
Neville Brody no OFFF2009 foi só mais um exemplo de alguém cujo trabalho, assim quanto tudo que é verdadeiro, não necessita auto-explicação. Admiro os designers que têm consciência do tempo projetam e a sua afirmação de que “pela primeira vez na história vivemos num lugar onde o futuro se parece pior que o passado”, só dá mais lucidez para o discurso de Brody.
Aliás, consciência do tempo e da própria vida foi o que mais me chamou atenção nas coisas que vi no evento. Seja consciência da própria história como tem a Paula Scher, ou do processo como PES que documenta de forma primorosa os seus projetos (mesmo quando isso envolve um simples spaghetti), ou Stefan Sagmeister que busca ser feliz com design e por isso o faz tão sincero e verdadeiro.
Depois do OFFF, eu e uma mochila circularam por mais algumas semanas para atracar na School of Life, em Londres. A príncipio pode parecer que é a “dose” de Vila Madalena e da hipponguice da Inglaterra (mentira!), mas se é mesmo verdade que as pessoas querem ouvir ideias que façam a diferença, a School of Life atende bem a demanda.
Tive a sorte de ouvir um sermão com Luke Johnson, colunista do Financial Times e presidente do Channel 4. Ele acredita que se arriscou mais na vida que muitos de nós… e ao que parece ele não pretende parar em tempos de incerteza econômica. Mas Luke lembra que tempos difíceis podem relevar todo o tipo de oportunidade.
Até que ponto o perigo de uma recessão faz com que percamos a coragem para fazer a mudança que queremos ver no mundo? Não há dúvida que as coisas não andam muito bem, mas como ele bem disse, não quer dizer que devemos parar de assumir riscos. Mas o que mais me assustou – depois do OFFF, do sermão e de tudo mais – não é nem a impossibilidade de concretizar planos, mas a infinidade de possibilidades a disposição de uma geração que parece que precisa da cláusula “ser aceito” no contrato. (continua num próximo post)








