suas histórias eram muito mais limitados dos que os que temos hoje em dia. Mas onde estava o segredo? Por que a Disney ganha milhões com “As mil e uma noites” até hoje? Uma história deveras antiga.
Porque a idéia e o conteúdo eram o foco desses contadores e porque sua criatividade não era limitada às últimas “hiper-mega-powers” tendências da sua época.
No entanto, temos ferramentas poderosas de disseminação do conteúdo hoje em dia e devemos, sim, utilizar todas elas da melhor forma possível. Negligenciar os meios e os novos meios que surgirão é burrice.
O “storytelling” é um termo antigo que se tornou moderno. Grandes estúdios de Hollywood, emissoras de TV e comunicadores de todo o mundo já se valem dessa expressão. O que Shakespeare e Nelson Rodrigues fariam nos tempos de hoje? Imagine a dimensão e o poder de suas ideias.
Criatividade não tem a ver com época, tendência ou tecnologia. Aproprio-me do clichê de dizer que isso são ferramentas para se contar uma boa história.
Comunicar com inteligência e criatividade antes de tudo.









