A foto mais cara do mundo

11.11.2011 / Em ilustração / Por Janara Lopes

A foto acima foi vendida em NY, por 4,3 milhões de dólares. Sim, essa foi a mesma cara que eu fiz.

A imagem registrada em 1999 mostra o rio Reno, na Alemanha.
 A obra é do fotógrafo Andreas Gursky e superou recorde anterior, de US$ 3,8 milhões. Eu continuo não entendendo e partilhando da mesma opinião do meu amigo (e fotógrafo fudido) Jorge Bispo: pra que serve foto de paisagem?

Via

  • bafocomics

    e eu baixei de graça aqui no post. aeuhauhe.

  • http://www.romolo.com.br Rômolo

    Bem… Não dá pra discutir o valor desta obra. Entendo o argumento do vazio da foto de paisagem e tal. Mas tá na cara que o artista não pensa exatamente nisso quando usa (e muito bem) os elementos dispostos para criar bonitas abstrações. Só ver o resto do trabalho dele e dá pra ver que ele tem um raciocínio muito interessante sobre seu processo de trabalho. Na minha opnião, não se trata só de foto de paisagem.

  • Rebeca Santos

    Maravilhosa! Um espetáculo!

  • http://www.ideafixa.com Janara

    O meu não é um argumento contra, é só um argumento pessoal. Só gosto de foto que tem gente. E sobre o valor, os motivos são óbvios: é negócio. Se a ultima foto foi vendida a 3,8 milhões, comprar algo desse cara, mesmo algo tão boring, é jogo. A anterior a bater o record de grana, do supermercado, é muito mais interessante.

  • http://www.romolo.com.br Rômolo

    É que no post, quando vc fala sobre o lance de foto de paisagem, pareceu que era um questionamento sobre o artista também.

  • http://www.romolo.com.br Rômolo

    Enfim, Janara, acho que eu responderia sua pergunta (pra que serve foto de paisagem?) com uma foto desse cara.

  • http://www.romolo.com.br Rômolo

    Fui blasé? rsrs

  • http://www.ideafixa.com Janara

    Super, hahahah.

  • http://www.romolo.com.br Rômolo

    Este é um dos meus alter egos, junto com o cesinha ;)

  • Gastão Ferrol

    Nem só o retrato fala sobre a profundidade humana. Mais ainda sobre outras questões do universo, do espaço, do tempo, etc. Jorge Bispo obviamente advoga em causa própria. A minha maior questão é “de que adianta comprar foto”.

  • http://www.romolo.com.br Rômolo

    Opa! Agora o bicho pega!

  • http://bibianaveronica.blogspot.com bibiana

    achei a foto bem foda! e com essa pergunta do Gastão, inicia uma boa discussão sobre o trabalho da fotografia como arte mesmo, valiosa.

  • Elisa

    Muito bem colocado, Gastão. Aliás, se não me engano, o comprador da foto era seu xará.

  • Elisa

    Agora falando sério. 4,3 milhões em uma foto de um rio é um absurdo. E quanto aos intelectuais de plantão, nem venham dizer que é uma foto foda, porque não é.

    Se um amiguinho seu postasse essa foto no flickr, viriam um monte de críticos dizer que a composição da foto com as linhas paralelas está ótima, mas que faltou contraste ou cor ou tratamento ou luz ou o que mais puderem apontar para ter uma opinião.

    Não acho errado valorizarem o trabalho do cara. Beleza. É arte. É legal. É bonito. Vá lá.

    Mas 4,3 milhões nisso é jogar dinheiro no lixo. Povo consumista do caramba.

  • http://www.ideafixa.com Janara

    Agora a pergunta premiada: vc prefere comprar um van gogh de 4, 3 milhões ou essa foto?

    ….

    E não acho que ele advoga em sua causa, na real é uma consequência, Ele escolheu fotografar pessoas por achar paisagens chatas.

  • http://www.flickr.com/judesla Juliana Deslandes

    nem pra ter um ceu azul pelo menos. hahahaha

  • http://www.ideafixa.com Janara

    Consumista não Elisa, espertos! Nem o cara que comprou acha incrível, ele está interessado mesmo é em negócios. Quanto ao resto do comentário, concordo com tudo.

  • Elisa

    Verdade. Ainda assim, é inacreditável.

  • Sígride Gomes

    Eu achei bem legal a foto até, não sei se vale a grana ou não, mas eu acho que, se um quadro pode valer milhões… pq não uma foto?

  • http://@milena_bonfim Milena

    HAHAHAHA verdade.

  • Advan Shumiski

    Pra mim existem três fatores que poderiam de fato valorizar tanto assim uma imagem:

    1 – uma obra de valor técnico muito alto, vide obras de Da Vinci por exemplo, que exige um empenho pela perfeição. Seja pela textura que se obteve, pela proporção, pela falta de recursos (e o resultado inesperado usando estes) e etc.
    2 – pelo registro de um momento memorável
    3 – por se tratar de uma relíquia de algum artista que foi grande, e post mortem tenham encontrado algo novo.

    Nem interesse ou curiosidade essa foto desperta em mim. Acho bem chata de olhar.

  • http://www.scaneandopensamento.com Juliana Lins

    Hoje em dia para se entender arte contemporanea precisamos ter um olhar mais aberto para o todo, precisamos conhecer o trabalho do artista citado e de preferencia suas referencias e historia. Questão de beleza, não interessa, se tem gente ou não, também não interessa. Não é disso que se trata essa foto muito menos do que os principais artistas do século XXI estão fazendo. Eu acho o trabalho dele muito bom e se tem alguem que pague, que bom pra ele!
    Qual o problema de ver foto como arte assim como uma pintura, assim como uma escultura, assim como um video, assim como uma performance.

  • http://www.ideafixa.com Janara

    Acho que essa foto aqui vale 20 milhões:

    Dali Atomicus - Philippe Halsman

    A questão não é se uma foto pode ou não valer, mas isso aí é muito boring, convenhamos.

  • http://www.romolo.com.br Rômolo

    Concordo

  • Nathalia

    Clap clap, Juliana.

    Uma pena ler um post tão pobre em seu descritivo. Não entendi a comparação com o valor do quadro de Van Gogh (nos comentários), e realmente não entendo a questão “para que serve foto de paisagem?”. Há um questionamento incrivelmente desprovido aí. Para que serve muita coisa hoje em dia, não? Atualmente nosso mundo é pautado pelo que não precisamos ter, mas temos ou queremos ter. Isso sim é uma grande questão. Se a fotografia é bonita ou não, se agrada a todos ou não, não importa – gosto é pessoal e depende de vivência, experiência, repertório e cultura individuais. Depende muito também do quanto e do que queremos. Há muita coisa por aí que algumas opiniões pessoais considerariam lixo e são vendidas (e compradas, por óbvio) por milhões.

    Na arte contemporânea o que vale é a ideia, nem mais a execução. Muitos artistas contam com equipes gigantes p executar uma ideia – e muitas vezes nem encostam no “trabalho”. A ideia é que conta. Alguém já havia feito uma foto que mais parece uma pintura, tão construtivista e equilibrada? Sim, claro! Mas essa foto exatamente? Não, claro que não. É isso. Vc não sabe se o comprador dela gosta ou não da foto, se é por interesse ou não. Isso é especulação, e nem advogada sou.

    Em tempo: todos têm direito a opinião, e vc deu a sua, Janara. Porém acho que para um blog deste porte, faltou bastante embasamento no post. Seria muito mais prestigioso ler críticas sobre a imagem, como a composição, cor, contraste, textura, etc… a ler a pergunta que foi feita. Da mesma forma que a pergunta “para que serve foto de gente?” pode ser bastante pertinente – se seguirmos a linha do questionamento vazio.

  • Danone

    Eu, um mero mortal vou lá e vou bater a mesma foto com a mesma composição, o que pra mim, um simples ignorante no mundo da fotografia vai ser simplesmente fácil, não requer estudo nenhum para eu fazer igual.

  • http://www.chainoworks.com Chaino

    totalmente

  • http://www.flickr.com/photos/marcelomortex/ mortex

    Hmmmm… se esta foto vale tudo isto, quanto será que vale aquelas fotos de guerra em que o fotógrafo arrisca sua vida para registrar um tiroteio, um bombardeio ou algo assim?
    Sei que não tem nada a ver uma coisa com outra mas…

  • http://www.fabsribeiro.com Fabricio Goes

    Essa foto mostra como a natureza divina. Ela é dividida proporcional e matematicamente, resumindo uma proporção áurea. Acredito que é por isso que se trata de uma linda foto.

  • http://www.ideafixa.com Janara

    na minha lógica pessoal, essas aí me parecem valer bem mais. é registro histórico também.

  • http://www.ideafixa.com Janara

    É minha opinião pessoal, claramente jocosa e sem nenhum embasamento. Não porque eu não o tenha, mas porquie por mais “linda” que seja essa foto, eu acho ela extremamente tediosa. Como alguns pintores que valem fortuna e de quem também acho a mesma coisa. Um blog desse tamanho continua tendo senso de humor. Você está certa em todas as suas colocações.
    Mas eu pergunto pra vc. O Van Gogh, ou a foto?

    ;)

  • Nathalia

    Boa pergunta! Mas por ser uma grande fã e estudiosa de Van Gogh, certamente ficaria com Van Gogh. Mas isso não “calcula” o valor da foto, entende? E tenho certeza de que vc tem todo o embasamento, e por isso o clamei aqui ;)
    Valeu o senso de humor. E bom feriado!

  • http://www.ideafixa.com Janara

    todo mundo vai no Van Gogh ;)

  • Jonathan Celestino Santos

    Pra ficar olhando!

  • Jailson

    Vou te contar, como tem gente besta no mundo… que lixo de foto!

  • http://www.ideafixa.com Janara

    hahah, com cara de paisagem?

  • Fernando

    Sem querer ser grosseiro nem nada, mas isso de dizer que o que vale é a idéia, que o que vale é o contexto, pra mim é BS.

    Isso só faz com que o trabalho seja alienador, quer dizer, só vai achar bacana quem ficou sabendo disso e daquilo e um monte de coisas que a obra em si não comunica de forma alguma. Vira algo que só tem valor para um clubinho exclusivo, que inclui pessoas muito ricas, que gastam fortunas nessas coisas.

    É ai que fica tudo esquisito e as pessoas ficam meio que com raiva desse tipo de arte. Dinheiro é uma língua universal e quando alguém gasta um grana toda numa coisa dessa é como se “provasse” que algo é valioso. Todo mundo entende o que 4,3 milhões significam, mas coçam a cabeça sobre o que a obra significa, já que a obra só tem significado para uma grupinho exclusivo.

    Até ai problema nenhum, só enche o saco quando por causa da grana que rola esse tipo de arte acaba sendo aceita como algo “superior”, “legítimo”, etc e tal. Se cria um padrão para algo em que não existe padrão.

  • Dimas Forchetti

    Prometi que não ia comentar nada, menti pra mim mesmo.

    Opinião da Janara as de vocês a minha enfim as nossas. Apenas um lindo apanhado de gostos distintos, parabéns pra nós que não seguimos a lógica do “paga pausismo online” de concordar com tudo que se fala mesmo discordando.

    Ninguém é besta de comprar, ninguém é besta de achar um lixo, mais somos bestas se não se respeitar o artista e o comprador que um dia pode ser um comprador do nosso trabalho, nunca se sabe.

    A maioria de nós é fotografo, designer, artista plástico, e bla e bla e bla e quantas vezes não lutamos para ganhar o que merecemos.

    Ele merecia o triplo do que foi pago, ninguém faz igual, desculpa mais não faz, se não estaria feito e mostrado. Ninguém faz igual aos meus trabalhos pois eu que fiz e ninguém faz igual o trabalho de ninguém que está aqui pois é cada um que faz com o sentimento único do momento.

    Espero que um dia todos nós podemos vender algo a esse preço (o que não vai acontecer hahahaa) o que me cabe é o respeito de achar a foto linda demais. Aqui se fala, ali se paga.

    Sem querer ser blasé mais se perguntarem para um esfomeado: um Picasso, essa foto ou um Van Gogh ele responderia um prato feito bem servido, por favor.

    Cada um está em um momento, a do comprador foi esse, e que bom né, não contemos o dinheiro dos outros.

  • http://www.pierrelapalu.com Pierre

    Bem, uma coisa que me incomoda nisso tudo é como o “fazer arte contemporânea” e “estar no mercado de arte contemporânea” são coisas diferentes mas muito ligadas. Comprar uma foto pode parecer estranho sim, ainda mais com a evolução da capacidade de reprodutibilidade técnica. No entanto, o que a arte tradicionalmente mantém é a regra de contradizer suas próprias regras. Essa foto de fato tediosa, na minha opinião, valeria menos por ser reproduzíve. As fotos da Sally Mann, que são tão artesanais quanto uma pintura, para mim valeriam bem mais. E é tão contemporânea quanto. Ou seja, o mercado não está pagando o valor do objeto-foto, assim como se pagava caro pela pintura por ser um objeto e não sua reprodução. Hoje o mercado pratica o valor sobre ideias, embora o comprador leve para casa um objeto que pode ser reproduzido por 0,00001% do valor investido. Num mundo de livres ideias, que um dia quebrará as patentes e o autor vai desaparecendo perante a multidão cultural, não me parece bom investimento. O melhor caso para analizar isso é o recorde anterior, que era exatamente da Cindy Sherman. Ela recebe o valor, mas nem foi ela que tirou a foto. Ela simplesmente está na foto propondo uma experiência estética, para dizer assim. Portanto a foto é dela, não de quem apertou o botão. E o que é vendido é a experiência estética. Agora, se o gosto é relativo, o dinheiro também é. Para quem ganha 10.000 por ano, 5.000 por ano, 4.3 milhões é muito. Para quem ganha 100 milhões por ano, 4.3 é pouco. Eis a brecha onde atua o mercado de arte. Mas acho que divago.

  • http://www.flickr.com/berjeee Berje

    Faço das palavras do Dimas as minhas, nós lutamos tanto para ter nosso trabalho valorizado, fico feliz em saber que há pessoas dispostas a dar esse valor “astronômico” em uma peça de arte, uma fotografia, ao invés de financiar a indústria armamentista ou outras bostas clichês do tipo que só fodem a sociedade como um todo. Espero um dia ter um trabalho valendo tudo isso ou ao menos valendo o que merece, como todo mundo aqui também deseja.

  • Mixto

    O que vale mais nisso tudo é troca de ideias e experiências expostas aqui por causa da obra.

  • http://www.chainoworks.com Chaino

    Meu deus. Mas o cara foi lá, viu a parada e tirou a foto. Um “simples ignorante no mundo da fotografia” não consegue tirar essa foto mas nem fudendo. O cara foi lá, e com todo o estudo que tem, anos de experiência, etc, tirou essa foto.

  • Leonardo Soares

    Se nem arte é possível definir, que dirá seu valor.

  • http://www.xmico.com Bruno Ferrari

    eu acho que deve ter vindo num papel bem dahora :)

  • http://www.ideafixa.com Janara

    Mas e aí. O Van Gogh ou a foto?

  • http://www.ideafixa.com Janara

    Foi meu comentário favorito :)

  • Fabio

    em vez de comprar a foto, da pra ir la e fazer igual?

  • Dimas Forchetti

    4,3 milhões de dólares

  • OCHO

    Compra o rio de uma vez, ao invés de comprar a foto.

  • Bolivar Alencastro Silva

    Segue abaixo alguns links sobre o fotografo Andreas Gursky, acho que seria interessante debater sobre o assuntos com um pouco mais de informações sobre. Gosto muito de ver o trabalho de um artista sendo valorizado. Com esta valorização hoje em dia o Andreas provavelmente não fotografa para viver, ele vive para fotografar. E pelo visto o cara é apaixonado pelo que faz.

    Que artista não gostaria de chegar neste ponto? Viver pela arte.

    http://phototrends.blogspot.com/2007/03/fotografia-contempornea-andreas-gursky.html
    http://www.dw-world.de/dw/article/0,,3346277,00.html
    http://www.youtube.com/watch?v=jTAYMeI9hlg&feature=related (1 de 4)
    http://en.wikipedia.org/wiki/Rhein_II
    http://www.wallpaper.com/news/Portfolio:_Andreas_Gursky/1320

  • Pingback: A foto mais cara do mundo

  • italo

    pra que serve foto de paisagem?

    pra que serve foto de pessoas? [que pessoalmente não me agradam nem um pouco]

    tá que a foto do Gursky foi um pouco supervalorizada ao meu olhar leigo, mas tem uma coisa que gosto no trabalho dele… transformar pessoas em objetos, as pessoas não são pessoas, são como peças de xadrex, o que pra mim faz com que a pessoa sozinha seja algo sem valor, seja um nada [pq assim que vejo as pessoas, não somos nada! somos lixo sozinhos e não é só por ser "famoso" que fará com que a fotografia tenha algum valor, que é o que acaba acontecerndo, mas a percepção do gursky para as composições é inegável, ele tem sim um puta dum olhar foda!]