Eu fui ao circo várias vezes antes de me tornar ‘Circense’.
Mas depois, nunca mais assisti um espetáculo do mesmo jeito.
Conseguia perceber cada movimento e técnica, ficava atento à ponta do pé e a extensão corporal e lembrava até a fórmula matemática de um truque feito pelo malabarista.
De repente; Slow-motion. Eu me divertia vendo o que o resto da platéia não conseguia enxergar…
Eu não tinha ‘idea’ do que era o Design antes de decidir entrar nessa.
Mas depois, nunca mais assisti um espetáculo do mesmo jeito[²].
Não conseguia parar de imaginar ‘produtos’ diferentes… Re-designs do trapézio ao maquinário, comunicação através dos sentidos…
Todo um novo tipo de espetáculo pronto pra ser imaginado. Um belo dia, fui apresentado ao trabalho de um cara. O nome; James Thiérrée, neto de Charles Chaplin e fundador da Cie du Hanneton, me chocou do primeiro ao último segundo do espetáculo:
-Sentado em uma cama vertical. MUST WATCH.-
(a primeira cena do primeiro espetáculo – La Symphonie du Hanneton - aqui.)
De repente; Fast-Foward. É necessário assistir várias vezes o mesmo espetáculo, a mesma cena ou o mesmo número para entender e perceber cada detalhe cada re-design, cada idéia. A cenografia participa, se transforma e movimenta, assim como o figurino, que transforma os artistas em insetos gigantes em um piscar de olhos.
Sabe quando você descobre alguém que já fez TUDO que você imaginava fazer? Foi um momento de êxtase e derrota. Thiérrée vai muito além.
Isso tudo aconteceu por volta de 2007, quando eu já era um designer em formação, e me deu todo um novo universo pra explorar dentro do que eu estava estudando.
Submeti todos vocês a esse flashback porque dei de cara outro dia com uma notícia de que um novo espetáculo de Thiérrée estava para estreiar, e achei que falar de tudo isso seria um bom post pra explicar de onde eu venho, apresentando um notório criador com Pedigree Chaplinesco que ronda pelo ‘agora’… A mãe de James, além de filha de Charles Chaplin, é também mãe de Aurélia e do Cirque Invisible do poster acima. Continuo a história depois se aprovarem. Seguem alguns vídeos da ‘espetáculografia’ do ‘cara’:
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“My father had said, ‘To hell with bourgeois theatre! Where’s the most authentic place to be? Circus!” – James Thiérée
Resumindo; estou aqui para pôr em pauta a relação Design/Espetáculo. Vou da cenografia ao figurino, passando pela campanha e etc…(explico melhor com o tempo, que tal?!)
Vou encerrando por aqui; tenho tendência a pagar de ‘Mestre de Cerimônias’ e acabo por alongar a conversa. (o: Me perdoem o enorme texto e o material non-sense, mas acredito que vamos nos divertir com os acervos imagéticos de circo, as ‘tipos’ dos posteres antigos e várias outras histórias que eu pretendo contar…
BTW, prazer! (first post ever from me! hurray!)