Música eletrônica, cubos gigantes e insetos

O eletrônico sempre foi um dos meus estilos musicais favoritos, tanto pelas infinitas vertentes que possui, como também porque acredito ser o movimento musical que melhor representa nossa geração. É cada vez mais crescente o número de artistas que se destacam nesse meio, inovando com a mistura de vários outros gêneros, utilizando samples e criando remixes que repaginam - e muitas vezes imortalizam - clássicos, e também com performances ao vivo (o que nesse estilo ainda é um preconceito, por parecer que é apenas um simples "apertar de botões"). Felizmente isso é algo que está mudando, e hoje vou falar de um cara que é o exemplo perfeito dessa evolução, pois com seu mais recente trabalho expandiu esse estilo a um nível surpreendente, numa mistura surreal de música e arte multimídia: o genial Amon Tobin.

Amon Adonai Santos de Araújo Tobin é um compositor e produtor musical (orgulhem-se) brasileiro, nascido no Rio de Janeiro. Morou em diversos países da Europa, onde desenvolveu seu estilo ao longo dos anos, e hoje vive no Canadá.

Com um estilo difícil de definir (algo como uma salada de drum n' bass, jazz, toques de hip-hop e eletrônico) mas que é justamente seu traço mais marcante,  já emplacou 9 álbuns em seus 15 anos de carreira, 8 deles lançados pelo selo Ninja Tune (outro selo foda pra ficar de ouvido). Particularmente recomendo "Foley Room", de 2007, um dos meus preferidos, e também um bom começo pra quem quiser conhecer.

Um dado curioso sobre seu trabalho é que, ao longo de suas experimentações, passou a gravar seus próprios samples e bases, muitos deles derivados das fontes mais inusitadas. Em uma das composições de seu álbum "Foley Room" por exemplo, usou microfones minúsculos para captar o som da linguagem de formigas (!!!), e depois ampliou com o auxílio de uma folha de estanho. Doido varrido.

Seu mais recente álbum, "ISAM", lançado em abril deste ano, conta com uma turnê cuja produção visual é simplesmente impressionante. Trata-se de uma instalação gigante de "cubos" e vigas, que recebem uma projeção digital mapeada durante o show, e funciona como uma espécie de "nave", de onde ele rege sua orquestra eletrônica. A concepção dessa incrível experiência sensorial se deu por conta de uma parceria de várias equipes, sendo a parte de programação visual a cargo do estúdio norte-americano V Squared Labs (com a direção do famoso VJ Vello Virkhaus), e do estúdio Leviathan. O design é assinado por Heather Shaw, do estúdio de design norte-americano Vita Motus Design.

Além das performances, Amon também convidou a artista "taxidermista" britânica Tessa Farmer, que possui um estilo tão peculiar quanto o de suas composições (seu trabalho consiste em minúsculas esculturas produzidas com material "orgânico", como raízes, folhas, e - pasmem - carcaças e restos de insetos e outros seres mortos) para criar uma série de cenas que representassem as faixas do álbum. O belíssimo resultado foi a exposição audio-visual "ISAM: Control Over Nature", uma batalha estática minuciosamente coreografada entre esqueletos humanóides alados e insetos, acompanhada pela dramática trilha de "ISAM", que esteve exposta nas galerias The Crypt Gallery, de Londres, e L'Espace Art Roch, em Paris. Os trabalhos também resultaram num artbook exclusivo, vendido em conjunto do CD e LP, no site da gravadora.

Pra finalizar, um video divulgado pelo Creators Project em parceria da VICE, que mostra mais detalhes da produção, com comentários do próprio Amon (com legendas em português).

Até a próxima!

Comentários