Bem importante a iniciativa do MASP, em 2009, em sediar De Dentro para Fora/De Fora para Dentro - exposição que recebeu mais de 140 mil visitantes e debutou a entrada da street art no museu. Mas mais importante ainda é aproveitar a receptividade que o público teve para a curadoria de Baixo Ribeiro, Eduardo Saretta e Mariana Martins, há dois anos, e abrir o leque para a mostra que está em cartaz, até 23 de dezembro, no 2o subsolo do Museu: De Dentro e De Fora.

Também sob curadoria do proprietário da Choque Cultural, De Dentro e De Fora funciona como uma versão internacional da primeira mostra - claro que nada engessada, já que traz trabalhos bem diferentes dos brasileiros - mas fortalecedora no que tange à apresentação das mais diversas linguagens da arte urbana: graffiti, fotografia, video, escultura, pintura, muralismo, colagem, instalações... e isso não é pouca coisa.
Desde que assumiu o Museu de Arte de São Paulo, no ano de 2006, o professor Teixeira Coelho tem proposto novas visões para o público - como se pode verificar em sua reorganização do acervo (exposto na Galeria Georges Wildenstein) que não está submetido a linhas do tempo, mas a similaridades entre as obras. Agora, o curador do MASP põe em foco uma arte que é a cara do nosso tempo, propondo sobre esta visão diversas discussões - entre elas: onde está a arte? Dentro ou fora do museu? Nos bueiros ou nas paredes?

De Dentro e De Fora traz oito artistas urbanos vindos de 4 países para residência de um mês no Brasil. São eles os franceses Remed, JR e Invader, o tcheco Point, os argentinos Tec, Defi e Chu e a norte-americana Swoon. Em integração com artistas urbanos brasileiros, também exploraram a parte externa do museu, já que a obra também está nos arredores, permitindo ao visitante estar nela mesmo do lado de fora do MASP.

Exatamente pela experiência do site specific fica claro, no resultado da mostra, o diálogo entre os estrangeiros e o Brasil. Point, por exemplo, fez instalações que dão continuidade aos corrimões vermelhos característicos da Galeria Clemente de Faria, com direito até mesmo a uma piscina de bolinhas vermelhas de plástico.
A representante feminina da mostra, Swoon, fez pinturas gigantes com lindas mulheres olhando para o céu, fixadas em placas de madeira no centro da galeria. Isso sem contar o trabalho dos representantes argentinos - de longe, os melhores da exposição - que tanto se escancara em lindos murais e numa sala de pinturas nas paredes e penduradas sobre elas, quanto se faz discreto: em escultura feita a partir de ripas de madeira encontradas na rua, os três artistas trabalharam meticulosos nichos por dentro do tronco, ornando objetos, brinquedos e acessórios relacionados à cultura de rua.

Tudo resulta numa explosão de cores: uma coisa tão bonita que fiquei até meio besta de ficar olhando - só não mais besta do que fiquei ao ver, naquele mesmo espaço, a exposição de Pintura Alemã Contemporânea em 2010; ainda que não exista a mais ínfima relação entre uma exposição e outra, fora o bom aproveitamento da mesma galeria.
Meu ponto aqui é simples: esta exposição é mais uma que atenta para a importância do que pode ser visto aqui mesmo, na avenida mais famosa de São Paulo, sem termos que nos locomover quilômetros para saber sobre as expressões do nosso tempo. Essa é a importância de estarmos numa época em que temos galerias a céu aberto dialogando sem fronteiras, artistas virtuosos interagindo entre si e museus que abrem suas portas para eles (e para nós). Visitem.
//// IDEAFIXA ENTREVISTA
Veja agora o vídeo da entrevista feita com Baixo Ribeiro para o Canal IdeaFixa no Vimeo.
* Video por Carolina Martins
De Dentro e De Fora
17 de agosto a 23 de dezembro
MASP - Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand
Av. Paulista, 1578
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