
Por Elcerdo

“Um cidadão metropolitano usa uma média de 2 semanas de sua vida esperando o semáforo mudar de cor.”
Nunca me faltou tanto tempo como nas últimas 2 semanas; cumpri meu dever anual de envelhecer, mudei de casa, conheci o Vint Cert, muitos trabalhos, palestras e faculdade.
A prioridade das coisas parece relativa ao tempo que você esperou, espera ou se dispõe a esperar por algo.
Parece que não há tempo para espera, mas andamos por aí esperando o tempo todo ou qualquer outra coisa que não esperávamos. (UFF!)
Em meio à minha falta de tempo, fiquei sabendo que Ville Walo estava na minha cidade para 2 apresentações apenas… E foi aí que entrei em ODOTUSTILA…
‘Odotustila’ é Finlandês para ‘Estado de espera – Sala de Espera’, é também o nome de uma peça de Ville Walo e Kalle Hakkarainen que vi dia 11/06/09.
Posso dizer que esperei muito para enfim ver de perto esse meu ‘Personal Hero’ (desde 2000) e confesso que não fiquei decepcionado!
O espetáculo é uma mistura de Malabares Experimental com Mágica em interação com projeções de vídeo.
Sim, eu sei; interação com projeções já são meio que um clichê-contemporâneo, mas quando um cara consegue se multiplicar e trocar claves com ele mesmo e mais três outros ‘ELE’
projetados, o sentimento de dejavù some rapidinho.
Ville Wallo, junto a Maksim Komaro e Jay Gilligan (PEAPOT), foram grandes divulgadores de um novo olhar sobre o malabarismo, mudando a regra do “melhor é quem joga mais objetos” e passando todo o foco para a plástica dos movimentos e objetos, reforçando o caldo da galera do ‘Circo Novo’ contemporâneo com um novo olhar sobre uma técnica com mais de 4.000 anos.
ODOTUSTILA me deu tempo útil. Me lembrei de um professor de ciências que recomendava pausas de tempo em tempo quando se está concentrado em solucionar algo; “eureka na banheira” como dizem…
Assistir algo que não lhe é rotineiro, aceitar as idéias e sonhos que esses caras te oferecem partindo do espetáculo, é algo que eu espero que vocês, designers e afins, consigam tirar um pouco de inspiração e TEMPO para seus dias.
É o que lhes ofereço hoje.
(o:
abraço do palhaço. (tenso! o_O ) – não esqueçam de assistir Maksim Komaro e Jay Gilligan e uma semana criativa para todos nós.

Os ‘posters’ de Circo me chamavam a atenção desde pequeno, com suas cores primárias e desenhos chamativos… Tentando manter o foco nas relações Design(s) + Circo(s)*; vamos à ilustração. Para inspirar os assíduos artistas plásticos e designers gráficos que por aqui habitam, vai uma dica; CYRK (precisa traduzir?) – que reúne posters que datam de 1960 ao final da decada de 80. Um pouco de história:
Durante os Anos Dourados da Escola Polonesa de Posters (pós 2ª Guerra), os mais reconhecidos e mais aclamados eram os CYRK, posters de Circo Polonês. Por quase um quarto de século, os posters CYRK alcançaram qualidade artística notável e imensa popularidade.
Os Posteres de CYRK contemporâneos foram criados em 1962, quando a agência de circo do Estado (ZPR) criou uma comissão de artistas de vanguarda para desenvolver um approach modern para a propaganda de Circo. A ZPR queria um look ‘revisado’ para os posters de Circo para agir em paralelo aos esforços do próprio circo para melhorar sua imagem.
Esses posters foram encomendados para não ter publicidade apresentando objetos concretos, pessoas ou fatos; mas sim, que fossem releituras artísticas que lembrassem ao público de que um circo moderno e excitante estava chegando na cidade. Baseados normalmente em um tema único (por poster), suas metaforas e alusões criaram uma íncrivel expressão artística que DEVE SER VISTA; Mas tambem lida, ponderada e digerida. (traduzido por mim daqui.)
A estética meio que não envelhece, e se o faz, a mensagem se mantém com todo o ar inovador que tinha quando ‘publicada’. enjoy; (tem mais de onde esses vieram. (o: )
Ah! só pra não perder a oportunidade; vestidos de noiva e circo(?) na Vogue especial.
Circo + Moda (?) saving it for another post.
*Circos de tipos variados e suas várias relações com os vários tipos de design! (um bom nome pra essa ‘série’.)