”Ao Coração da Tempestade” é um trabalho emblemático na carreira do grande mestre dos quadrinhos, o já falecido Will Eisner. A obra, autobiográfica, traz as grandes qualidades e o maior ”defeito” do artista.
E agora está mais uma vez disponível para o público brasileiro, em edição de luxo da Quadrinhos na Cia.
”Está mais uma vez disponível para o público brasileiro” porque a história já havia desembarcado por aqui nos anos 90, quando a Editora Abril ainda se dedicava bastante em publicar quadrinhos. Na época, passou um pouco batida nas bancas tupiniquins, saiu em dois volumes (com ”No Coração” ao invés de ”Ao Coração” no título) e em período de decadência da linha de frente da editora, as revistas de super-heróis.Agora, o trabalho sai em formato para livrarias, em um só volume, caprichado. Do jeito que o leitor brasileiro gosta de consumir atualmente. Bem, diferenças à parte, a história é a mesma: um jovem quadrinhista, Willie, precisa interromper seu início de carreira para atender ao chamado do exército estadunidense, em plena Segunda Guerra Mundial.
Durante a viagem, o protagonista vai revivendo, por meio das imagens da janela de um trem, o passado de sua família judia e a dificuldade de adaptação desde a chegada de seu pai, de Viena para os Estados Unidos. Logo de cara, além dos inconfundíveis e hábeis traços de Eisner, dá pra notar que a história é especial. Tudo é contado sem exatamente uma forma fixa.

O autor empresta à dinâmica e à composição da narrativa toda sua criatividade, baseado na forma visceral com que conta coisas da própria vida, especialmente o preconceito sofrido por ser judeu. A obra mostra duas das grandes especialidades de Eisner.
A primeira é contar várias tramas em diferentes planos de ação, em um único quadro estático. É impressionante, por exemplo, como o leitor pode ver Willie à frente da história, sentado no banco do trem, enquanto outras linhas de tempo e narrativa estão sendo contadas ao fundo, logo através da janela e além. A segunda grande habilidade de Eisner presente nesta edição é a de usar a pantomina para valorizar sua contação da história.

O artista sempre soube como equilibrar texto e imagem, só que também dominou como ninguém nos quadrinhos a arte de utilizar o mínimo de gestos para exibir o máximo de informações, usando recursos das linguagens cênica e cinematográfica.
Seu maior ”defeito” está também por aqui. Desde ”Ao Coração…” (e até mesmo antes, mas de uma forma um pouco menos exacerbada) até o final de sua carreira, Eisner insistiu cada vez mais no tema ”perseguição aos judeus” e se tornou um pouco repetitivo, até mesmo obcecado. Nos trabalhos finais, há sinais de teorias da conspiração envolvendo o assunto.
Por isso, ”Ao Coração da Tempestade” é tão importante para a bibliografia de Will Eisner e é algo que pode representar sua carreira. E por isso é imperdível para quem gosta de quadrinhos.
Serviço – ”Ao Coração da Tempestade” tem 216 páginas no formato 20 x 27 cm e custa R$ 42.
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olá, lambuja. bem, não me incomoda nada disso, não force a barra você. me incomoda, alguém com o talento dele, se repetir tanto, fosse o assunto que fosse, leia de novo. e discordar, ainda bem, não quero que ninguém concorde 100%, é apenas uma opinião minha. e, sinceramente, como eu poderia fazer alguma constatação bombástica sobre will eisner?