Entrevista Ilustrada com Jeroen Cremers

Formado pela Academie Beeldende Kunsten Maastricht (ABKM) e pela Eindhoven Design Academy, ambas na Holanda, o artista mistura plataformas como fotografia, instalação e cerâmica, mas deixa clara sua queda pelo desenho livre. Por isso, o artista gráfico holandês Jeroen Cremers costuma dizer que a caneta é seu pincel e o papel sua tela: uma forma de colocar em pauta aspectos obscuros da sociedade à sua volta.

Para Cremers, a Entrevista Ilustrada foi um prato cheio, já que ele está frequentemente respondendo a inquietações por meio de desenhos. Cenários coloridos dão contornos ao trabalho que remete aos quadrinhos e que tem como temas correntes: a violência, a falsidade e a morte. Essa temática pode ser visitada em seu website, que também contém trabalhos em animação inspirados por filmes de David Lynch e pela narrativa "inumana" de Aldous Huxley - especialmente quando retratou, em literatura, a sociedade tecnocrática e condicionada de Admirável Mundo Novo (1932).

Algumas curiosidades sobre o cara:

1) Em animações feitas integralmente em stopmotion sobre desenho à mão, Jeroen cria novelas de enredo surrealista, sem linhas cronológicas. A última delas mostra recortes sobre solidão num mundo em escombros de guerra ao qual chamou VISITOR.

2) A necessidade de Jeroen em espelhar a sociedade foi fortemente impactada pelo estudo sobre grandes mestres. Encabeçando esta lista, Francisco Goya, que em uma de suas últimas séries Os Desastres da Guerra (1810-1820), retrata abertamente todo tipo de violência empregada na ocupação da cidade de Madrid pelas tropas francesas, em 1808. Este protesto visual feito em forma de 82 gravuras em P&B conversa com a estética mais direta que Jeroen adota em seus desenhos.

3) Outra de suas influências mais claras recebe o nome de Inimigos Unidos (1994), série de esculturas do alemão Thomas Schütte que retrata pequenas duplas de bonecos desfigurados amarrados juntos. A oposição clara entre impulsos humanos e a exposição de figuras políticas também podem ser vistas na série de desenhos Simpathy for the Devil, de Jeroen Cremers.

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Comentários
  • http://www.studioopz.com Gabriel Macohin

    Porra, muito bruto! Uma das melhores entrevistas!

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