
Alguém deu sua opinião sobre o assunto. E aí, qual é a sua?
A foto é do Venâncio Filho.
Uma matéria do Jornal da Gazeta sobre a legendária Gráfica Fidalga. Via Gringo.
E um documentário via Cool Hunting.

Somos criados e condicionados a etiquetar o tempo todo. Temos que ter uma opinião formada sobre tudo mesmo que essa opinião seja fruto do que lemos em jornais e revistas e foi fabricada pelos especialistas em generalidades – conhecidos jornalistas.
Dizemos ‘eu gosto’ e ‘eu não gosto’ a tudo, sem nem saber o porquê.
Estamos o tempo todo etiquetando.
Como num catálogo científico, vamos limitando nossas próprias opções, vestindo nossos cabrestos, criando top 5 e dando o poder a outras pessoas para escolher por nós.
Entretanto, é facilmente constatável que esse modo dicotômico de pensamento bem-mal, deus-diabo, certo-errado não nos serve mais. Até a minha máquina de lavar roupas sabe disso!
Minha máquina de lavar roupas possui um sistema fuzzy com 10 níveis de água e jatinhos que regulam o nível adequado de água para a quantidade de roupa colocada. A minha máquina de lavar roupas entende que ela não é só cheia-vazia.
Homem-mulher, heterossexual-homossexual, feio-bonito, normal-freak…
A nossa vida é produto do caos, somos a combinação de milhares de improbabilidades, como eu posso estar satisfeita olhando uma parede branca com um quadro pendurado?
É suficiente para mim aceitar essa hierarquia imposta há séculos atrás num pensamento dicotômico de quadro-observador, artista-homem comum, deus-escravo? Essa imposição serviu para afirmar uma classe dominante, para mostrar através da sua pintura a óleo sua pompa e possessões, para fazer com que eu me sinta ‘not enough’, nunca boa o suficiente e queira ser boa o suficiente perseguindo um ideal que jamais vou alcançar.
Não é ‘orgânico’, não é natural, não coincide com todo o caos e as milhares de combinações e incertezas existentes dentro de mim. Não sou sim nem não. Não ‘tenho que’ ter uma opinião fechada sobre nada, não ‘tenho que’ ter posição firme sobre algo porque corro o risco de não ter personalidade segundo as pessoas a quem otorguei poder sobre mim.
Sou um caos interconectado com todos os seres. A arte para esse meu ser também.
>> Referências: capítulo 1, Modos de Ver, John Berger (post e post); palestra Cabello & Carceller (post); Política del Acontecimiento, Maurício Lazzarato; Enredamaderas de Pablo Reinoso exposta no Malba em Buenos Aires.
>> Aos que aspiram a famosa parede branca, entendo como uma metáfora de quem aspira compartilhar suas obras com outras pessoas e respeito essa aspiração. Para mim, a vivência de uma obra de arte pode facilmente e intuitivamente ir bem mais além da parede branca.

A comparação da australiana naturalizada (ela nasceu em Serra Leoa, 1965) com o também australiano Ron Mueck é inevitável. Ambos partem como princípio da linguagem artística o uso de esculturas hiper-realistas em que os instrumentos tradicionais de esculpir dão lugar ao maquinário hi-tech. A grande diferença entre ambos, entretanto, é que o uso de couro animal, cabelos humanos, próteses médicas de olhos, unhas, dentes, etc., é que Patricia Piccinini é quase uma romântica, criando possibilidades de união entre as diferenças (no caso, seres fantásticos “convivendo” pacificamente com os humanos) e brincando com as formas (que tal ver uma motoneta “amamentando” seu filhote recém-nascido?). Mueck trabalha apenas com a figura humana em escalas sub e sobre-humanas em que o medo perante as incertezas e etapas da vida é a tônica das obras.
Arte, design, “anatomia”… vale passear pelo site da artista e conhecer melhor sua obra. Clique na foto.