Seis dias de oficina com seis profissionais de quatro estados diferentes. Temas que vão desde pintura de modelo vivo a técnicas de desbloqueio criativo. E o resultado disso, checado nas pesquisas de opinião dispostas sobre a mesa do café, apresentava apenas uma crítica: “Pena que é curto e tem poucas vagas”.



Para Bebel Abreu, idealizadora do Ciclo Mandacaru de Oficinas de Ilustração, foi o maior dos elogios. Arquiteta de formação, Bebel foi, durante 6 anos, coordenadora de eventos da Editora Abril e organizou a exposição Ilustrando em Revista, uma coletiva de ilustrações publicadas pela editora que rodou o país e foi visitada por mais de 80 mil pessoas. As Oficinas de Ilustração que ocorreram na última semana, acabam sendo um “desdobramento” dessa exposição, já que foi naquele momento que Bebel conheceu os ilustradores que compõem, agora, o Ciclo Mandacaru: Orlando Pedroso, Rogerio Nunes, Marcelo Gomes, Eduardo Belga, Cau Gomez e Renato Alarcão – além do mestre Benício, André Valente e Estúdio Ilustrativa, que comandam o Ciclo nas cidades do Rio de Janeiro e Brasília. 



A primeira edição do Ciclo, em São Paulo, encerrou no último domingo com a aula de Diário Gráfico de Renato Alarcão. O projeto, inscrito no Edital de Ocupação da Caixa Cultural, teve suas vagas esgotadas em poucas horas e trouxe mais de 120 pessoas ao belíssimo edifício cultural localizado na Praça da Sé, centro da cidade. Quando subimos ao 6º andar do edifício e avistamos uma ampla sala, onde todos se amontoavam para checar o cuidado com que Alarcão costurava a lombada da peça final, fica claro que ali estavam pessoas de diversas áreas, reunidas por um único objetivo: desenvolver a criatividade.


 
O ilustrador londrinense Diogo Blanco (ex-Deveras) participou do grupo para criar livros de ilustração pessoal. Já a ilustradora Fernanda Guedes (responsável pelo curso de Ilustração, Moda & Estilo da IdeaFixa) assistiu às aulas de Renato Alarcão – que estava vestido com o uniforme laranja dos limpadores de rua – como uma forma de quebrar sua tendência natural à ordem: “Tenho vontade de fazer um livro igualzinho aos que ele faz. Mas o principal motivo que me traz aqui é aprender a usar a ‘anarquia’ de um professor que permite sujar” – explica Fernanda.



Grandes mesas repletas de papéis, canetas coloridas, canetões e anotações de termos técnicos ditos pelo professor cercavam o grupo de alunos – entre os quais se encontravam paulistanos, paranaenses, uma garota de Manaus que veio apenas para o curso, e a tipógrafa inglesa Catherine Dixon. Letícia Marques, produtora assistente da Mandacaru, acredita que o fato do evento ser gratuito torna tudo mais fácil: “Compensa mais pagar a passagem e hospedagem de um evento gratuito, do que gastar quase 500 reais em um evento local”.



Bebel, por sua vez, completa que o esforço para tornar eventos acessíveis deve ter colaboração dos dois lados: da organização e do público. “Na verdade, as oficinas são tão caras quanto as demais, mas temos o patrocínio da Caixa Econômica Federal através do edital – com dinheiro público, afinal. Foram tantas inscrições que tivemos uma lista de espera de 180 pessoas – e ainda teve gente confirmada que não veio e nem avisou… Enfim, no fim tivemos um excelente público, de 131 pessoas, para cerca de 520 inscrições!”


fotos: Marina Piedade / Divulgação

Como próxima atração do Ciclo de Oficinas Mandacaru, foram propostas ao edital da Caixa Cultural as Oficinas de Caligrafia, que acontecerão em 2012, ministradas por nomes como Claudio Gil, Andrea Branco, Matheus Barbosa e Tony de Marco – este último com a proposta de uma oficina de reconhecimento da cidade e das imagens caligráficas que encontramos na rua.

Fique atento às novidades da IdeaFixa e aguarde os próximos ciclos!

//// IDEAFIXA ENTREVISTA
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