Imagine que lá em Londres um cara conseguiu O TRABALHO DA VIDA DELE:

Fazer o logotipo das Olimpíadas de Londres do ano que vem. YES!

Pela quantia de cerca de 1 milhão de reais.

YESSSSSSSSSSS!!!!!!!!


O que ele fez? Bem, eu imagino que antes mesmo de entregar o trabalho, ele fez aquela festança de esquecer o nome da mãe. Sete dias de esbórnia depois, o resultado: acabou passando a noite de domingo debruçado sobre a mesa, suando frio, aos prantos, pedindo pela mãe e tentando terminar o desenho a tempo de entregá-lo na manhã seguinte para o COI.

Saiu isso:


Fotoroubêixan: Flickr do Simon Wakeman

Nosso herói, claro, teve que arranjar uma justificativa para aquilo: “Nosso emblema é simples e cheio de energia. Sua forma tem uma incrível flexibilidade e cativa acesso e participação. É um desenho que combina a força dos anéis olímpicos com a cidade de Londres. O número 2012 é o nosso logo, porque é compreendido universalmente por todo mundo”.

Então é nessa hora que o Irã se levanta e diz:

- AMIGO, VOCÊ ESTÁ ERRADO. EU NÃO ENTENDI. Eu não estou vendo o número 2012, eu estou vendo a palavra “Zion”, que remete à história do Judaísmo e, portanto, é um símbolo racista que ofende o povo islâmico iraniano. Melhor você arrumar isso daí, senão a gente vai boicotar essa bodega.

Agora aqui termina a estorinha e começa uma conversa séria.

O Comitê Olímpico Internacional está passando de fato por esse problema. “Se o COI não tomar medidas para resolver esta questão, isto poderá afetar a participação de vários países, entre eles o Irã, que insiste em certos princípios e valores”, declarou Mohammad Aliabadi, presidente do Comitê Olímpico Iraniano (saiba mais clicando aqui).

Além disso a galera também andou vendo suástica, ato sexual e um superfaturamente de 1 milhão por um desenho tão mixuruca. Mas a universalidade de 2012 combinando Londres com os anéis olímpicos, isso ninguém tá vendo.

Não sabemos exatamente qual a situação e que fim levará o designer protagonista da minha estorinha. Os responsáveis pelo desenho são o pessoal da Universal Everything e Wolf Ollins e não achei nenhuma manifestação das empresas sobre o caso.

Fica a exemplar lição do quanto é duro transmitir uma ideia universalmente, que dialogue com as mais diversas culturas por um único símbolo. As aulas de Semiótica e Antropologia não estão na tua grade curricular para você dar um cochilinho. A imagem é uma força devastadora, que pode cativar e unir a todos ou causar uma grande controvérsia.

Veja o Case Study completo do logotipo no site do Wolf Ollins: http://www.wolffolins.com/pdf/2012_case_study.pdf