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	<title>IdeaFixa &#124; ilustração, design, fotografia, artes visuais, inspiração, expressão &#187; apropriação</title>
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	<description>IdeaFixa - canal de inspiração e expressão, artes visuais, ilustracão, design e fotografia</description>
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		<title>Beleza roubada(?)</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Jun 2010 22:12:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peterson Dias</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Recente  &#8211; recentíssimo, de agora pouco &#8211; tweet* da <a href="http://www.ideafixa.com/my/user/janara" target="_blank">Janara</a> me suscitou a uma reflexão sobre a imagem, a autorização e o autoral. Calma, não vou e nem tenho a pretensão de discorrer sobre semiótica e direito aqui, primeiro que &#8220;quem sou eu pra tanto&#8221; e depois que não é o objetivo do blog. Mas, enfim, problematizemos: duas meninas blogueiras, estas consideradas (ou que se consideram&#8230;) it-girls (eu mal sabia o que era uma it-girl, precisei me consultar com uma amiga blogueira para saber que estas fulanas são semicelebridades no mundo virtual) que tiram fotos com seus looks do dia, são chamadas para posar de bacanas nas revistas de moda, dão opiniões sobre produtos, roupas, etc, ou seja: que &#8216;vendem&#8217; sua própria imagem &#8211; real ou como personagem &#8211; na internet. Estas duas meninas, <a href="http://www.misspandora.fr/zara-we-have-a-problem-la-suite/" target="_blank">Pandora</a> e <a href="http://www.leblogdebetty.com/2010/05/22/zara-we-have-a-problem/" target="_blank">Betty</a>, associaram fotos delas a estampas em peças na famosa loja de departamentos Zara.</p>
<p><span id="more-14696"></span></p>
<p><img class="alignnone size-large wp-image-14703" title="Estampa Zara" src="http://www.ideafixa.com/wp-content/uploads/2010/06/zara1-600x800.jpg" alt="" width="600" height="800" /></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="Versão it-betty a feia original" src="http://farm5.static.flickr.com/4072/4685676832_8b6f77be45_b.jpg" alt="" width="600" height="400" /></p>
<p style="text-align: left;">Sim, é evidente, como se podem ver nas fotos apresentadas por elas, que houve uma cópia descarada das imagens originais. E quando digo &#8220;descarada&#8221; nem é uma crítica negativa.  Descarada porque é insofismável. Continuemos: as pobres it-girls Pandora e Betty consideraram suas imagens violadas ao ver que um malvado estilista da Zara <em>roubou</em> as fotos delas e as produziu em larga escala estampadas em blusas. Postaram, combinadas, em seus blogs: <em>&#8220;Zara, we have a problem&#8221;</em> em protestos indignados.</p>
<p style="text-align: left;">Então vamos pensar juntos: você é um blogueiro e, para fazer com que sua imagem/personagem/produto seja conhecido no mundo inteiro ou parte dele, precisa divulgar exaustivamente sua imagem/personagem/produto para que esteja sempre em evidência. No caso destas meninas, elas não vendem outro produto que não seja o fato de serem descoladas, bonitas, <em>in</em>&#8230; Em outras palavras: elas vendem a si próprias como produto a ser consumido, copiado, desejado e &#8211; como todo produto corre o risco de ser &#8211; descartado para, possivelmente, voltar a ser consumido novamente dentro de um ciclo. Este ciclo podemos usar como exemplo básico de hiperconsumo: você não tem um produto material, tangível,  de consumo mas, inclusive, um produto de ideias. Não é de hoje que o hiperconsumo é discutido. Acho que já falei deles por aqui, mas pensadores como Guy Debord e Jean Baudrillard já o temiam desde meados do século passado.</p>
<p style="text-align: left;">Depois da problematização eu convido para que reflitamos: não é estranho que, após divulgar suas imagens &#8211; provavelmente de graça &#8211; em blogs, revistas, jornais (basta dar uma olhadinha rápida nos dois blogs&#8230;) as meninas se considerem no direito de ficar &#8220;beges&#8221; por verem que mais uma entidade está consumindo também suas imagens? No caso do post, a &#8216;entidade&#8217; é a Zara, mas poderia ser o Lojão da Zefa, poderia ser um outro blog, poderia ser um tarado que fizesse montagem pornô com suas fotos, poderia ser um adesivo de caminhão, poderia ser qualquer coisa. O que eu quero dizer é simples: a partir do momento em que você divulga a sua imagem (própria ou de seu produto) na internet, está passível, sim, de que ela seja reapropriada e reconsumida sob os mais diversos riscos e formas.</p>
<p style="text-align: left;">Para não dar brecha de que isso que escrevo é mágoa por eu não ser um it-boy conceituado no mundo blogueiro, exemplifico com meu próprio trabalho: tenho um perfil no excelente sítio de fotos em alta definição de uso gratuito, o <a href="http://www.sxc.hu" target="_blank">Sxc.hu</a>. Quando você posta suas fotos ali, já está ciente de que alguém poderá se apropriar e utilizá-las como bem lhe aprouver, inclusive ganhar dinheiro com isso. Ou seja: você posta fotos ali teoricamente pelo prazer de fotografar e ajudar pessoas que precisem de suas fotos. Oxalá a pessoa que se apropriar delas credite você ou, mais ainda, lhe pague por elas. Semanas atrás recebi um email de um designer (que também tem perfil no Sxc.hu) me avisando que usaria uma foto minha em um trabalho seu, uma capa de livro a ser lançado por conhecida editora. Fiquei contentíssimo e mal vejo a hora de receber o trabalho pronto para que possa, inclusive, colocá-lo no meu portifólio. Ele não falou nada de dinheiro e nem eu cogitei cobrar nada pelo uso: estava claro para todos que foi risco meu disponibilizar a foto para uso gratuito, ainda que seja para uma editora famosa faturar bem sobre ela.</p>
<p style="text-align: left;">Poucos dias atrás, entretanto, o mesmo designer me envia outro email dizendo ter acessado meu perfil no Flickr, gostado muito de meus desenhos e que usaria três deles em uma outra capa de livro. Desta vez, a editora o autorizou a ofertar uma quantia com a qual fiquei bem contente, além de ver meu trabalho enquanto artista sendo divulgado e valorizado financeiramente. A editora enviou a papelada de contrato, assinei, devolvi, fiquei com uma cópia e estamos acertados. Estou só esperando o depósito. Ou seja: trabalhei de graça para um, mas faturei com outro. E mais: quando você publica algo na internet, tem que contar com um sentimento milenar chamado boa-fé. Se não houvesse boa-fé por parte do designer e da editora, eles poderiam muito bem usar meus desenhos e, caso eu viesse a exigir alguma coisa, pediriam pra eu &#8220;entrar na justiça&#8221;. E daí seria pequinês lutando contra são-bernardo.</p>
<p style="text-align: left;">Com a minha história faço um paralelo a história dessas duas garotas: até que ponto resiste o direito de elas se oferecerem ao hiperconsumo (com o risco de ficarem com cara de pastel ao ver suas imagens utilizadas gratuitamente por outrem) e sob que argumento elas podem se sentir violadas em suas intimidades ao verem-se estampadas em camisetas da Zara? Ambas as meninas escreveram nos rodapés de seus blogs: &#8220;todos os direitos reservados&#8221;. Ah, é? Duvido bastante desta expressão utilizada por elas até por que, questiono, direito a quê? A manterem sua intimidade arreganhada diariamente pelos seus diários de bordo? Duvido que as moças tenham registrado estas fotos sob direito autoral. Ainda que estas meninas se considerem artistas, eu lhes diria: se querem preservar sua imagem, tomem todas as precauções morais, jurídicas, cívicas, religiosas para protegê-la porque, meu caro it-leitor, a partir do momento que qualquer coisa tenha caído na rede, é peixe (perdão, mas não resisti ao trocadilho infame). E este peixe pode ser um lambari, como o mero leitor do blog das tais; como também pode ser um bacalhau gigante do tamanho da Zara.</p>
<p style="text-align: left;">Para encerrar, fica o pensamento: antes de dizermos &#8220;com autorização de quem?&#8221;, deveríamos pensar em pedir licença para entrar na vida das pessoas sem sermos convidados. É muito simples violarmos nossa própria imagem, mas dói quando vemos que a violação muitas vezes está além do nosso próprio alcance.</p>
<p style="text-align: left;">Em tempo: de forma alguma defendo a utilização de imagens sem critérios. Ficaria contente que a Zara usasse um desenho meu em suas estampas, mas ficaria ainda mais contente se ela me perguntasse o que eu acho disso. Ficaria deslumbrado ainda mais se ela me pagasse para tanto. Só que estas meninas conseguiram tudo o que mais querem: ver-se estampadas por aí. E quando conseguem, reclamam. É uma disparidade &#8211; já prevista por Jean Baudrillard há mais de 50 anos, inclusive.</p>
<p style="text-align: left;">Em tempo (2): de forma alguma este post se pretende sexista. Por acaso as duas personagens são mulheres.</p>
<p style="text-align: left;">*O tweet diz: <em>Zara lucrando (sem autorização) com o rosto de  blogueiras: Pandora <a rel="nofollow" href="http://bit.ly/9mFX9J" target="_blank">http://bit.ly/9mFX9J</a> e Betty <a rel="nofollow" href="http://bit.ly/c1h5YA" target="_blank">http://bit.ly/c1h5YA</a> (via @<a rel="nofollow" href="http://twitter.com/mariserena">mariserena</a>)</em></p>

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		<title>Espíritos sem Photoshop®</title>
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		<pubDate>Wed, 20 May 2009 02:08:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Peterson Dias</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Adoro viajar no perfil do National Media Museum no Flickr. Um verdadeiro compêndio fotográfico com registros anônimos e de gente grandiosa como Man Ray e Robert Capa. Recentemente a instituição postou uma série de fotos &#8220;mediúnicas&#8221; do início do século 20, feitas por William Hope. O que parece hoje ser uma tentativa inocente de fraude, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Adoro viajar no perfil do <em><a href="http://www.flickr.com/people/nationalmediamuseum/"><strong>National Media Museum</strong></a> </em>no Flickr. Um verdadeiro compêndio fotográfico com registros anônimos e de gente grandiosa como Man Ray e Robert Capa.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="alignnone" src="http://farm4.static.flickr.com/3075/2780196013_b5e2db2286.jpg" alt="" width="320" height="500" /></p>
<p>Recentemente a instituição postou uma série de fotos &#8220;mediúnicas&#8221; do início do século 20, feitas por William Hope. O que parece hoje ser uma tentativa inocente de fraude, marcou época e encheu de esperanças famílias interessadas em contato com seus mortos. Na falta de Photoshop, sobreposição de chapas davam conta do serviço.</p>
<p>É um bom exemplo para refletirmos que soluções (para o bem ou para o mal&#8230;) são sempre encontradas com criatividade tanto ou mais do que recursos. Deve ser por isso que, seja qual Windows for, sempre haverá um Paint nos Acessórios para nos lembrar disso.</p>

	Tags: <a href="http://www.ideafixa.com/tag/apropriacao/" title="apropriação" rel="tag">apropriação</a>, <a href="http://www.ideafixa.com/tag/flickr/" title="flickr" rel="tag">flickr</a>, <a href="http://www.ideafixa.com/tag/fotografia/" title="fotografia" rel="tag">fotografia</a>, <a href="http://www.ideafixa.com/tag/fotomontagem/" title="fotomontagem" rel="tag">fotomontagem</a>, <a href="http://www.ideafixa.com/tag/mediunico/" title="mediúnico" rel="tag">mediúnico</a>, <a href="http://www.ideafixa.com/tag/national-media-museum/" title="National Media Museum" rel="tag">National Media Museum</a>, <a href="http://www.ideafixa.com/tag/photography/" title="photography" rel="tag">photography</a>, <a href="http://www.ideafixa.com/tag/portfolio/" title="portfolio" rel="tag">portfolio</a>, <a href="http://www.ideafixa.com/tag/sobreposicao/" title="sobreposição" rel="tag">sobreposição</a>, <a href="http://www.ideafixa.com/tag/william-hope/" title="William Hope" rel="tag">William Hope</a><br />
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