confesso que andava eu um pouco em dúvida quanto a este x-men: first class, especialmente depois do bem mais ou menos x-men: the last stand e do péssimo x-men origins: wolverine.

porém, depois de alguns bons (drinks) trailers e de entrevistas do diretor matthew vaughn e de membros da produção, comecei a gostar da ideia. e, depois da cabine de imprensa do filme, ontem, posso dizer que x-men: first class, em cartaz a partir da próxima sexta-feira nesse brasilzão, é a melhor ideia para o momento, de renovação de franquia. honesto, clean, bem executado e renovável. além de sexy.



antes de mais nada é preciso lembrar que era necessário algo que mudasse a direção para onde as coisas estavam indo. x-men: last stand não aproveitou o potencial dos demasiados mutantes que tentaram explorar e, o pior, acabou até mesmo esgotando prematuramente algumas narrativas. a exemplo da morte de ciclope e de jean, entre outras coisas. em x-men origins: wolverine, nem se fala. gambit parece um ator de filme pornô e o deadpool ficou simplesmente ridículo no final do filme. sem contar que hugh jackman já começou a achar que wolverine é ele e não o contrário…

bem, x-men: first class começa lembrando você quem é magneto e quem é professor x e como ambos cresceram em ambientes diferentes. um foi oprimido pelos nazistas, viu a mãe morrer, sofreu, enfim, é movido por fúria e vingança. o outro foi bem educado, nasceu rico, é movido pela sabedoria e compreensão. algo que os tornasse na rotineira analogia entre malcolm x e martin luther king.

a partir daí é que começa a mudança. sai a ficção científica e essa estética futurista dos filmes anteriores e entra o retrô, o clássico, o pulp. como bem disse o diretor matthew vaughn, é como um james bond. e como ressaltou aqui o designer de efeitos visuais john dykstra, houve uma preocupação estética sobre esse ambiente e fotografia. tinha que ser algo na linha espionagem e ação. sexy.



essa é justamente a noção que temos do clube do inferno, introduzido juntamente com um cool sebastian shaw (kevin bacon) e seus asseclas, azazel, maré selvagem e emma frost. importante ressaltar aqui que tanto os efeitos especiais e, principalmente, os efeitos sonoros, foram muito bem cuidados neste sentido. a trilha carrega muito desse ar esperto e sensual em diversos momentos.

então o filme corre bem em duas linhas de narrativa, com magneto e xavier procurando mutantes enquanto o clube do inferno arquiteta seu plano diabólico, sempre sob as luzes da guerra fria e diante da sombra iminente de uma terceira guerra mundial. neste momento, além de termos comuns aos quadrinhos (como “temidos e odiados pela humanidade que lutam para salvar” e “filhoos do átomo”), há uma cena que causará certamente a maior comoção geral em todo o filme, devido a uma espirituosa participação especial.



a sequência de aprendizado é bacana e a escalação de um grupo pequeno e bem definido ajudou matthew vaughn a controlar melhor o fluxo da história, a carga dramática dos personagens e o background dos protagonistas, erik lensherr (michael fassbender) e charles xavier (james mcavoy). há uma certa herança adolescente do roteiro inicial de josh schwartz (gossip girl, o.c.) e também daquela dinâmica de grupo disfuncional dos quadrinhos de chris claremont, inspiração assumida dos roteiristas ashley miller e zack stentz, que assinaram maior parte da revisão final. no entanto, dá pra notar que o diretor precisou correr em determinado momento para contar o resto da história.

é aí que o filme fica meio estranho, a amizade de erik e charles torna-se, digamos, muito intensa em apenas poucos dias. é aquele problema do filme do thor, e o intensivão de humildade, como bem comentou o amigo omar godoy. o mesmo acontece entre os membros da equipe, que viram BFFs (como também bem citou a querida alicia ayala) em apenas uma semaninha. apesar disso, mcavoy, fassbender e bacon conseguem segurar bem o lado dramático da coisa, estão muito à vontade em seus papeis.



ok, passado esse momento, há um grande gasto de dinheiro para explosões finais e as sequências são bem legais. uma coisa que bryan singer aprendeu a fazer com os outros x-men e aqui dá pra notar sua mão de produtor na direção de vaughn foi como ser claro nos momentos de ação e ter uma boa coordenação de toda a narrativa visual e, claro, sonora também. pra comparar isso, basta colocar uma cena de transformers e ver como aqui você entende tudo e sem ninguém ficar vomitando barulhos desnecessários na sua orelha.

o stan lee não apareceu mas ainda houve tempo de explicar como xavier ficou paralítico e, para uma certa surpresa minha, minha pergunta primordial para este filme não foi respondida ao final.

desde os primeiros trailers, perguntava-me: “bom, se equipe que vimos no primeiro x-men de bryan singer é a segunda ou terceira formação, o que houve com esta primeira?”



e daí, conforme o filme ia passando, ia me perguntando: “quando alex se separou de scott summers? eles se encontraram novamente?”. “como e quando azazel e mística geraram o noturno?”. “como alguém poderoso como o banshee sumiu?”

e aí percebi que x-men: first class foi um bom filme e a melhor opção para renovação da franquia. fiquei com muita vontade de ver mais dessa first class e todas essas questões parecem ter sido guardadas justamente para futuros filmes. legal, hein.

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