Eu ainda gasto (mais do que deveria ou gostaria) um bom dinheiro em CDs. Eu gosto de tê-los na prateleira, mesmo sabendo que não irei ouvi-los direto da mídia (já não tenho aparelho de CDs há algum tempo).
Minha experiência pessoal de comprar CDs mudou: quando eu era um infanto (e isso não faz muito tempo, diga-se), ir à loja e comprar um CD de uma banda, limitado às bandas/artistas que chegavam ao Brasil pelas gravadoras, era quase uma surpresa: dificilmente você conhecia o álbum todo e comprava meio que “no escuro”. Óbvio que os mais velhos clamarão que era a mesma coisa com o vinil, eu sei. Hoje em dia, eu compro os CDs das bandas que eu já cansei de ouvir no computador, compro CDs das minhas bandas preferidas e, principalmente, se eu vejo ao vivo uma banda ou músico independente que eu gosto, comprar o CD é uma forma de ajudá-lo.
Para um artista vender CDs hoje em dia ele precisa ser criativo e oferecer o tipo de experiência que se tinha antes da facilidade do download: o CD era/é um objeto quase fetichista, uma combinação de arte e música em um formato (quase sempre) definido, e a experiência baseia-se numa escuta quase que ritualística, de parar para ouvir e dedicar-se a tal feito. Ainda mais, para um artista vender CDs hoje ele precisa principalmente estar ciente de que o caminho começa pela internet: downloads, legais ou ilegais, têm provado ser a melhor e mais eficiente “porta de entrada”, seja do artista consagrado ou do novato.
Um dos primeiros CDs com artwork mais “ousada” que vi foi o Pulse, do Pink Floyd:
Isso em 1994, se não me engano. O CD ainda estava no seu auge e os tiozinhos já estavam pensando longe. Hoje é bem complicado de encontrar essa pérola por um preço acessível. A segunda edição é linda também, mas sem os LEDs.
Depois, com a progressão da tal “Morte do CD” e das estratégias do Radiohead, Nine Inch Nails e outros para uma tentativa de mudança na forma de “vender música”, eu achei bem legal a iniciativa do Trent Reznor com seu ábum Year Zero, combinado à um ARG, USB sticks espalhados em shows, e um CD que muda de cor com o calor:
Eu poderia citar aqui mais alguns exemplos, mas esta historinha toda foi só para mostrar que curiosamente, essa semana eu vi dois ÓTIMOS exemplos de como fazer um CD se tornar novamente uma experiência interessante, e decidi que seria um bom tema para um post aqui, pois envolve música e design como uma “tentativa” de salvar um formato praticamente obsoleto.
O primeiro é o disco Pappeltalks, da dupla Ivan Palacký & Andrea Neumann. A capa foi concebida pelo estúdio Hubero Kororo e a graça está na primeira vez que você abre o disco:
Uma boa combinação de capas “personalizadas”, interatividade e um quê de randômico. Me lembrou o trampo do Beck para “The Information”, com os adesivos para você criar sua própria capa:
Mas para mim o mais impressionante ainda é o do músico Moldover, da cena eletrônica independente de NYC, principalmente pelo fato do cara ser um músico de certa forma “desassociado” ao movimento da grande indústria:
Felizmente e infelizmente, talvez o futuro do CD seja o de objeto de colecionador, o da edição limitada. Isso faz com que a tentativa de inovar e fazer algo interessante cresça, mas ao mesmo tempo torna-o cada vez mais custoso, como uma pequena peça de arte.





