Nem só de hiperrealistas e figurativos é composto o grupo dos obcecados pelo labor. No renascimento da fênix dos que não desenham nada, falaremos de Augustin Lesage.

A única coisa que encontrei sobre Lesage, é um perfil em francês na wikipedia, que conta uma história tão interessante que eu espero ser toda verdadeira. Tenha essa mania de achar que na internet (quase) tudo é mentira.

Augustin Lesage (1876 -1954) nasceu no norte da frança e trabalhou nos primeiros anos como operário em uma mina de carvão. Em 1911, aos 35 anos, ele ouviu uma voz subterrânea que disse: “Un jour, tu seras
peintre”
(Um dia, você será um pintor).



Um ano depois, em parte por seu envolvimento em círculos espíritas, Lesage começou a se comunicar através da escrita automática com “espíritos”, incluindo um que acreditava ser sua irmã Maria, que tinha morrido em infância. Os espíritos lhe disseram:

“As vozes que ouviu eram reais. Você vai ser um pintor. não tenha medo e siga nossos conselhos. Nós é que traçaremos através de suas mãos. Não tente entender.”



Sinistro, rs.



As vozes (que pelo visto eram especialistas) disseram a ele que cores e pincéis deveria comprar, e onde encomendar uma tela. Lesage encomendou uma tela pequena, mas quando a dita chegou, media 3m2. Ele queria cortá-la em pedaços menores, mas as vozes o impediram. Nos dois anos que seguiram, ele voltava da mina diariamente e deixava que os espíritos o guiassem.



A partir disso ele começou a preencher todo o espaço com pequenas áreas multicoloridas. “Era como trabalhar sem trabalhar”, disse o pintor. (Aí sim, hein??)



Apesar de ser muito estimado pelos surrelistas, a maior parte das 800 telas do pintor permanece obscura e exposta poucas vezes no exterior. Os padrões são inconfundíveis. Depois de observar a simetria da tela grande, ele começou a organizar suas composições ao longo de um eixo central, construindo estruturas geométricas complexas em camadas horizontais, de dentro para fora.



Com o passar dos anos, sua pintura ficou mais consciente. Ele incorporou aos seus mosaicos vários elementos da cultura Egípcia, uma de suas paixões. Lesage pintou até onde a vista não conseguiu mais alcançar.