
Update colorido e extrapolando os limites do papel. You go boys!
……….
Do caderno que saiu do Rio, foi pra um monte de lugares que eu não lembro mais a sequência e chegou em Bauru:
Autor: Flávio B. de Paula

Update colorido e extrapolando os limites do papel. You go boys!
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Do caderno que saiu do Rio, foi pra um monte de lugares que eu não lembro mais a sequência e chegou em Bauru:
Autor: Flávio B. de Paula
You got no passion
It’s all fashion
É cada vez mais comum encontrar designers, artistas e atuantes de áreas afins muito mais focados em seu estilo enquanto pessoa — o que veste, como fala, com quem conversa, em que situações é blasé e em quais extravasa, que equipamentos usa, que bandas ouve etc — do que no(s) estilo(s) que utiliza em seu trabalho. Não consigo deixar de me surpreender com tanta energia empregada em parecer ser um designer, e tão pouca em tentar efetivamente ser um. Como se apenas aderir a um conjunto específico de condutas, que lhe insere num grupo social superficialmente ligado à área, fosse suficiente para caracterizá-lo como um bom profissional, ou mesmo como um profissional, apenas. Como se a profissão fosse definida pela forma como seus praticantes agem. Alíás, como se isso tivesse qualquer importância, frente aos verdadeiros desafios relacionados a viver de design.
É até compreensível que pessoas que trabalham ou querem trabalhar com expressão de sentimentos e transmissão de idéias tenham um cuidado mais elaborado com a auto-imagem. Mas uma coisa não deveria ser reflexo da outra? Não seria um indício de distorção de valores quando elas se invertem? Acho muito pouco provável que seu estilo de vida determine a qualidade do que você faz. Cansei de ver gente que esbanja “design” por todos os poros e todas as sílabas, que é o próprio agente do “cool”, mas que tem portfólios sofríveis, quando não horríveis. Outras vezes são trabalhos bons, mas tão superficiais e sem alma, que acabam sendo nulos (mas quem sabe apenas para mim… por que, no fim, nos “comments” eles acabam fazendo sucesso, para o que quer que isso valha).
Talvez seja a rabugisse da idade falando. Ou só uma reprovação natural das novas práticas, assim como certamente fui reprovado pela geração anterior à minha, com a diferença de não haver um blog onde eu pudesse ler ataques diretos à minha forma de viver. Mas o fato é que, para mim, o verdadeiro feeling fica muito abaixo da superfície. O que transparece dele numa imagem (seja essa imagem uma peça gráfica ou seu visual enquanto pessoa) é sempre um reflexo de algo interior. E ou ele está lá ou não. Tentar fazer o caminho inverso, simular um feeling através da construção premeditada de uma imagem; tentar criar um interior através do exterior, não resolve.
Então, resumidamente, vista o que quiser, fale como e com quem quiser, mas não pense que isso tem qualquer relação direta com seu talento ou desenvolvimento dele. Afinal, você não é a sua imagem. Ah, outra coisa: por gentileza, tente não se esquecer das regras básicas da boa educação, tão essenciais para o convívio social quanto são atualmente raras — ser educado não faz de você um idiota, eu prometo. Pra fechar, acho que cabe um recado do mestre:
P.S.: eu tenho dois tênis xadrez e de vez em quando ouço Blonde Redhead.
P.S.2: parte desse texto foi criada para ser utilizada no evento GOT MERZ!, organizado em comemoração dos 5 anos do Nomad Ink, em Curitiba.
P.S.3: “you got no passion / it’s all fashion” é da música Rattlesnake, do Rancid.

Eu sem querer cai no fólio de Jack Teagle e achei bem interessante.
A principio o que me chamou a atenção foram as ilustras bem humoradas com personagens de desenhos e filmes do anos 80. Depois foi o sketchbook que achei bem interessante, vale a pena conhecer.
Jack Teagle – www.jackteagle.co.uk