
Olha, essa foi a resenha mais difícil de escrever até agora por aqui no IdeaFixa. Simplesmente porque as coisas mais legais que poderiam acontecer na conclusão da trilogia do Cavaleiro das Trevas, que chega aos cinemas brasileiros neste final de semana, bem... aconteceram. E seria muito xarope estragar surpresas. O que posso dizer, sem spoilers, claro, é o que você pode querer ler abaixo.

Bem, antes de começar, acredito que seja legal recapitular quem é Batman porque assim dá pra entender melhor a razão pela qual a interpretação sobre o personagem feita pelo diretor Christopher Nolan é tão legal. Todo mundo sabe que o Homem Morcego é o mais próximo de nós no panteão da DC Comics, que, um pouco diferente - nem tanto nos dias de hoje - da rival Marvel Comics, tem em seu leque os heróis mais parecidos com a mitologia clássica: os icônicos da empresa carregam mais características dos semideuses e o que nos identifica com o Cavaleiro das Trevas é fato dele ser "apenas" um humano levado ao limite, tanto físico quanto mental e emocional.
Batman é um detetive, lutador excepcional, um cara esperto com um senso de justiça que consegue passear pelos tons de cinza onde o Superman só vê preto e branco. E ele ama sua cidade, Gotham City. E, né, o cara tem a melhor galeria de vilões, o que o torna ainda mais admirável.

É com um desses vilões que começa esse Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Assim como no longa anterior, tudo começa com uma ação vertiginosa e de impacto, para apresentar o vilão da vez e mostrar que Bane não está ali pra brincadeira. Uma sequência aérea daquelas de deixar boquiaberto.
Em seguida somos apresentados ao cenário em que o filme é montado, algo que lembra um pouco O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller. Um já velho e cansado Bruce Wayne (Christian Bale) se isola do convívio social em sua mansão porque acredita não haver mais razão de existir um Batman após a Lei Harvey Dent, que colocou muita gente em cana. Além disso, a polícia e a sociedade não estão lá muito felizes com o Homem Morcego, culpado pela morte do cara.

Seu exílio só acaba quando uma ladra de habilidade incomum chama sua atenção. Vamos dar os créditos para Anne Hathaway, porque ela consegue ter aquela mistura de charme, ousadia e sensualidade que a personagem pede. Não deve em nada para as duas melhores Mulher-Gato da história de Batman nas telas, inclusive tem até o visual que lembra bastante a Julie Newman. Sem contar que dá gosto ver ela passeando por aí de Batpod...

Nolan é bastante fiel ao que propõe nos títulos da série e, portanto, para alguém levantar, precisa antes cair. Metade de suas 2h45 (que passaram rapidinho, diga-se de passagem) se dedica então à Queda do Morcego, que nos remete então à saga em que Batman teve a coluna quebrada por Bane, aqui não só ameaçador fisicamente como mentalmente.
Seria legal (re)ver os dois filmes anteriores para compreender melhor como Christopher Nolan já havia plantado sementes do que pretendia para a trilogia, especialmente com Batman Begins. Toda a história que ele começou naquele primeiro fecha neste, com direito a retorno de personagens.

Os personagens secundários aqui têm uma função maior que nos filmes anteriores e a profundidade dada a eles é que faz desse um longa mais complexo. Tanto Comissário Gordon, quanto a Mulher-Gato, Alfred (Michael Caine), Lucius Fox (Morgan Freeman), Bane (Tom Hardy), o jovem policial John Blake (Joseph Gordon-Levitt) e até a insinuante Miranda Tate (Marion Cotillard).
Como visto em A Origem, Nolan consegue ser mais denso e ainda se conectar com a grande audiência porque faz cenas de ação em escala épica. Infelizmente não pude ver em uma sala IMAX, no entanto recomendo que vejam ali, já que dá pra notar que o filme foi feito pra esse tipo de exibição. Muitas falas de Bane, por exemplo, foram reprovadas nos testes preliminares e várias delas parecem ter sido dubladas, portanto há uma certa diferença no som quando ele diz algo, talvez isso seja menos perceptível em uma sala IMAX. Sem contar que o filme foi rodado assim, então tudo que já é estrondoso e visualmente deslumbrante deve ficar ainda melhor.

Bom, do que dá pra contar é que então O Cavaleiro das Trevas ressurge quando Bane está prestes a destruir completamente a cidade que Wayne tanto ama. E aí é que há interpretações interessantes de Nolan sobre o Bat-Universo e seus integrantes, a dinâmica que existe entre eles. Dá pra dizer que este é o filme da série mais parecido com as revistas, engraçado até o fato de que tudo o que o diretor não pode explicar no seu tom realista vai pra conta dos quadrinhos.
Nolan sabe montar um espetáculo - com direito a muita ação com o veículo aéreo denominado The Bat - e o que se segue então é cada personagem visitando sua zona limítrofe pra impedir o vilão e salvar o dia. Com plot twist e tudo mais.

Uma das coisas que mais gosto neste filme é ver Nolan enriquecendo esse universo, construindo personagens, ampliando sua história mesmo diante do fim. É quase paradoxal vê-lo fazendo isso para encerrar sua trilogia.
E é o que a faz desse Batman diferente de todos os outros do cinema. E, ao final da projeção a sensação é de dever cumprido e até de vontade de ver um filme a mais nessa história. Nolan fez o que não esperavam e transformou assim a trilogia do Homem Morcego uma das maiores e melhores adaptações de quadrinhos para o cinema.

E, de quebra, mostrou a jornada Cavaleiro das Trevas em sua transformação do herói para o mito. Demais hein.
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