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12/06/2009


Neville Brody no OFFF2009 foi só mais um exemplo de alguém cujo trabalho, assim quanto tudo que é verdadeiro, não necessita auto-explicação. Admiro os designers que têm consciência do tempo projetam e a sua afirmação de que “pela primeira vez na história vivemos num lugar onde o futuro se parece pior que o passado”, só dá mais lucidez para o discurso de Brody.

Aliás, consciência do tempo e da própria vida foi o que mais me chamou atenção nas coisas que vi no evento. Seja consciência da própria história como tem a Paula Scher, ou do processo como PES que documenta de forma primorosa os seus projetos (mesmo quando isso envolve um simples spaghetti), ou Stefan Sagmeister que busca ser feliz com design e por isso o faz tão sincero e verdadeiro.

Depois do OFFF, eu e uma mochila circularam por mais algumas semanas para atracar na School of Life, em Londres. A príncipio pode parecer que é a “dose” de Vila Madalena e da hipponguice da Inglaterra (mentira!), mas se é mesmo verdade que as pessoas querem ouvir ideias que façam a diferença, a School of Life atende bem a demanda.

Tive a sorte de ouvir um sermão com Luke Johnson, colunista do Financial Times e presidente do Channel 4. Ele acredita que se arriscou mais na vida que muitos de nós… e ao que parece ele não pretende parar em tempos de incerteza econômica. Mas Luke lembra que tempos difíceis podem relevar todo o tipo de oportunidade. 

Até que ponto o perigo de uma recessão faz com que percamos a coragem para fazer a mudança que queremos ver no mundo? Não há dúvida que as coisas não andam muito bem, mas como ele bem disse, não quer dizer que devemos parar de assumir riscos. Mas o que mais me assustou – depois do OFFF, do sermão e de tudo mais – não é nem a impossibilidade de concretizar planos, mas a infinidade de possibilidades a disposição de uma geração que parece que precisa da cláusula “ser aceito” no contrato. (continua num próximo post)

22/05/2009


É com orgulho que apresento o lançamento do novo disco de meu amigo André Z.P., o Color TV – projeto de música eletrônica ativo desde o ano retrasado.

Me agrada muito a mistura de elementos de eletrônica mais experimental com passagens de trilha sonoras e aspecto analógico. Na minha humilde opinião, é sucesso absoluto.

Sendo um cara extremamente culto (ou nerd) e bastante influenciado pela linguagem visual, muito disso acaba se mostrando em sua música. Felizmente fui convidado para fazer a parte visual do “disco” (se assim podemos chamar) e estou bem feliz com o resultado. A troca de idéias e influências foi muito legal e transformou esse trabalho em algo muito maior, o que espero que se estenda num futuro próximo.

segundo o release:

“O primeiro álbum do Color TV mistura música ambiente e camadas de IDM com doentempo, Detroit techno, dub, old school electro e mesmo rap/dubstep – numa faixa que tem o artista grime Infecta – enquanto mantém o conjunto através de glitches, samples de rádio AM e ESTÁTICA.

O álbum é uma gravação semi-caseira de André Z.P., músico brasileiro que brinca com música eletônica desde 2000. Na época, ele misturava fragmentos musicais com samples distorcidos e feedback de guitarra num Pentium I. Com o tempo as coisas melhoraram e culminaram neste lançamento, com 15 faixas e 5 wallpapers como “embalagem”, desenhados por Rafael Nascimento.”

Enfim, ouçam e vejam – disponivel para download aqui.

19/04/2009


Luba Lukova nasceu na Bulgária, mora em Nova York e é autora de uma das peças de design gráfico que tocou o meu coração. Visualmente engajados e poderosos, os posteres de Lukova mostram como o uso de metáforas visuais, justaposição de símbolos e simplicidade de linhas e cores são capazes de formar uma combinação explosiva.

(Nota biográfica: ela foi o meu primeiro objeto de “tietagem” no design gráfico, que incluiu uma breve troca de e-mails… nos idos de 1998!)

Numa época em que falta tudo menos ruído, admirar-se é cada vez mais raro. Com gente encarando design gráfico como um hobby, a preocupação em tocar o coração de alguém é esmagada pela vontade de impressionar a qualquer custo (como se design gráfico fosse uma espécie de xamanismo ou sei lá…). 

Uma vez li uma frase no primeiro livro do Sagmeister (“Made you look”, Booth-Clibborn, 2001) que é óbvia mas vale repetir sempre: “When our conscience is so wishy-washy, so is our design”. Aliás foi o próprio que usa a expressão “tocado pelo design” e é autor de uma outra peça que me impressiona bastante.

Alguns filmes mexem com você, livros mudam a sua visão sobre a vida e seu humor já foi influenciado por uma série de músicas… mas ser tocado pelo design envolve fatalmente um curto espaço de tempo e isso só torna a tarefa mais difícil.

Em duas semanas começa o OFFF – International Festival for the Post-Digital Creation Culture, em Oeiras, Portugal. Entre os palestrantes estão o próprio Stefan, Neville Brody, Paula Scher, Joshua Davis, PES e um montão de gente. Espero ver muita coisa feita com o coração (soa meigo, mas não!), verdadeira e sincera.

04/03/2009

“Tudo o que você pensa, pense ao contrário” pode soar como um daqueles livros de auto-ajuda profissional… só que melhor! Só fui descobrir Paul Arden agora (que também escreveu “Não importa quanto você é bom, importa quanto você quer ser bom”). Basicamente é um livro que explica os benefícios de tomar más decisões… e qualquer que seja a sua, é a única que você poderia tomar. Isso até parece uma continuação do post anterior (é de fato é!), já que – a não ser que você seja um Picasso – ao que parece, todos nós evoluímos na tentativa-erro.

O próprio Malcom Gladwell (na palestra que citei no outro dia) falou sobre o estudo de um carinha chamado David Galenson que diz que… se pudessemos dividir tipos criativos em dois, o primeiro grupo compreenderia os “inovadores conceituais”, aqueles tipos com “big, bold ideas” expressas muito rapidamente. Ele usa Picasso como exemplo: um homem que ao longo de sua trajetória, é possuído por uma série de idéias verdadeiramente revolucionárias expressas em sua arte imediatamente. Já o segundo grupo compreenderia os tipos que não possuem idéias revolucionárias, mas que ao longo do tempo vão descobrindo coisas num processo de experimentação e tentativa-erro. E aqui está a maioria de nós.

E se não nascemos prontos, o  “Manifesto Incompleto para o Crescimento”, escrito por Bruce Mau é um soco no coração para aqueles que buscam inspiração no trabalho de todas as manhãs.

1. Allow events to change you. You have to be willing to grow. Growth is different from something that happens to you. You produce it. You live it. The prerequisites for growth: the openness to experience events and the willingness to be changed by them. 

2. Forget about good. Good is a known quantity. Good is what we all agree on. Growth is not necessarily good. Growth is an exploration of unlit recesses that may or may not yield to our research. As long as you stick to good you’ll never have real growth.

3. Process is more important than outcome. When the outcome drives the process we will only ever go to where we’ve already been. If process drives outcome we may not know where we’re going, but we will know we want to be there.

(e mais 40 princípios aqui)

17/02/2009

Há dois tipos de idéias: idéias inertes e idéias com poder gravitacional. As idéias inertes, como o nome está dizendo, são como pedras. Via de regra, essas idéias são o tipo de informação que não transforma nem faz coisa alguma com a minha cabeça, logo serão esquecidas ou permanecem na memória consciente como lixo.

 

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