aula de ginastica na Plaza Irlanda no bairro Caballito de Buenos Aires
aula de ginastica na Plaza Irlanda no bairro Caballito de Buenos Aires

Há 6 meses atrás eu estava em São Paulo em uma reunião quando conheci a Débora Emm da Inesplorato. Nesse momento ela me mostrou uma revista que tinha acabado de trazer da Europa com a obra de uma polonesa que utiliza o artesanato da sua terra para realizar suas obras. Ver aquilo foi um choque porque foi ver que em outra parte do planeta algo que eu já estava vivenciando.

Sábado fui ao show de Aymama e Omar Moreno Palacios no Centro Atlético Fernandez Fierro, da Orquestra Fernandez Fierro. Os dois shows foram incríveis, de ficar arrepiada com os músicos e com as várias memórias que Palacios compartilhou sobre esta terra gaucha. Terminado o show, caminhando em direção a Av. Corrientes para tomarme un taxi, descubro a rua Humahuaca em plena festa organizada pela Casona de Humahuaca.

Décadas atrás, na mesma rua Humahuaca onde os caminhões faziam fila para entrar no mercado Abasto e que acontecia o tango, hoje se dança folklore argentino, cumbia, ska, quarteto. Havia tanta gente linda, todas essas pessoas da geração da década de 80 dançando e se divertindo com música grátis, bandeirinhas penduradas e muita, muita felicidade. Era impressionante a energia que havia naquele lugar. Tocava uma banda e bailarinas de dança contemporânea improvisavam convidando a todos ao que depois se transformou numa grande e divertida bailanta.

Omar criticava ‘essa gente que quer sentir-se estrangeiro na própria terra’. Vejo essas coisas acontecendo em contrapartida a toda a horizontalização da cultura global e percebo que a forma de resistência a esse achatamento é a conexão com a nossa identidade original. O resgate, conhecimento e valorização das nossas raízes, o orgulho de sermos de onde somos e não estar balançando a cabecinha e vestindo descolado *só* porque você viu no cinema.

Tudo isso aconteceu sem que fosse preciso nenhum guarda de segurança. Ninguém revistou minha bolsa antes de eu entrar. Ninguém disse que eu não podia entrar e sair a hora que eu quisesse sem pagar.

Viva a não profissionalização da felicidade.