Thor estreia neste final de semana, em todos os cinemas dos país. E, como todo apaixonado por quadrinhos, não poderia perder, vi ontem. Posso dizer que não saí totalmente satisfeito do cinema, o que, claro, é difícil de acontecer. No entanto, fui um pouco generoso também porque o filme não é uma história de origem comum.

O longa da Marvel Studios é o início da algo audacioso jamais feito por nenhuma editora de quadrinhos ou qualquer conglomerado. Depois das brincadeiras de crossovers visto em Homem de Ferro e O Incrível Hulk, Thor é o começo de um universo de super-heróis no cinema. Não é apenas o pontapé de largada para uma franquia. É o Universo Marvel em Hollywood.



Bem, o filme, dirigido por Kenneth Branagh, parte do início da jornada do filho de Asgard na Terra com elementos básicos do personagem, com ideias dos criadores Stan Lee (que mais uma vez faz sua espirituosa aparição, a exemplo de todas as outras produções da Marvel) e Jack Kirby, além de fragmentos das fases de Walt Simonson, Dan Jurgens e John Romita Jr., com ênfase de uma mais recente, a de J. Michael Straczynski. Não à toa, Straczynski (também conhecido como o progenitor da telessérie Babyllon 5) também assina o roteiro do longa.

Thor (Chris Hemsworth) começa quando o filho de Odin (Anthony Hopkins) parte com seu meio-irmão Loki (Tom Hiddleston) e o divertido grupo de guerreiros formado por Volstagg (Ray Stevenson), Hogun (Tadanobu Asano), Frandal (Josh Dallas) e Lady Sif (Jaimie Alexander) rumo a Jotunheim, um dos Nove Mundos, para enfrentar seus milenares inimigos, os Gigantes do Gelo.



Em meio a uma discussão que poderia terminar sem sangue, Thor demonstra seu lado arrogante e explosivo, igualmente poderoso, quando cai em uma provocação do gigante Laufey. Essa sequência talvez reúna as melhores cenas de ação criadas pela Marvel Studios até hoje. Thor realmente parece um deus em ação. O martelo Mjolnir girando como nos quadrinhos, sua movimentação em campo de batalha, o trovão, enfim, tudo que torna Thor um guerreiro imbatível aparece frente aos olhos de todos. É também de se notar como a equipe conseguiu caracterizar bem Asgard, inclusive mantendo uma identidade visual que não vá entrar em conflito com o design de Homem de Ferro e Capitão América, já que ambos se unirão em breve.

O filme então tem um segundo segmento, que se passa na Terra. Aqui aliás, é que o estúdio errou mais. Essa parte da história, também nos quadrinhos, é de fundamental importância para que a audiência, especialmente os não-iniciados, consigam diferir o super-herói da Marvel com o tradicional personagem da mitologia nórdica. Thor cai na Terra e precisa aprender algumas lições sobre respeito e humildade, além de recuperar seus poderes a tempo de enfrentar o Destruidor.



Há algumas boas tiradas envolvendo o Universo Marvel, como a já sabida aparição do Gavião Arqueiro e de menções a Hulk e Homem de Ferro. A fase de Dan Jurgens e John Romita Jr. se vê presente no romance de Jane Foster (Natalie Portman) e de Thor, citado também como Donald Blake, o clássico médico manco que, muito antes de House, já andava por aí com uma bengala. Só que quando ele batia ele se transformava no Deus do Trovão. Bem, o pouco tempo que o filme se passa na Terra não é suficiente para que o espectador tenha a certeza de que a lição de Thor realmente foi dura, ele aprendeu efetivamente alguma coisa. Afinal de contas, o cara se redime com sentimentos que passamos a vida inteira remoendo para lidar em apenas uma noite! Sem contar a paixão-instantânea-e-verdadeira-para-sempre por Jane Foster em apenas uma noite de poesia falida…

Ok, tirando isso, o filme segue, todo mundo sabe que o bem vence o mal, temos mais algumas boas sequências e vemos um elenco entrosado e bem equilibrado, com Hemsworth fazendo o que tem que fazer, ou seja, grunhir e se mostrar poderoso; Hiddleston representando bem a bipolaridade de Loki; e Hopkins fazendo uma autêntica figura paterna, como Odin realmente deveria ser no cinema. No entanto, isso tudo é um tanto quanto limitado, como em tudo no longa.

Parece que tudo presente em Thor está num estágio tão verde e longe do limite que até soa proposital. É como se os produtores estivessem mesmo guardando o melhor para o futuro, sem gastar nada desnecessariamente agora, e como se estivessem criando algo crescente, sem expandir demais as expectativas até o primeiro grande momento desse universo no cinema, Os Vingadores, no ano que vem.

Em uma temporada que ainda terá X-Men: First Class, Capitão América, Lanterna Verde, Caubóis e Aliens, Dylan Dog, entre outras adaptações, é cedo para dizer que Thor está entre os melhores do ano. Porém, vale pelo início do Universo Marvel, pela caracterização dos personagens e do “lado mágico” da editora no cinema. E também pela ousadia do projeto, da vontade de fazer nas telonas o que os leitores adoraram tantos anos de ver no papel.



Ah, sim, claro, esse é um “must-see-movie” para fãs dos quadrinhos. E, obviamente, além das referências entre as cenas, há também uma sequência final pós-créditos que explica bastante sobre o fim do filme do Capitão América e o início do filme dos Vingadores.

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