
Já tem algum tempo que as tiras largaram a receita de 2 ou 3 quadrinhos sucedidos por um último com a piada final e explicativa pra dar lugar às que deixam por conta do leitor a interpretação do que acabou de ver. E não tô falando de “tirinha-cabeça” mas de um alvo um pouquinho mais abrangente que sua inteligencia.
O caminho foi aberto principalmente pelo mestre [dos mestres] dos quadrinhos brasileiro, o Laerte, que em sua fase recente [pontuada após a morte de seu filho, em 2006] coloca a [sua] arte em um outro patamar, indo muito mais fundo que apenas mexer com sentimentos de alegria, raiva ou reflexão pra tocar em sensações que muitas vezes estão além do que somos capazes de explicar. O que você concluiu não importa e sim o que você sentiu.
E a essencia da arte é essa, não é?
Ótimos ilustradores da nova geração como André Dahmer, Arnaldo Branco e Rafael Sica não escondem a posição de pupilos e a referencia que a arte de Laerte é para eles. Talvez este também seja o caso de Heneh - responsável pelas tiras que ilustram este post – e que estreia [estou enganado?] um estilo de arte sequencial surealista e sem sentido aparente [ia citar Dali, mas vou respeitar as devidas proporções] onde a “idéia” é substituida pelo “efeito”.



Ou são só rabiscos? Bem, isso já não depende dele, mas de você!





