HQ e Cinema :: O (quase) Espetacular Homem-Aranha

03.07.2012 / Em cinema quadrinhos / Por Claudio Yuge

Estreia nesta semana a mais nova versão do nosso aracnídeo predileto. Homem-Aranha ganha um reboot versão 2010's, há exata uma década depois de sua mais bem-sucedida franquia, que rendeu uma trilogia nas mãos do diretor Sam Raimi.

Bem, esta nova versão é uma amálgama de todas as últimas encarnações de Peter Parker e seu alter-ego nas revistas (universo "normal e "ultimate") e nas animações. O resultado é mais do mesmo, com algumas alterações para a atual audiência, com uma vontade de ser um Aracnoverso no cinema. Quase espetacular, como propõe o título.

A história é a básica do Homem-Aranha: o jovem órfão Peter Parker é deixado aos cuidados dos tios, Ben e May, e, mais tarde, já adolescente, é obrigado a lidar com os afazeres escolares, o bullying no colégio, os compromissos familiares e, claro, seu lado heróico, depois de ter desenvolvido habilidades incomuns ao ser picado por uma aranha radioativa (ou geneticamente alterada).

A diferença nessa versão é a profundidade do drama: o diretor Marc Webb (conhecido pelo fofinho 500 Dias Com Ela) decide dar mais densidade a Peter e suas conexões. A começar pelo mistério por trás do sumiço de seus pais.

Particularmente, gosto muito dessa fase colegial do Peter Parker cientista, daquela clima de filmes de John Hughes na sessão da tarde mas com superpoderes. De certa forma, até funciona mais ou menos assim, com Flash Thompson sendo seu rival e Gwen Stacy o primeiro amor de nosso herói. Esse período, apesar do bom trabalho de Sam Raimi, passou muito rápido na trilogia anterior.

A teia de conexões - herdada do Universo Ultimate - é o fato dos pais de Peter ter algo a ver com a tecnologia desenvolvida pelo cientista Curtis Connor (que, todos sabem, é a identidade do vilão Lagarto) na Oscorp, empresa de Norman Osborn (mais conhecido também como Duende Verde). Pra completar, Gwen Stacy é estagiária na empresa, que é justamente onde acontece o acidente que dá a Peter os poderes de Aranha.

Essas "coincidências cósmicas" podem irritar um pouco os fãs mais antigos mas facilita aos mais novos o entendimento desse Aracnoverso. Afinal, claro que um dia você perguntou: "mas quer dizer que se uma aranha radioativa me picar eu viro um homem-aranha?" Então, essa história incomum mostra que isso só poderia ter acontecido com Peter Parker.

A partir de ambientada a história e apresentados os dramas pessoais, o que se segue é mais do mesmo, muito previsível. A trama avança em direção ao confronto do Aranha com o Lagarto, que quer contaminar Nova York e transformar todos em bichos. O que salva são a química entre os ótimos Andrew Garfield e Emma Stone e os efeitos especiais, que valem o ingresso.

Se antes em alguns momentos o Homem-Aranha parecia um boneco animado, aqui seus movimentos, saltos e peripécias - tudo com teias artificiais - são bem mais convincentes e... demais. O bom humor aplicado aos momentos de ação também aproximaram muito mais esse Espetacular Homem-Aranha ao das revistas.

Estou um pouco de saco cheio de histórias de origem, acho que as pessoas deveriam procurar esses arcos nas revistas, no entanto é compreensível esse reboot por duas razões:

1) Se o Superman é o herói primordial, quase um deus, que clama por justiça, o Homem-Aranha é o que mais se encaixa com o público jovem, por ser apenas um estudante que mora com a tia, o eterno perdedor, um outsider.  E sua história sobre os sacrifícios que precisa fazer pra ser herói são mais "humanos". Assim, é um personagem que precisa sempre estar alinhado a sua geração para conseguir o sucesso que os executivos querem.

2) Com a lição aprendida com Vingadores, ficou óbvio que quando se fala em franquia é preciso ter uma história orgânica maior percorrendo um universo e não somente contos audiovisuais isolados. Por isso, se ficar até o final dos créditos, vai notar que a intenção aqui é realmente criar um Aracnoverso, impossível de ser explorado com o que aconteceu na trilogia anterior.

Enfim, continua sendo nosso Amigo da Vizinhaça, repaginado, sempre muito divertido e engraçado... Quase espetacular.

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Comentários
  • ricardo

    Crítica bem precisa! Pena que não estou conseguindo acessar os links para outros textos seus.

  • http://www.bonde.com.br/colunistas Claudio Yuge

    ola ricardo, pode acessar no clangcomix.com que tem os outros links por lá. valeu!

  • http://www.bonde.com.br/colunistas Claudio Yuge