“Frente ao poder homogeinizador da cultura global, o artista cuida de inserir, nas próprias vias onde esta reclama sua hegemonia, aquilo que pertence ao seu território doméstico e ao campo do afeto.”No final de 2005, estava em Portugal, longe do Brasil há algum tempo, fui ao cinema assistir O Jardineiro Fiel de Fernando Meireles. Não é o filme em si que me interessa aqui. Me interessa o fato que desde o primeiro minuto, ainda que com uma produção gringa, eu sabia que o filme tinha sido dirigido por um brasileiro. Eu mapeava claramente as influências culturais, o modo de ver e sentir porque conhecia aqueles sinais. Saltava a carência de me identificar com a minha cultura original, saber de onde eu vinha e que não me perdi nem fui massacrada por tantas influências externas.
Moacir dos Anjos na edição #03 da Santa art magazine.
Para não nos confundir em um mundo global onde a nossa identidade pode ser a cópia vil de algum filme estrangeiro ou de algum rockstar, surge a necessidade quase vital de identificar-se com as raízes, de saber quem somos pelas influências culturais que recebemos por nascer naquela terra e pertencer àquela nação. Saber o que as pessoas e os costumes trouxeram para a nossa obra.
Mas nesse momento surge a questão: Qual é a cultura brasileira? Qual é a cultura latinoamericana? Eu, como filha de imigrantes, devo me identificar com a cultura latinoamerica pre-colombina e a atual ou com a cultura européia?
A seguir uma pequena seleção de imagens de artistas que ao meu ver são extremamente conectados a sua cultura local.
Os Gêmeos
Os Gêmeos

Os Gêmeos

Claudio Edinger

Claudio Edinger

Aloisio Magalhães

Carlos Colombino

Marcos Lopez

Buggy

Buggy e Gustavo Gusmão / Buggy e Matheus Barbosa
*agradecimentos a Deia Kulpas que me ajudou na seleção de imagens








Oi Diniz,
As perguntas dicotomicas foram teasers para um próximo post onde quero falar justamente que somos frutos do caos e não da dicotomia. :)
Inclusive os paradigmas obra de arte/espectador, parede/pessoa não servem para nós, serviam para um mundo dicotomico cristiano onde existia céu/inferno, bem/mal.
Enfim, você já previu a problemática e aviso você quando publicar o próximo post porque ainda estou terminando uma tradução.
E quanto a temática universal nas artes, eu estou com você e não abro mão.
Meu questionamento, entretanto, foi no meio de tantas referências culturais, de tanta mistura, o que é que fica com você e o que é que você trouxe culturalmente na bagagem para não ser uma cópia ambulante.
Qual é o caos que você leva dentro de si por ser brasileiro?