A mostra Traço Cidade do ilustrador e artista plástico Marcio Moreno chega hoje ao IdCH, na quarta edição da Festa Estranha com Gente Esquisita (evento que integra artes no Id Clodomiro, em São Paulo). Serão apresentadas 9 obras desenhadas à nanquim, entrelaçadas pelo tema da cidade, suas estruturas e a influência disso no comportamento do cidadão urbano. Além delas, Marcio também aposta na inserção de três obras das séries Transferíveis, A partir e (47) que seguem o mesmo elemento de inspiração adotado em Traço Cidade: a cidade de São Paulo.



[IF] Marcio, como surgiu Traço Cidade e quanto tempo vc trabalhou para completar a série?
[MM]
A série surgiu em 2009 e se estende até hoje, esses primeiros trabalhos levei cerca de 3 meses para construir. Como tenho esse costume de observar as pessoas, desenhar na rua e querer contar histórias através dos desenhos essa dinâmica de criação nunca acaba. Junto com as obras da série Traço Cidade, também tem 3 obras que fiz para a exposição Transferíveis realizada esse ano na galeria Lado B no estúdio de tatuagem Don Rodrigues. A lógica das obras são as mesmas, sempre pessoas e situações que encontrei na rua e uso isso para a construção do meu trabalho.



[IF] Você utiliza diferentes materiais como plataforma (por exemplo o jornal em algumas séries). Como se dá a escolha de uma plataforma ou material e por quê o uso do nanquim no papel branco, especialmente nesta série?
[MM]
Eu guardo diversos retalhos de papéis, textos, imagens e sempre procuro usar isso quando o trabalho pede. Nas obras (47), A partir e Transferíveis, o suporte que usei (papel Paraná) e o caminho de pesquisa que estava traçando, optei por trabalhar com colagem. Com isso conseguiria inserir elementos visuais, ícones, símbolos e textos que ajudavam a construir uma narrativa na imagem. Já nos trabalhos da série Traço Cidade queria algo mais sutil, que fosse bem gráfico e lembrasse um pouco desenhos de anotações, rápidos e sucintos, por isso usei o nanquim no papel branco, bem limpo.



[IF] Traço Cidade veio de uma exposição no Piola e agora passa por um mês no iDCh. Você planeja que a série percorra sua cidade-tema por outras casas?
[MM]
Não é um objetivo a ser seguido, não pensei na exposição como algo itinerante. Mas, claro, se houver convites estarei sempre à disposição.

[IF] Por que você optou por reduzir o número de obras em exposição no iDCh?
[MM]
O espaço expositivo do IDCh é um pouco menor que do Piola, então preferi diminuir a quantidade das obras da série Traço Cidade para poder colocar algumas mais atuais. Também levei duas serigrafias que tem mais uma “pegada” de ilustração. O que foge um pouco do assunto tratado nas outras obras, mas por ser um bar, um ambiente mais descontraído, achei que caberia.



[IF] Além das estruturas da cidade, estão ali desenhadas pessoas e seus comportamentos transmitidos. Como você enxerga a influência da cidade nos personagens que retrata?
[MM]
Acredito muito que o cidadão é o reflexo da cidade e vice-versa, as duas coisas se transformam juntas. Fico admirado com a grandeza da cidade, a quantidade de pessoas e o quanto de histórias cada uma tem. Tudo isso acontecendo nesse mesmo lugar que é tão próximo e às vezes tão distante de nós.



FESTA ESTRANHA COM GENTE ESQUISITA – 4a Edição
Evento temático integra artes no IDch
14 de outubro, sexta-feira – a partir das 23h
IDch (Rua Clodomiro Amazonas, 660, São Paulo)
Entrada: 20 reais